Exí­lio…

Li num site que encontrei por acaso, um texto que fala de exí­lio. Me encantei com ele. Comparei-o um pouco com a minha saí­da do Brasil e minha opção de viver uma nova etapa da vida, buscando e encontrando os prazeres que ela me traz. Sei que meus sentimentos seriam completamente diferentes se estar aqui não tivesse sido uma escolha minha e sim uma contingência da vida, uma obrigação ou pior… um castigo.

Enquanto sigo pelos caminhos dos meu novo lugar de viver – um monte perto de bonitos e minúsculos povoados – na solidão de uma tarde nebulosa e fria, sem outra companhia que meus pensamentos, surpreendo-me comparando-a com a outra solidão que eu sentia, às vezes, em plena avenida movimentada de minha cidade natal. Como são diferentes!
Penso que o exí­lio não é estar longe apenas de seu lugar…
É principalmente estar longe de si mesmo, de seus sonhos…de sua alma.
É viver só de memórias com gosto de tristes saudades. 
O texto diz assim:

Quando os relógios marcam a hora invertida; quando as árvores de tua rua deixam de saudar-te e te sentes observado como uma pantera doente; quando esperas uma resposta que não chega desde o vento ausente, uma resposta daquele rosto desconhecido, de uma garrafa quebrada, uma resposta qualquer (e não chega) ; quando a distância te invade e pisas os restos de memória pelo asfalto que não reconhece teus passos; quando o vazio se empina sobre teu coração, sobre teus olhos, com a fúria calada de um sax seco; quando já não há nem ontem nem amanhã e o carteiro não vem; quando o neon te devolve uma palavra equivocada; quando o rosto dela deixa de pertencer-te… Então, moço, já não há mais escusas: algo assim é o exí­lio” 

Não conheço o autor, mas precisava reproduzi-lo. Achei suas palavras inquietantes… E  por quê eu não sinto essa melancolia impotente enquanto caminho pelas ruas deste lugar? Sinto como se este “aqui e agora” estivesse destinado para mim desde sempre e já fizesse, há muito mais tempo do que eu pudesse saber, parte da minha história nesta vida. Quem sabe se já não foi em outras?

Se eu fosse a budista que queria ser, acreditaria que já vivi aqui. Infelizmente, por mais tente aprender com os livros como O Monge e o Filósofo, e admire a filosofia budista, ainda não possuo essa crença feliz de que somos uma sucessão de vidas em tempos e espaços distintos.

Quem sabe um dia…

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Categorias: Pensando Alto, Poesia & BelosTextos | Tags: | Deixe um comentário

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