Mulher Maravilha…

Eu era uma moça moderna. Ou pensava que era. Separada, filha pequena, apartamento no terceiro andar, sem elevador. Professora, estudante, aprendiz de “la vida”. Auto suficiente! Alta, bem proporcionada (isso nunca foi ser magra, heim!). Dinâmica ( eu???), inteligente, preparada (sim?) segura ( quem?? ) diziam outros. Era tão bom ter amigos assim! Era uma daquelas mulheres dispostas a matar dez leões por dia. Todos os dias se fosse preciso. E era. Uma noite, um destes monstros pré históricos entrou voando pela janela do apartamento e poft! estalou, negro e ameaçador, bem na parede em frente a mesa da sala onde estava debruçada na correção das provas de meus alunos. Pânico! Não gritei porque não podia. E a criança dormindo? Deslizei de mansinho para o chão e engatinhando procurei, sem pensar, a porta mais perto. Era a de saí­da. Quando consegui pensar, estava no hall do prédio, de camisola, agachada em frente à porta de casa, olhando pela brecha mí­nima para a peste da barata. O bicho não se movia, mas eu não me atrevia a entrar. A danada era das voadoras supersônicas, senão como teria conseguido voar até a janela de um terceiro andar!? Tentei voltar de gatinhas e atravessar a sala em direção ao quarto da minha filha, pensando na criançinha indefesa… e Frrrruuuuu… asas supersônicas sobre minha cabeça. Voltei de ré em meio segundo. Que desespero! Não podia ficar ali fora! Que mãe desnaturada abandonaria sua filha na mesma casa com aquele animal perigoso, fedido e asqueroso ? Eu! Só eu mesmo! Acordei com o voz do vizinho, às 6 da manhã, encolhida em cima do pequeno tapete.-Você está bem? -Heim!?-Aconteceu alguma coisa? -Não, nada… eh… sim… uma b…bbarata. E olhei para dentro. A danada não estava mais ali.

Salvou-me a chegada da empregada. Das duas coisas. Do risinho irônico do vizinho e de ter que entrar sozinha em casa com aquele monstro lá dentro. Passei direto para o quarto e fiquei lá até a faxineira matar e mostrar o cadáver da miserável.

Com o corpo todo doí­do, tomei uma ducha fria, um café amargo, organizei a coitadinha ( que mãe!!!), desci os três andares de escada com as pastas de provas sem corrigir, e preparei-me para todos os leões que teria que matar aquele dia.

Barata não!

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Categorias: Corpo&Alma de Mulher | Tags: | Deixe um comentário

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