Arquivo do dia: novembro 16, 2004

Um Universo Virtual…

Alguns amigos virtuais já fizeram o que eu vou fazer agora: um comentário sobre outros blogs.
Eu sei que muitos dos que vem a esta página encontraram meu link em um o outro blog que visitam. E isso é o encantador da rede de blogueiros. Ninguém é forçado a visitar ninguém, mas as indicações valem muito.
O visitante vem, lê… e se gosta, volta.
E se continua gostando vai ficando “cliente.”
Eu tenho o prazer e a honra de ter alguns fiéis amigos nesse universo virtual, mesmo já tendo trocado três vezes de endereço.
Agora, coitados, estão relendo posts antigos, talvez pela terceira vez, e ainda assim, delicadamente deixando seus pequenos comentários.
Agradeço muití­ssimo a paciência e o carinho que demonstram com este gesto.
Tenho já uma vasta lista de blogs linkados aí­ ao lado, todos deliciosos de serem lidos,e espero ter contribuí­do para que os donos deles também sejam visitados por aqueles que vem aqui.
Mas hoje eu quero dar um flash especial a Manoel Carlos e seu Agrestino. O melhor blog do “meu” universo blogueiro.
Manoel escreve como quem conversa com a gente sobre qualquer assunto, atual ou do passado. Conta histórias de suas andanças, fala de literatura, polí­tica, linguagem, amor, saudades.
Nunca escutei a sua voz, mas tenho a impressão que é grave e tranqüila como a voz de quem tem paz interior. Nunca escutei seu sorriso mas posso senti-lo nas histórias bem humoradas que conta sobre o Nordeste brasileiro. Nunca vi seu olhar, mas o imagino embaçado de saudades quando fala de antigos amigos que conquistou pelo mundo a fora, em Portugal, Moçambique, Rio de Janeiro, Pernambuco, Rio Grande do Norte…
Nunca estive pessoalmente com ele, mas pude sentir seu abraço em muitas das vezes em que deixou aqui seus recados.
O blog de Manoel é como ir ao um bar de pueblo. Aquele que a gente pode ir durante toda a vida que sempre vai encontrá-lo disposto a cantarolar um sambinha, um frevo, recitar um poema lindo e quase desconhecido, provar com ele um gosto antigo de infância, reconhecer perfumes, escutar boas histórias.
Manoel é amigo fiel de pessoas e feitos. Nunca deixa de homenagear personagens que admira. Nunca deixa de comentar fatos importantes. Toma posição. Opina. Avalia.Indica bons blogs, bons artigos.
Mas seu tom nunca é o de um dono da verdade. Seu tom é sempre o de quem sabe – e gosta – de compartilhar suas idéias.
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Outro blog fantástico é o de Maria, a Digressiva Maria.
Suas digressões me fascinam. Ela escreve como quem borda, com as palavras, lindas peças de linho. Às vezes, um vestido de festa. Outras, uma manta de rotos retalhos, imensa, como aquela que acompanhou Tita ao hospital no filme Como Água Para Chocolate. Imagino, às vezes, Maria bordando sua colcha com os pedaços de suas muitas dores nas noites de fria solidão da alma, escolhendo as letras com cuidado, para não perder nenhum ponto necessário à compreensão de seus sentimentos.
Maria é mestre nos desenhos possí­veis da alma. Ela e sua escrita se entregam uma à outra como amantes.
Umas vezes são cruéis, descarnando uma à outra de seus segredos… Outras, podem ser doces cúmplices de inimagináveis mistérios…
Maria e sua escrita formam uma belí­ssima mulher! E seu blog é um presente para quem a visita.
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Uma nova descoberta é Marpessa, do Casa dos Espelhos. Ainda estou descobrindo seus textos e já estou perdidamente enamorada por eles. No blog, trechos de Julio Cortázar, Hilda Hilst, Henry Miller, Paulo Mendes Campos se entrelaçam com seus próprios escritos.
Acho que poucos o descobriram, pois vi raros comentários.
Mas enquanto lia seus escritos (ou seus transcritos) já sabia que estava atrapada pela página. É quase como entrar numa sala de cinema, escura e vazia de outros espectadores, para ver pequenas peças de arte pura.
Dá vontade de aplaudir em silêncio…
Infelizmente tenho pouco tempo disponí­vel diante do micro e não posso demorar o quanto eu gostaria para visitar todos os blogs que eu gosto com a constância que eles merecem, e ainda descobrir novos.
Minha conexão ainda é jurássica, por linha telefônica que sequer é só minha. Assim, muitos outros blogs que eu gostaria de comentar aqui vão ficar para um outro post.
Perdoem-me…
Convido-os a visitarem estes, por enquanto!

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Extra Large…

Eu andava lutando com a balança como um bicho!
Manso.
Não é muito fácil ganhar essa luta na vida que venho levando. As comidas, as bebidas, o amor completo, a maturidade do corpo e do espí­rito, a paz instalada na alma, engordam!
O frio por nove meses do ano e as roupas belí­ssimas de inverno, outono e primavera madrilenhos escondem as dobrinhas como amigas condescendentes.
Mas aí­, chega o verão… e cadê o biquí­ni que não cobre mais nada?
Cadê as bermudas de algodão que, inimigas mortais de uma cintura mais redonda e quadris mais largos, mostram com sarcasmo que seu corpo não mais as merecem?
As blusinhas diáfanas e sem mangas saem do guarda roupa para o corpo por mais ou menos dois minutos e se acumulam sobre a cama, incômodas, ridí­culas e imprestáveis!
As únicas amigas de verdade são as camisetas e os jeans! Esses nunca me abandonarão! Mas como ir à praia assim?
Não se deprima! Digo a mim mesma rapidamente. Vá às compras! Todas as mulheres do mundo saem às compras no verão, ou não?
Sim. Todas.
Mas aí­ eu descobri que agora eu não sou mais M – de Mulher Maravilhosa – ou G de Grande e Gostosa, para as roupas que devem ser mais folgadas e soltas. Eu agora eu sou EX de Extra (enorme) Mulher.
Que humilhação! Foi meu primeiro pensamento.
Mas peraí­! Não se deprima. Compre só umas coisinhas e assim que começar o inverno as dobrinhas vão ver com quantos paus se faz uma canoa. Isto é, como se costura a boca! Disse-me mais rapidamente ainda. Animador. Às compras!
Até que descobri o pior. O significado implí­cito no tal EX.
Leia-se EX MULHER!
Mulheres Extra Grandes não têm direito às roupas modernas e femininas. Elas tem que vestir umas batas sem forma alguma, com cores asquerosas, flores imensas ou bolinhas minúsculas!
E as bermudas? Um nojo!
Os modelitos são desenhados para “senhouras” de quinta idade, do iní­cio do século passado.
Pois é…
Aqui para nós, as mulheres maduras da nossa época são muderrrnas, têm um gosto jovial, querem sentir-se femininas e sexy! Incluindo as gordinhas!
O que faz a indústria da moda pensar que as Extra não podem estar bonitas e bem vestidas?!
Vou contar sobre as compras…
As lojas de departamento, as redes conhecidas de roupas com preços mais acessí­veis ao bolso da população classe média, vendiam coisas lindas e maravilhosas!
Dava água na boca ver! Dava vontade de comprar e vestir na hora!
Mas, quando eu escolhi algumas delas e procurei meu tamanho, capoft!
Deu vontade de chorar, de morrer, de me internar num SPA, de fazer uma cirurgia de estômago!
A maior peça G vestia minha filha, que tem 20 anos e pesa 54 quilinhos bem distribuí­dos. Em to-da a lo-ja não havia absolutamente nada (que eu gostasse) que desse em mim.
Nem na loja ao lado. Nem em todo o centro comercial!
Só jovens magras tem o direito de comprar coisas bonitas e de bom preço?
Não, assim eu estaria mentindo. Existem umas duas ou três lojas especialmente para as mais maduras. Coisas hor-ro-ro-sas!
Nem minha avó se vestia assim!
A mãe do Lorde tinha costureira particular que ia em casa e fazia seus elegantes conjuntos, que ela estreava com orgulho nas missas de domingo e nos chás com as amigas. Não era gorda, mas era grande, alta e de fartos seios.
Aí­… tchan- rãaannn… uma das “vendedouras” bem intencionada (?), provavelmente filha de alguma inimiga que eu nem sabia que tinha, me indicou uma loja para Tamanhos Grandes. Leia-se GORDAS.
Como assim?
Assim. As medidas vão de EX a EXXXXX…
Isso. Exxxxxxx-mulher! E rica!
São roupas realmente “maiores” ou absurdamente enooormes.
Algumas belí­ssimas, elegantí­ssimas e TODAS carí­ssimas!
E a moda praia? Aquelas calçolas não se pode chamar de biquinis. Juro!
Comecei a rir meio histérica, com lágrimas nos olhos e vontade de não comer NUNCA MAIS!
Depois de mais de três horas de tortura, voltei para casa com ódio de mim, do meu corpo e da minha idade!
– Peraí­! Quando eu tinha 20 anos e 54 quilos bem distribuí­dos, vestia 38. P – de pedaço de mal caminho!E minha filha aqui já veste, com o mesmo peso, M ou G dependendo da marca. Algumas blusas minhas, de alguns poucos anos atrás, ela já veste e com bom caimento.
Eu heim!
Acho que a indústria da moda está pregando uma boa peça nas mulheres. Diminuem o tamanho das roupas, tascam o mesmo número de manequim, e cobram muito mais caro! I
sso mesmo! Elas gastam menos e cobram mais. Sem falar que “de quebra” nos vendem uma imagem de “fora do padrão”.
Assim o mercado de diet, light, SPA, lipoaspiração, mesoterapia, cirurgia plástica, medicamentos e fórmulas mágicas para emagrecer enriquece às custas da nossa auto estima!
As tabelas de peso-altura-idade diminuí­ram seus escores. As indústrias medico-farmacêutica-estética dizem que quem estiver acima delas morre antes, é infeliz, é feio, é pouco desejável. É um doente!
Estive num check up dia destes. Nunca estive tão saudável. E, fazendo um balanço da vida, nunca estive tão feliz, tão amada e desejada e tão arredondadamente madura, calma e em harmonia com universo.
É verdade que adquiri uns quilinhos extras desde que vim morar na Espanha. Bem amada, bem alimentada e nenhum stress por ter que dormir tarde e acordar cedo, tomar um café correndo, enfrentar um trânsito insuportável, reuniões improdutivas, trabalhar e trabalhar, estudar, estudar e estudar, correr para almoçar contando as calorias, correr para pagar as contas, correr para ir ao supermercado…correr para chegar à tempo na Universidade e dar aulas de três horas e meia seguidas a um bando de alunos de pós-graduação, cansados de correr nas suas cotidianas maratonas…
Aqui tenho mais tempo para ler, escutar música, aprender a cozinhar, visitar museus e cidades lindas. Tenho tempo de pensar no que fui e no que quero ser daqui por diante.
Não sabia que podia ser tão bom viver sem stress. O tempo que a burocracia leva para validar meus papéis de gente neste paí­s me obriga a exercitar a paciência, a tolerância… e principalmente, a encontrar prazer nas pequenas aprendizagens desta nova vida. O trabalho já virá…
Se eu escolhesse o desespero, poderia estar arrancando os cabelos por estar levando essa vida “improdutiva” e “inútil.” Mas eu escolhi ser feliz. E isso faz uma enorme diferença em meu estado de espí­rito.
Não que eu não fosse feliz antes. O trabalho e a correria eram a única forma de felicidade que eu conhecia. Então eu era…
Hum.. mais ou menos.
Na verdade, sofria de uma presença constante de uma falta… como se não soubesse de mim o mais importante. Tinha um lado meio triste que de vez em quando se instalava. Uma sensação de solidão incurável, uma melancolia. Antes isso me angustiava. Agora não. Quando o momento triste vem, deixo que se instale, diga a que veio e se vá. Manso. Assim. E solidão eu não sinto mais, apesar das saudades.
E estão querendo me estressar com uns mí­seros quilinhos a mais!
Nipes nada!
Acabei indo ao mercadillo, que eu nem sabia que existia. Leia-se uma feira. Só que não vende comida. São dezenas de barracas de roupas e sapatos, objetos de decoração, tem de um tudo. Ali encontrei roupas para o meu verão de gordinha. Comprei três bermudas e três blusas de algodão, uma saia e outras cositas mais.
Tudo EX, é claro! Mas lindinhas, modernas, joviais. E por um terço do preço das lojas para as grandes e ricas mulheres!
Parece que pobres podem ser gordas ou arredondadas, mas felizes e bem vestidas. As ricas também!
Por sinal, vi um bocado de madame pela feira. De óculos escuros e lenço, disfarçadas de pobres. Os carros parados no estacionamento são chiquérrimos, o que entrega de bandeja que as dondocas ocludas de pobres não têm nada. São só mais espertas que as outras.
Pois vejam o que saiu na publicação semanal do El Mundo.
Ho ho ho…
Deus é bom pra mim!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

*Reportagem capa do Magazine El Mundo
A gorda está melhor de saúde, mas quanto à auto estima…quem sabe?

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