Extra-Large Outra Vez…

A notí­cia é pequenina, como querem que seja.
Pequena no tamanho, como tudo na onda da moda. Grande no significado. E diz assim:
O modista Karl Lagerfeld assinou um contrato para desenhar uma coleção para a famosa loja sueca H&M. Mas mostrou-se descontente e não pretende renovar o contrato porque a empresa, além de fabricar poucas peças, ainda teve o desplante de fazê-las em tamanhos demasiado grandes.

Peraí­… O sujeitinho só quer que sua marca vista as mulheres que ele considera “mulheres elegantes”. Isto é, magras. Mas muuuuito magras. As grandes não lhe interessam. Tamanho G é 40.
E as extra-large então?
Estas que se danem, morram… Mas, se sobreviverem, que não se atrevam a mostrar-se. E muito menos com as peças assinadas pelo loiro vampiro aí­ da foto.
As redondinhas de seios e quadris, sejam jovens ou maduras, que andem nuas pelas ruas da amargura, nos becos escuros das noites sem lua. E sozinhas, de preferência, para não gastarem o pequeno arsenal de pares felizes do planeta. Na hora do amor, que apaguem a abajur, por favor! O mundo da luz e das cores é das sí­lfides.
Pois sim… um dia destes escrevi minha odisséia pelas lojas da cidade em busca do que vestir. O post ainda está aí­ embaixo…
Engraçadinho no contar, mas muito sério no viver.
As mulheres não deveriam mais ficar caladas com a pressão social para “um-padrão-de-mulher” comercial e discriminatório. As propagandas da televisão despejam na minha sala milhares de produtos de beleza: anti-rugas, anti-celulite, anti-peitos grandes, anti-peitos pequenos, anti-velhice, anti-mulher-de-verdade.
Todas as modelos tem menos de 30! Assim é fácil mostrar a cara lisinha.
Quase sem perceber miro o espelho e procuro as marcas da minha decrepitude. Se nunca usei nada deveria estar como o Retrato de Dorian Gray. (Digo o retrato, não o personagem de Oscar Wilde.) Não encontro nada de decrépito. Meu rosto mostra as marcas da minha vida e da minha idade. Mantenho a aura que me cerca e que, creio, fez-me e ainda me faz ser uma bela pessoa.
Mas a televisão insiste e grita MAIS ALTO que qualquer programa normal que agora – vejam só! – as clí­nicas de cirurgia estética oferecem planos de pagamento parcelado para eliminar todo, mas todo mesmo, tipo de complexo. Rugas, celulites, peito grande, peito pequeno, bunda caí­da, narizes, orelhas, lábios…tudo!
“Queira operar sua idade, perca 10, 15, 30 anos! Mesmo que passe não sei mais quantos pagando pelo resultado que nunca é o que promete! Se escapar viva, pois senão pagarão a dí­vida seus descendentes. E aí­ sim, promessa cumprida! Vai ficar pele, osso e sem nariz, mas feliz, feliz!”Querem que eu queira ser a Barbie, que já tem 40 com cara de 15, corpo de 12 e cabeça de borracha oca.
Pois não… recuso-me.
E clamo que as mulheres também se recusem a serem enterradas vivas pela montanha de propaganda, cuja intenção é que queiramos nos transformar em bonecas de plástico.
A última que fiquei conhecendo foi da retirada de duas costelas para afinar a silhueta de uma apresentadora de televisão, que veste 36 ou 38, no máximo, e mede mais que 1,70.
O que é isso?
Quem está dando essas ordens para as ovelhinhas do rebanho?
Os vampiros da moda e as mulheres. As próprias ví­timas.
Ninguém me tira da cabeça que são as próprias mulheres.
Sim, porque são elas que buscam defeitos nas amigas e inimigas de modo a “turvarem” os olhos de seus parceiros.
Que ledo engano! Que tolinhas!
Os homens – e chamo homens os normais e não os “metrosexuais”- gostam de uma mulher pelo todo, pelo que ela emana de feminilidade e sex appeal.
Ele nem nota se aquela loira de sorriso espetacular tem os joelhos pontiagudos. E se notar, foi porque outra mulher lhe disse.
E, quer saber? Ele nem se importa. Joelhos? Para que servem?
Como também não nota se a morena que cheira gostoso e anda como se flutuasse, tem TODAS as costelas ou lhe faltam duas! Se duvidar ele até doa outra sua…se ela quiser “ir buscar lá em casa!”
Homem gosta do todo e dizem isso mil vezes!
Mas a mulher não acredita. E sabem porque? Porque outra mulher lhe diz para não acreditar.
Quer ver uma queixa feminina de praxe?
Ela pinta o cabelo, dá reflexos dourados, uma aparadinha aqui outra ali, pinta os lábios com o novo batom da Lancôme de 150 reais… e ele não nota nadinha!
Mas ele gosta de qualquer tamanho e tom de cabelo ou batom se a vê dentro de um bonito vestido de generoso decote. Saia com lasquinha aberta do lado então!? Dá palpitações no peito e brilho novo no olhar.
Não falha. É tiro e queda!
Mas não… Generosos decotes de bonitos vestidos custam uma pasta! Nem todas podem comprar. E as redondinhas menos. Os tamanhos das roupas bonitas e sensuais dos grandes magazines não chegam ao 44! Juro!
Que o diga o modista da notí­cia.
Aposto que por alguns milhares de dólares o peste-vampiro desenha um vestidinho básico, com belo decote e lasquinha na saia para Liz Taylor.
Mas na H&M? A preço popular para uma senhoura de 73 anos, fartos seios e de nome Lola Sanchez? Nem morto!
E nós, as belas e arredondadas mulheres, não importa de que idade, mas de carteiras magras e nomes comuns, que comamos o pão que o diabo amassou na hora de buscar o que vestir.
Aliás… comer pão? Não!
Foto do Jornal El Mundo

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Categorias: Corpo&Alma de Mulher | Tags: , , | Deixe um comentário

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