Amantes e Amados…

Ontem assisti uma entrevista com Antonio Gala, um famoso escritor espanhol.
A pergunta que lhe fizeram era sobre o efeito do amor em sua larga vida e porque ele sempre chamava seu par de “amante”.
Ele respondeu que era sempre o amado. Que existiam dois tipos de pessoas. Uns que são amantes e outros que são amados.
O amante doa, se entrega, mima, inunda.
O amado recebe, se deixa tomar e mimar, deixa-se inundar.
Ele defende que ambos amam. Ambos estão inteiros na relação. Nenhum dos dois amores é maior que o outro. Nenhum dos dois enamorados é dono de mais amor. Gala diz que é apenas a forma de amar que faz a diferença.
Hum? É?
Pensei então que dois amantes ou dois amados não poderiam permanecer muito tempo juntos. Correriam o risco de viverem exaustos.
Os amantes sofreriam por excesso. Os amados pela falta constante.
Refleti sobre a questão enquanto fazia um café, e como a Shirley Valentine do filme, fiz perguntas às paredes, mas desta vez eu queria respostas mais reais que as que eu mesmo crio para elas.
Com o blog descobri que do outro lado da tela do computador há um mundo à escuta. E que maravilha! – um mundo que responde.
Achei que o tema era bom para compartilhar, para provocar a reflexão nas pessoas.
Pois sim…
Decidi começar e reponder já escrevendo minha opinião.
Aí vai.
Sou muito amante. É minha natureza.
Creio, porém, que ninguém pode viver um amor feliz se for apenas amante ou amado.
Os enamorados mais felizes são, dentro do mesmo ser, amantes e amados.
Uma destas partes pode ser a dominante, o que não quer dizer que a outra não exista e exija sua parte.
Foi preciso um tempo para que eu aprendesse a deixar minha parte que quer ser amada fluir, florescer, brotar. Aos poucos fui aprendendo a revesar os papéis, deixar-me cuidar e mimar, deixar-me ser levada. É tão bom!
Agora eu penso que sou melhor amante do que quando era mais jovem, porque aprendi a deixar-me ser amada.
Se eu pudesse interferir na entrevista de ontem diria que ser só amante cansa e ser só amado enjoa.
Talvez por isso tantos casais vivem, depois do tempo da paixão, num terreno vazio…

Foto: Quint Buchholz, “On the Way Book”

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Categorias: Coisas de Amor, Corpo&Alma de Mulher | Tags: | Deixe um comentário

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