Aviso…( de Jenny Joseph)

Estou me sentindo tão bem nesta casa nova que fico passeando daqui pra lá, de lá pra cá… pensando que sou mesmo uma mulher de sorte.
O pessoal da Verbeat é nota dez. Obrigada pela acolhida!
Também estou tendo mais tempo para voltar a visitar com mais constância os blogs amigos. Em breve vou escrever sobre alguns deles.
Hoje quero apenas fazer referência ao Et Alors, da amiga Alma. Um blog que visito há mais de ano e sempre encontro textos interessantes, sensíveis e fortes.
Este que vou reproduzir aqui – é a primeira vez que trago um texto de outro blog para o meu – particularmente me encantou. Trouxe-me lembranças da Princesa, minha mãe.
Trouxe-me sentimentos doces em relação às pequenas liberdades adquiridas com a velhice…

AVISO
Jenny Joseph
Quando envelhecer vou usar púrpura
com chapéu vermelho,
que não combina
nem fica bem em mim.
Vou gastar a pensão em uísque
e luvas de verão
e sandálias de cetim –
e dizer que não temos
dinheiro para a manteiga.
Vou sentar na calçada
quando me cansar e
devorar as ofertas
do supermercado,
tocar as campainhas
e passar a bengala nas grades das praças
e compensar toda a sobriedade da minha juventude.
Vou andar na chuva de chinelos,
apanhar flores no jardim dos outros
e aprender a cuspir.
A gente pode usar camisas horríveis e engordar,
comer um quilo de salsichas de uma vez
ou só pão com picles a semana inteira
e juntar canetas e lápis e bolachas de cerveja
e coisas em caixinhas.
Mas agora temos que usar roupas que nos deixem secos,
pagar aluguel, não dizer palavrão na rua
e ser bom exemplo para as crianças.
Temos de ler o jornal e convidar amigos para jantar.
Mas quem sabe eu devia treinar um pouco agora?
Assim os outros não vão ficar chocados demais
quando de repente eu for velha e usar vestido púrpura.

In Quando envelhecer vou usar púrpura, organizado por Sandra Haldeman Martz, tradução de Lya Luft, Ed. Marco Zero, São Paulo, 1997, p.13.

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Categorias: Outro Fala Por Mim, Poesia & BelosTextos | Tags: , | 16 Comentários

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16 opiniões sobre “Aviso…( de Jenny Joseph)

  1. Oie Norinha…
    Que linda sua nova casa…Amo a cor azul e todos seus tons…Eu tbm me senti tão bem aqui, aliás sempre sinto-me bem em suas “casas” 🙂 Vc tem esse dom amiga 🙂
    Passarei sempre e trocarei seu link lá no meu cantinho…
    Um bjo e uma brisa da manhã pra ti amiga

  2. Fico feliz que estejas bem por aqui, Nora. Um beijo.

  3. Que coisa maravilhosa esse texto, Nora!
    Com razão foi o primeiro de outro blog a ser postado por aqui…
    Estou alegre em saber que você se sente feliz na “nova casa”. Isso é muito bom.
    Um carinhoso beijo, querida.

  4. É bom quando quem nos recebe se sente bem; mas mesmo quando você não está bem, os amigos vêm visitá-la e oferecem o ombro amigo.

  5. Ô, vizinha, então foi você quem ocupou o chalé de varanda azul? Alvissareiras novas! Agora serei habitué daqui também, con mucho gusto. Quanto ao Diário Macondo, procure. Satisfação garantida ou seu dinheiro bem guardado numa conta lá da Suíça.

  6. Na verdade, o pessoal da Verbeat é doze. Doze anos, pra ser mais preciso.
    Avisa essa borboleta que da próxima vez que ela entrar na frente do texto que eu estiver lendo, eu ataco de SBP.
    E a oferta do vidro de azeitonas continua valendo – só não ofereço uns cookies porque pelo visto o servidor anda comendo todos.

  7. os humildes síndicos agradecem a referência 😀
    agora dá licença que eu tenho que trocar a lâmpada do corredor.

  8. Quando crescer… adorei. A casa também. Estou em dívida com os emails mas mando ainda essa semana… é que lulu foi operada às presas e daí foi agonia geral aqui. Beijos e parabéns pela nova casa
    Odila

  9. Ótima escolha de imagem.

  10. Nora! Caríssima! Que texto tão bonito você escolheu!
    Não sei se foi a música, se foi a especial circunstância em que vivo, se foi a culpa de sua nova casa azul…mas, me emocionei, às lágrimas…
    Obrigada, Nora, por este presente.
    Beijo. Dora

  11. Muito bom este texto, querida! Parabéns pela escolha e parabéns à autora.
    bjs
    Nel

  12. Foi realmente uma ótima escolha, Nora. Lya Luft é aquela que escreveu “Perdas e Ganhos”?

  13. A velhice…o que farei até lá e como estarei quando lá chegar? Fora isso, não tenho nenhuma dúvida.

  14. Este texto traduzido pela Lya é maravilhoso Nora. Uma questão que já me faz pensar muito. Como irei comportar-me quando envelhecer? Depois, consolo-me. Minha mãe faleceu com 82 anos, e manteve a mente sempre jovem.
    Beijos

  15. Pois é, Nora,
    E eu, se ainda não iniciei o aprendizado, já não é sem tempo.
    Estou louco pra chocar os mais jovens!
    Beijos
    fernando cals

  16. Joao M Nesso

    Nora,
    Novamente eu por aqui…rs
    Todos nós um dia iremos envelhecer, isto é, nossa carne, porque o dia que nossa alma envelhecer perderemos a razão pela vida, o amor e o carisma de uns para com os outros.
    A vida faz com que estejamos em constante aprendizado, ou melhor, a vida é uma escola que por mais que alguém possa achar que sabe tudo, não sabe,estamos aprendendo dia após dia, e, o dia em que aprendermos tudo estaremos prontos para partir para outra vida.
    No entanto, somos eternamente responsáveis por aquilo que cativamos, seja ser humano, ser animal…enfim…cada que busque sua responsabilidade, pois essa produz fonte de sabedoria jorrando sobre a alma vivente.
    Abraços.
    Joao Marcos Nesso

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