Arquivo do dia: abril 22, 2005

Mais um Caderno…

Este é o quarto endereço do blog. Antes chamava-se Como Shirley Valentine e morava na Globo . Expulso, foi viver no Mblog rebatizado como Língua de Mariposa. Ali tentaram pedir resgate pelo seu seqüestro. Não paguei. Mataram-no.
Reconstruído no Blogspot perdi muitos de meus amigos leitores, justamente por ter repetido os posts passados, numa tentativa de recuperar os arquivos perdidos pelo trajeto.
Eu não sabia por que tinha essa preocupação pois, pelo que sei, a maioria dos novos visitantes não vai aos arquivos. E os antigos já os leram.
E então descobri que fiz isso para mim mesma.
Pois sim… Este blog existe tanto ou mais para mim quanto para o público que o visita.

Desde os 13 anos eu escrevia coisas, copiava poemas e letras de música, colava imagens recortadas das revistas, cartas recebidas ou cópias de enviadas, tudo isso e mais algumas coisas, em grandes cadernos de capa dura. Eram lindos e eu adorava construí-los.
Não os mostrava a quase ninguém. Só muito poucos tinham acesso a eles.
Infelizmente, não tenho comigo nenhum. De vez em quando o Capibaribe vinha e lia tudo…só devolvia o bagaço.
O rio não vinha apenas ler a biblioteca do Lorde… brincava também com meus quebra-cabeças, lambia os bichinhos de pelúcia com sua língua pegajosa, tocava com seus dedos de lama minhas flautas e devorava todas as letras e imagens de meus cadernos.
Ele tinha tempo. Demorava-se em nossa casa mais do que em qualquer outra.
E depois, quando deixava-nos entrar, eu ficava com a sensação de ter sido mais que roubada. Sentia como se tivesse sido violentada dentro de meu próprio abrigo.
Não me lembro quando deixei de construí-los e passei a fazer apenas pequenas anotações nas agendas de trabalho e estudo. Como eram peças descartáveis, trocadas a cada ano, perdia os meus registros pelos recantos das estantes do meu quarto. Depois de uns tempos, a cada arrumação e limpeza, as pequenas livretas desapareciam.
Desde que comecei este blog, em 2003, é como se – de novo – eu estivesse escrevendo em um dos meus antigos cadernos. Desta vez já não há um rio ameaçador e aprendi a guardar num disco todos os meus arquivos.
Desta vez também há uma grande diferença. O blog é aberto ao público. Qualquer público.
Há quem goste e fique por aqui, vindo sempre, lendo e relendo tudo, deixando comentários ou mandando e-mails. Há quem venha e não volte nunca mais, os que vem mas não deixam marcas de sua passagem, outros que vem de vez em quando. Isso transformou o meu “caderno” em um precioso tesouro e sinto muitíssimo ter perdido as centenas de comentários pelos caminhos que a página já trilhou.
Sonja, essa amiga linda que vem acompanhando todo o caminho do Língua, adora ler a história do rio que gostava de ler e sempre me pede que a repita a cada casa nova que habito.
Mas desta vez vou sugerir a quem queira que pulse no link A Casa e o Rio e vá aos arquivos. Está super simples de acessar, não demora nadinha, pois tenho poucos posts a cada mês.
Consegui republicar as fotos e formatar os textos de forma que estão todos muito acessíveis e fáceis de ler. Inclusive, estou criando categorias de forma que possam ser acessados por assunto. A pena é que não aparecem todos os posts de uma vez. Vou ver como resolvo o assunto.
Não tenho a pretensão de que todos os que aqui vem leiam os arquivos. Até porque a quantidade de blogs bons que existe por aí é enorme e as pessoas nem sempre tem tempo para dedicar mais que alguns minutos a cada página que visitam. Muitas vezes apenas lêem o post mais recente.
Só estou aproveitando o pedido de Sonja para sinalizar o caminho…
Vou aproveitar também para indicar o caminho do Cicatrizes da Mirada. Um blog que tenta mostrar um pouco de minha experiência com a arte e cultura espanhola e que está meio perdido neste mar de blogs que invadiu o cotidiano das pessoas.
Eu gosto muito dele e me dá um trabalho enorme construí-lo.
Por algum tempo a página parecia estar com problemas para abrir, e então muitos de seus leitores desapareceram. Mas agora está rápida outra vez. Graças a não sei qual artifício!
Às vezes eu penso em deixar de escrevê-la , mas o incentivo de alguns poucos amigos que continuam a segui-la por mais de dois anos não me permite desistir dela. Espero que em breve o Cicatrizes esteja também aqui, na Verbeat, por uma petição especialíssima do Milton Ribeiro, meu vizinho da casa-cinza-de-janelas-vermelhas.
Ps: O blog Cicatrizes da Mirada deixou de existir.

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