Mais um Caderno…

Este é o quarto endereço do blog. Antes chamava-se Como Shirley Valentine e morava na Globo . Expulso, foi viver no Mblog rebatizado como Língua de Mariposa. Ali tentaram pedir resgate pelo seu seqüestro. Não paguei. Mataram-no.
Reconstruído no Blogspot perdi muitos de meus amigos leitores, justamente por ter repetido os posts passados, numa tentativa de recuperar os arquivos perdidos pelo trajeto.
Eu não sabia por que tinha essa preocupação pois, pelo que sei, a maioria dos novos visitantes não vai aos arquivos. E os antigos já os leram.
E então descobri que fiz isso para mim mesma.
Pois sim… Este blog existe tanto ou mais para mim quanto para o público que o visita.

Desde os 13 anos eu escrevia coisas, copiava poemas e letras de música, colava imagens recortadas das revistas, cartas recebidas ou cópias de enviadas, tudo isso e mais algumas coisas, em grandes cadernos de capa dura. Eram lindos e eu adorava construí-los.
Não os mostrava a quase ninguém. Só muito poucos tinham acesso a eles.
Infelizmente, não tenho comigo nenhum. De vez em quando o Capibaribe vinha e lia tudo…só devolvia o bagaço.
O rio não vinha apenas ler a biblioteca do Lorde… brincava também com meus quebra-cabeças, lambia os bichinhos de pelúcia com sua língua pegajosa, tocava com seus dedos de lama minhas flautas e devorava todas as letras e imagens de meus cadernos.
Ele tinha tempo. Demorava-se em nossa casa mais do que em qualquer outra.
E depois, quando deixava-nos entrar, eu ficava com a sensação de ter sido mais que roubada. Sentia como se tivesse sido violentada dentro de meu próprio abrigo.
Não me lembro quando deixei de construí-los e passei a fazer apenas pequenas anotações nas agendas de trabalho e estudo. Como eram peças descartáveis, trocadas a cada ano, perdia os meus registros pelos recantos das estantes do meu quarto. Depois de uns tempos, a cada arrumação e limpeza, as pequenas livretas desapareciam.
Desde que comecei este blog, em 2003, é como se – de novo – eu estivesse escrevendo em um dos meus antigos cadernos. Desta vez já não há um rio ameaçador e aprendi a guardar num disco todos os meus arquivos.
Desta vez também há uma grande diferença. O blog é aberto ao público. Qualquer público.
Há quem goste e fique por aqui, vindo sempre, lendo e relendo tudo, deixando comentários ou mandando e-mails. Há quem venha e não volte nunca mais, os que vem mas não deixam marcas de sua passagem, outros que vem de vez em quando. Isso transformou o meu “caderno” em um precioso tesouro e sinto muitíssimo ter perdido as centenas de comentários pelos caminhos que a página já trilhou.
Sonja, essa amiga linda que vem acompanhando todo o caminho do Língua, adora ler a história do rio que gostava de ler e sempre me pede que a repita a cada casa nova que habito.
Mas desta vez vou sugerir a quem queira que pulse no link A Casa e o Rio e vá aos arquivos. Está super simples de acessar, não demora nadinha, pois tenho poucos posts a cada mês.
Consegui republicar as fotos e formatar os textos de forma que estão todos muito acessíveis e fáceis de ler. Inclusive, estou criando categorias de forma que possam ser acessados por assunto. A pena é que não aparecem todos os posts de uma vez. Vou ver como resolvo o assunto.
Não tenho a pretensão de que todos os que aqui vem leiam os arquivos. Até porque a quantidade de blogs bons que existe por aí é enorme e as pessoas nem sempre tem tempo para dedicar mais que alguns minutos a cada página que visitam. Muitas vezes apenas lêem o post mais recente.
Só estou aproveitando o pedido de Sonja para sinalizar o caminho…
Vou aproveitar também para indicar o caminho do Cicatrizes da Mirada. Um blog que tenta mostrar um pouco de minha experiência com a arte e cultura espanhola e que está meio perdido neste mar de blogs que invadiu o cotidiano das pessoas.
Eu gosto muito dele e me dá um trabalho enorme construí-lo.
Por algum tempo a página parecia estar com problemas para abrir, e então muitos de seus leitores desapareceram. Mas agora está rápida outra vez. Graças a não sei qual artifício!
Às vezes eu penso em deixar de escrevê-la , mas o incentivo de alguns poucos amigos que continuam a segui-la por mais de dois anos não me permite desistir dela. Espero que em breve o Cicatrizes esteja também aqui, na Verbeat, por uma petição especialíssima do Milton Ribeiro, meu vizinho da casa-cinza-de-janelas-vermelhas.
Ps: O blog Cicatrizes da Mirada deixou de existir.

Anúncios
Categorias: Memórias e Saudades, Mundo Virtual | Tags: | 17 Comentários

Navegação de Posts

17 opiniões sobre “Mais um Caderno…

  1. Nora, todas as pessoas que conheço da blogosfera que a conhecem elogiam os seus blogue e você.
    Há quase dois anos, leituras e releituras do que você escreve fazem parte do meu dia-a-dia.
    Os seus problemas com provedores só são superados por seus problemas com empresas aéreas, responsáveis inclusive por nosso não-encontro quando você veio ao Brasil e passou pelo Rio.
    É bom vê-la disposta a continuar a escrever, senão meu universo bloguístico empobreceria muito.
    Grato.

  2. Ah… eu fico maravilhado sempre que as pessoas falam, ainda mais dessa forma, do “colecionar-se”. É fantástico. É o que me inspira. E os blogs são uma revolução – cuja dimensão ainda é possível ter – exatamente disto.
    Eu, um vizinho, feliz por estares por aqui. Bj!
    🙂

  3. Nora,
    Que bom que vc colocou “A Casa…” tao facil de ser acessada. Foi num dia 29 de maio que a li, de um ano que nao me lembro mais, 2003? Eu sei o dia pq toda hora eu indicava alguem para ir no seu blog e procurar o 29/maio. Mas que me tocou muito pois eu chorei muito. Pq vc descreve as coisas com tanta poesia que fica impossivel nao ficar com os olhos marejados. Quanto ao seu outro blog ele simplesmente nao pode ser abandonado. Eh uma aula de cultura espanhola como vc nao acha em nenhum livro de viagens.
    Um grande beijo e tenha um otimo final de semana. Ja sei que aih ta um calorao…

  4. Gabriela

    Nora,
    Seus blogs sao duas delicias desse mundo virtual. Voce é delicada ao escrever e, da minha parte, é uma leitura prazeirosamente obrigatoria.
    Mesmo que eu nao comente todos os posts, estou sempre passando por aqui e pelo Cicatrizes, para aprender, refletir, viajar pela Espanha que voce nos apresenta e nas estorias que nos conta, com cheiros, cores e sons. Sou uma admiradora dos seus textos.
    um grande beijo

  5. Acabei de reler o teu tocante texto “Heranças…”.
    Uma maravilha!
    Beijinhos

  6. Nani

    Ahhhh eu também adoro A casa e o rio. Quando o li a primeira vez me impressionou muito e lembro que o reli algumas semanas depois…

    Me fez pensar o comentário lá no Nós no Chile. Muito obrigada pelas palavras, foram importantes.

    Não consigo acessar o Cicatrizes, e não é de hoje…
    abraço grande

  7. Ah, eu adoro todas as histórias do rio. Que levou meus presentes de 15 anos – todos! no dia seguinte à festa.
    Saudade dos cadernos de capadura. Também escrevi e não mostrava a quase ninguém.
    Saudade de vc.
    Beijo do seu Recife, sempre azul, mesmo no outono.
    PS-Dê uma olhada aqui:
    http://www.almadobeco.com.br
    tem lembranças do Recife que, acho, vc vai gostar.
    Beijoutro.

  8. Nora,
    Quem um dia passou por seus textos mesmo que demore, volta. E o Cicatrizes é dos mais belos que conheço.
    Beijo, amiga!

  9. É uma pena não ter conservado todos os seus textos, Nora – eu sempre achei interessante reler textos antigos, meus e dos outros, só pra acompanhar as mudanças.
    Mas a minha parte favorita com o “fenômeno” bloguístico, foi a de conhecer blogs e pessoas especiais. O tipo de coisa que uma mudança de provedor não apaga.

  10. Sou meio confusa, esquecida mas venho e smepre que venho leio, os novos e smepre alguns antigos. Sou sua fá de carteirinha em todos os teus lugares. Beijos de saudades
    Odila

  11. Eu que te conheço a pouco tempo e também a pouco caminhando nesse mundo blogueiro, só posso desejar que vc tenha vida longa no verbeat…beijus, Luma

  12. Ainda bem que você resolveu os problemas e encontrou uma casa bonita e sem enchentes… Quem conhece seus blogs não dispensa sua leitura. Você se tornou uma amiga distante e querida, pode acreditar. Já atualizei o endereço no link, e agora tenho as três Noras comigo. Beijo grande e muito carinho.

  13. oi,
    ótimo blog..
    Parábens !!

  14. Seu vizinho da casa cinza e das janelas vermelhas conheceu Manoel Carlos no Rio de Janeiro… Belo post, Nora. Daqueles em que mostrada uma pessoa inteira, com sua coerência interna. Vou relê-lo daqui há pouco. Vou fazer a petição, OK? (Estás parecida com a Doris lessing jovem naquela foto!!!) Beijo.

  15. Parar de escrever é uma amputação. O mundo todo fica mais pobre.

  16. Aragon

    Cara Nora
    Descobri teus escritos, meio sem querer, quando buscava algo que ainda não sei bem o que é… “Mais um caderno…”, de sexta-feira, 22 de abril de 2005…fez com que eu recordasse de como me descobri um amante das letras e da literatura, mais ou menos na mesma idade que tu, na nunca distante Porto Alegre (estou vivendo em Madri). Quero te agradecer, pois me acalmaste a alma … por alguns momentos…

  17. berna

    Nora adoro ler o que vc escreve,
    não pare nunca.
    Beijos Berna !

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s