Nem Todas Doem…

Talvez tenha sido o acordeonista de ontem, nas ruas de Alcalá de Henares…
Ou o desejo de crépe au marron-glacè. Quem sabe sonhei com Paris!
Ou com o Poço da Panela de outrora… Talvez tenha sido só pelo perfume do vento…
Ou pela profusão de cores pelo chão… Quem sabe foram as borboletas… ou dois filhotes de pássaros que caíram de alguma árvore dentro do meu jardim.
O certo é que depois da caminhada pelo campo, a ducha fresca e um café fumegante na caneca azul, me vi precisando dela. Piaf era presença obrigatória nos dias de beleza pura do meu passado, fosse no Poço da Panela ou em Paris.
Parece que ela continua necessária nas colinas que cercam Madrid.

Ps: Nem todas as cicatrizes recordam dores. A maioria das minhas são belas. E desde que vivo um amor inteiro, tenho cada vez mais orgulho delas.

La Vie en Rose
Letra de Edith Piaf
Música de Louiguy – 1945
Des yeux qui font baisser les miens
Un rire qui se perd sur sa bouche
Voilà le portrait sans retouches
De l’homme auquel j’appartiens
Quand il me prend dans ses bras
Il me parle tout bas
Je vois la vie en rose
Il me dit des mots d’amour
Des mots de tous les jours
Et ça m’fait quelque chose
Il est entré dans mon coeur
Une part de bonheur
Dont je connais la cause
C’est lui pour moi, moi pour lui, dans la vie
Il me l’a dit, l’a juré, pour la vie
Et dès que je l’aperçois
Alors je sens dans moi,
Mon coeur qui bat
Des nuits d’amour à plus finir
Un grand bonheur qui prend sa place
Les ennuis, les chagrins s’effacent
Heureux, heureux à en mourir
Quand il me prend dans ses bras
Il me parle tout bas
Je vois la vie en rose
Il me dit des mots d’amour
Des mots de tous les jours
Et ça m’fait quelque chose
Il est entré dans mon coeur
Une part de bonheur
Dont je connais la cause
C’est toi pour moi, moi pour toi, dans la vie
Tu me l’as dit, l’as juré, pour la vie
Et dès que je t’aperçois
Alors je sens dans moi
Mon coeur qui bat.

La Vie en Rose
(tradução)
Olhos que fazem baixar os meus
Um riso que se perde em sua boca
Aí está o retrato sem retoque
Do homem a quem eu pertenço
Quando ele me toma em seus braços
Ele me fala baixinho
Vejo a vida cor-de-rosa
Ele me diz palavras de amor
Palavras de todos os dias
E isso me toca
Entrou no meu coração
Um pouco de felicidade
Da qual eu conheço a causa
É ele para mim, eu para ele
Na vida, ele me disse
Jurou pela vida
E desde que eu o percebo
Então sinto em mim
Meu coração que bate
Noites de amor a não mais acabar
Uma grande felicidade que toma seu lugar
Os aborrecimentos e as tristezas se apagam
Feliz, feliz até morrer
Quando ele me toma em seus braços.

Anúncios
Categorias: Coisas de Amor, Música, Memórias e Saudades | Tags: , | 20 Comentários

Navegação de Posts

20 opiniões sobre “Nem Todas Doem…

  1. Kátia De Carli

    Querida Nora,
    Escrevi-lhe, mas ainda não postei, é feriado aqui. Amanhã já coloco nos Correios.
    Fico feliz com a sua felicidade… Anota aí mais duas afinidades: Piaf e Pessoa e você ainda se diz agnóstica (risos). Somos irmãs separadas somente nesta encarnação, pode crer.
    Um beijão fraterno

  2. Lembrança maravilhosa, Norinha! Adoro Piaf e toda sua dramaticidade. sabe que cheguei a ver Bibi Ferreira interprentando Piaf, nos palcos nos anos 80? Sublime!
    Beijos!!!!!!!!

  3. Menina, você está tão romantica, agora vou lhe confessar até onde vai minha ignorancia, vc acredita que nunca ouvi falar em Piaf? Pois sua amiga é leiga nesse assunto, estou aprendendo muito com as amiguinhas blogueiras

  4. Assim não vale… as fotos do Eric já tinham sido a dose de hoje da vontade de pegar um avião AGORA. Mais Paris, mais francês é sacanagem… ehhe 😉
    Sobre teu comentário lá no meu post… bá, eu fico impressionado com essas coisas. O escrever e ler vistos desse viés de relacionamento, de troca de significações. É fascinante.
    Beijos!

  5. Nora veja que coincidência. Ontem foi minha noite francesa. Ouvi Piaf, Jacques Brel, Aznavour, Gilbert Becaud, Ravel, Satie, Debussy e outros que tenho. A noite toda. Beijos

  6. Incrível, mas da França tenho mais vontade de conhecer o interior. Minha família descende de uma cidadezinha perto da fronteira com a Espanha (no País Basco). bjs

  7. É, cicatrizes nem sempre são de dor. Linda Piaf… tb lembrei de Bibi Ferreira ao pensar em Piaf.
    abraço grande

  8. Grande Paris!
    Grande Piaf!
    Grande canção! (velhinha, mas sempre nova)
    Grande Nora!
    Jinhos

  9. Nora.. que lindo!
    Imaginei um percurso pelo Sena, ouvindo um acordeon tocando as belas canções de Piaf!… Que saudade…
    Um beijo

  10. Nora, minha querida, nostalgia é coisa nossa muito querida. É sempre com encanto que leio, ouço e lembro coisas assim, tão longe de qualquer saudosismo, que remete só ao passado. Nostalgia é saudade que traz para o presente o que se viveu, e o que vale é sempre o presente. Quanto ao comentário, nossa, fiquei tão boba que me senti flutuando um pouquinho. 🙂 Beijo muito carinhoso.

  11. Ah, Nora, ando tão sumida daqui… Azar o meu, perco sua poesia e sensibilidade. Você não imagina como tenho vontade de conhecer a França. Ontem escutei Aznavour e Legrand, que eu amo de paixão. Belíssimo post! Beijos.

  12. Oi, Nora,
    arremato meu périplo bloguistico, aqui no Lingua de Mariposa.
    Fim, quase, de domingo, nada melhor!
    Beijos
    fernando cals

  13. Ah Nora…que delícia! Fiquei bem uns vinte minutos ouvindo.
    Obrigada.
    Beijo,

  14. Nefertari

    por certo todas as coisas contribuíram para teu desejo de ouvi-la!
    e como vale a pena!
    te beijo

  15. Provavelmente pela sebastiana influência lusa, mas também indígena de nossos catimbós, do banzo africano, pelos nossos mocambos, não sei ao certo, mas há um dicionário de pernambuquês, um pouco folclórico, do qual gosto muito, a refletir um pouco do modo como nos expressamos, mas nele não há uma palavra, do português castiço, que é mais pernambucana que de qualquer outro povo lusófono: evocação.
    Evoque sempre seus entes queridos, os quais você carrega e sempre carregará com você, não há nisto qualquer religiosidade, apenas a carga histórica, tão profundamente assumida por nós pernambucanos.

  16. Márcia

    saudade que é saudade, mesmo quando dói, afaga.
    beijo do Recife em tempo de quase-dilúvio. 😉

  17. Tenho um enorme problema com música popular. Gosto daquilo que a maioria não gostam e troço o nariz para o consenso. Preciso continuar. Não dou a mínima para La Vie en Rose. Diga-me, Nora, é grave?
    Beijão.

  18. Credo! Torço o nariz e “Preciso continuar?” Outro beijo.

  19. lucia

    Adoro Piaf!
    está mulher e corpo e coração!
    è…porque ainda é!
    Corpo Alma e coração tudo se anela em [Piaf]
    Obrigado Eu!
    Lulu.

  20. Cerles Camilo Ribeiro

    Arte é arte sempre. Não tem idade. Não tem país. La vie en rose é universal, sempre. Eternamente bela, como um quadro de Leonardo ou uma sinfonia de Vivaldi.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s