Viver … e Contar.

Não sei como agradecer os comentários deixados no post anterior. Acho que dizer obrigada é pouco.
Pensei que falar das Cicatrizes e como elas se produziram, além de gerar um bom assunto para conversar no blog, ajudaria algumas pessoas a identificarem sintomas seus, passados ou presentes.
Em vez de escrever sobre depressão usando um texto técnico, poético ou subjetivo, escolhi contar uma história. Esse é meu ponto forte.
Gostaria de saber fazer diferente e escrever como alguns blogueiros que eu visito e que admiro pela classe e estilo, mas não sei. Eu sei contar histórias.
Enquanto pensava em como expressar em palavras o que havia vivido, li alguns textos fortes sobre o mesmo assunto em outros blogs que me ajudaram muito. Excelentes posts, como o poema que li na Helô ou como o texto da Adelaide Amorim, que gentilmente concordou em que eu o utilizasse como ponto de apoio.
Cada um usa suas ferramentas. Eu usei as minhas.
Fácil não foi. Mas o difícil existe para ser superado.

Desvelar-me não constitui um problema para mim. Não mais.
Exige um tanto de coragem, é verdade. Mas esta eu herdei da Princesa, como disse num dos posts anteriores. E tenho meus filtros… nem tudo está escrito aqui.
Eu sei que a exposição pode, às vezes, trazer consequências desagradáveis. Entretanto, tive a sorte de que a esmagadora maioria dos que estiveram nesta página durante estes dois anos e pouco ( tanto os que deixaram seus comentários quanto os que calaram suas opiniões ) terem sido, no mínimo, educadas e maduras. Algumas delas já considero amigos, tal a atenção e afeto que expressam e que eu retribuo.
Também recebi inúmeros e-mails durante todo esse tempo. Alguns sentiram-se como se estivéssemos juntos, conversando no sofá da sala ou confortavelmente instalados na mesa da cozinha, tomando um café na caneca azul, esperando os biscoitos perfumados saírem do forno. E contaram-me também suas histórias.
Sobre o curto-cicuito, escreveram-me pedindo que continuasse o assunto, pois precisavam saber como sair de suas penumbras.
O mesmo aconteceu antes, com a minha história de amor em capítulos, que muitos acompanharam cheios de esperança renovada de que era possível sonhar e viver um amor de verdade, outros porque se divertiam, viam poesia ou simplesmente gostavam de minha forma de escrever.
Creio que o tema central do Língua de Mariposa é esse: cumplicidade de sentimentos. Sejam eles dolorosos, nostálgicos ou bem humorados.
Tento comparti-los com honestidade, transparência e boa vontade.
Escrever é meu vício.
“Viver Para Contar”, diz García Marquez.
“Confesso que Vivi”, disse Neruda
Não sou escritora, nem poeta… mas vivo.
E confesso que gosto de contar.
Com toda intensidade.

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Categorias: Cicatrizes da Alma, Curtinhas | Tags: , , | 14 Comentários

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14 opiniões sobre “Viver … e Contar.

  1. Realmente sabe contar histórias, e me comovem. Umb bj laura

  2. …também não sou escritor, nem poeta, mas vivo e gosto de escrever em prosa e olhar a luz de uma rosa…
    …gosto da tua música

  3. Acho que sabes fazer muito mais do que contar histórias.
    Jinhos

  4. Nora, você pra mim é uma escritora e de grande sensibilidade. O texto que pediu está no dia 05.maio.2005 – Aqui fora do contexto – Vai!
    “Um dia a velha pianista abriu a janela e viu uma menina sentada na varanda do vizinho.
    – Como vai, garotinha?
    Como já não enxergava muito bem, a velha pianista catou na gaveta da escrivaninha seus óculos de aro de metal e os ajeitou sobre o nariz.
    Não havia nenhuma menina na varanda. Apenas a escultura de um anjo, em cima de uma mesa.
    Mais do que depressa, a velha pianista devolveu os óculos para a gaveta e abriu um pequeno sorriso:
    – Que dia frio, hem, garotinha? Parece que esse ano o inverno vai ser bravo…”
    (A Menina da Varanda – Léo Cunha)
    Bom fim de semana! Beijus,

  5. Nora, o que seria dessa tal blogsfera se não existissem pessoas como você. gosto de ler o que você escreve minha amiga. São palavras que saem lá do fundo, mas do fundo mesmo, do coração.
    Um abraço.

  6. Querida Nora, hoje li “História de verão, quero saber se vc post o restante da História, pois estou ansiosa para le o final igual uma criança que quer terminar de lê seu gibi. Abraços

  7. Eu hoje finalmente consegui ler este e o post anterior, já havia vindo aqui outras vezes, mas as crianças sempre me interrompiam e eu saia sem terminar. Nora, você escreve lindamente e “com toda a intensidade” é a definição perfeita. Obrigada por repartir conosco tua sensibilidade.

  8. Cumplicidade. Palavra-chave essa. Seja de sentimentos, de vida, do que for, sem ela tudo fica ruim. bjs

  9. Nora,
    Não fosse minha amada Nana, talvez não tivesse chegado até aqui.
    Foi através dela que comecei a ler-te, a acompanhar teus escritos. E digo, escreves de forma bonita, sutil.
    Gosto. E por conta disso, voltarei.
    Fica em paz

  10. Nora,
    Eu vejo as pessoas se fechando em cascas impenetráveis. Não querendo dividir, não querendo dar, não querendo receber. Atrás do pc ou do outro lado da mesa, do outro lado da cama.
    Atrás do pc ou do outro lado da tela, eu busco pessoas. Suas histórias, suas experiências. A internet é um meio de comunicação fantástico! Por que não aproveitá-lo e conhecer pessoas com as quais eu jamais teria contato se não fosse o www? E saio em busca de pessoas que queiram contar, dividir. Encontro isso no língua de mariposa. Através do teu blog e dos comentários, descobri outras pessoas bacanas.
    É minha hora de agradecer!
    Beijo.

  11. Nora, abençoado seja este teu “vício” de escrever.
    E nós, ficamos viciados em acompanhar o que, tão bem, escreves.
    Admiro-te.
    Fico muito feliz em ver que a história contada no post anterior teve um bom desfecho e o simples fato de você tê-la dividido conosco possa estar ajudando outras pessoas.
    Beijo carinhoso dessa amiga que muito lhe estima.

  12. Nora,
    Vc sabe contar histórias, me parece muito corajosa e tem classe.
    Estou adorando vir aqui.
    beijão

  13. é que quando contamos com o coração minha linda, as pessoas se sentem tocadas e não nos ferem..
    continue a nos tocar a alma com tuas histórias..
    te beijo

  14. Belíssimo termo: “cumplicidade de sentimentos”, mas com um talento enorme de contar suas histórias com muita poesia. Para mim, você é uma escritora e poeta sim e das melhores. Obrigada pela referência. Beijos.

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