Arquivo do dia: junho 21, 2005

Enquanto Isso…No País do Não Faz de Conta…(Cap.12 )

Uma amiga querida do Brasil enviou-me essa mensagem bem humorada do L.F.Veríssimo.
Aproveitei para respondê-la aqui mesmo no blog. Assim vou ganhando tempo até escrever o resto da história das cicatrizes.
Conto de Fadas Para Mulheres do Século XXI
Era uma vez… numa terra muito distante… uma princesa linda, independente e cheia de auto-estima que se deparou com uma rã enquanto contemplava a natureza e pensava em como o maravilhoso lago do seu castelo estava de acordo com as conformidades ecológicas.
Então a rã pulou para o seu colo e disse:
– Linda princesa, eu já fui um príncipe muito bonito.
Uma bruxa má lançou-me um encanto e eu transformei-me nesta rã asquerosa.
Um beijo teu, no entanto, há de me transformar de novo num belo príncipe e poderemos casar e constituir lar feliz no teu lindo castelo.
A minha mãe poderia vir morar conosco e tu poderias preparar o meu jantar, lavarias as minhas roupas, criarias os nossos filhos e seríamos felizes para sempre…
Naquela noite, enquanto saboreava pernas de rã à sautée, acompanhadas de um cremoso molho acebolado e de um finíssimo vinho branco, a princesa sorria e pensava…
Nem morta!
Luis Fernando Veríssimo
……………………..
Meus amigos, vos direi!
Fracassei como princesa…
Esse negócio de ser cheia de auto-estima levou o maior couro de outra coisinha chamada depressão e quando voltou a si já não tinha os mesmos valores, as mesmas ilusões. Inclusive ser linda perdeu o significado importante e passou a ser um reles detalhe, muito irrelevante.
Esse outro negócio de ser independente também cansou de fazer tudo sozinha, pagar tudo sozinha, sofrer tudo sozinha e resolveu mudar de nome para interdependente, que é muito mais maneiro, tá?
E, para dizer a verdade, nunca beijei um sapo que se transformasse em príncipe. Era tudo de mentirinha…
Os danados eram sapos mesmo e continuaram asquerosamente sapos, por mais que eu fingisse não ver.
O que já veio com carinha de príncipe e me fez uma proposta parecida (só não incluiu a mãe no pacote porque ela nunca concordaria em dividir seu rebento) era um Batman Forever. Tinha complexo de morcego. Adorava as noites e nunca chegava cedo em casa. E quando não saía, dormia e dormia.
Era cheio de segredos (nunca se sabia onde ele estava) e amava seu bat-móvel, sua bat-moticleta, sua bat-caverna, sua bat-prancha-de-winsurf e todos os seus bat-objetos mais do que as pessoas.
Só havia uma pessoa a quem ele amava mais do que seus bat-tudo: a si mesmo.(Isso nem a mãe sabia!)
Os condes e duques eram chatos e pernósticos. Não se conformavam em não serem príncipes.
Tinha até um que era vampiro. Juro! Sugava a energia de quem estivesse por perto. Esse quase me matou!
E os marqueses achavam que era humilhante que todos não se curvassem à sua passagem…
Como assim???
Ainda bem que fracassei. Ser princesa era um saco!
Que o diga Caroline de Mônaco, a princesa mais linda e menos feliz do planeta!
Decidi então deixar essa doideira de querer ser princesa e virar o que sempre fui, mas insistia em não querer ser: uma mulher comum.
Aí… encontrei um homem comum (nem Robin Wood, nem Batman, nem Robert Redford, nem Richard Gere, mas com olhos-de-mar-azul e um sorriso de derreter qualquer joelho ) que vivia do outro lado do lago, sabia lavar, passar e cozinhar porque morava sozinho numa cabana emprestada…
Nem sapo, nem príncipe, nem complexos de nobreza falida, nem fetiches por bat-objetos, exceto pelos livros – que devo confessar – compartilho.
Encontrei um homem que gosta das pessoas. E de mim. Finalmente um!
Aí, desde que estamos juntos estamos felizes…
E nem dizemos o “para sempre” que é pra não dar azar! Ho ho ho…
(Vai que existem mesmo as bruxas, fantasiadas de Barbies, loucas por uma maldadezinha!)
Lavamos, passamos, cozinhamos e cuidamos dos filhos (que já moram em outras paragens) com leveza e bom humor, porque ninguém aqui precisa de escravo.

Brincamos de sermos sapos nas tardes quentes de primavera-verão no lago azul perto da cabana ou de príncipes nas noites de lua cheia, vinhos, boa música e bons papos aqui mesmo no jardim.
Por sinal, nenhum um de nós dois gosta de perninha de rã à sautée, mas as paellas que ele sabe fazer são fenomenais!
Do conto de fadas para mulheres do século XXI fiquei só com… “Em um país muito distante…”
Mas… distante do quê mesmo?
Ah, tá certo…qualquer dia desses a gente pega o avião e vai beijar os amigos brasileiros.

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