Enquanto Isso…No País do Não Faz de Conta…(Cap.12 )

Uma amiga querida do Brasil enviou-me essa mensagem bem humorada do L.F.Veríssimo.
Aproveitei para respondê-la aqui mesmo no blog. Assim vou ganhando tempo até escrever o resto da história das cicatrizes.
Conto de Fadas Para Mulheres do Século XXI
Era uma vez… numa terra muito distante… uma princesa linda, independente e cheia de auto-estima que se deparou com uma rã enquanto contemplava a natureza e pensava em como o maravilhoso lago do seu castelo estava de acordo com as conformidades ecológicas.
Então a rã pulou para o seu colo e disse:
– Linda princesa, eu já fui um príncipe muito bonito.
Uma bruxa má lançou-me um encanto e eu transformei-me nesta rã asquerosa.
Um beijo teu, no entanto, há de me transformar de novo num belo príncipe e poderemos casar e constituir lar feliz no teu lindo castelo.
A minha mãe poderia vir morar conosco e tu poderias preparar o meu jantar, lavarias as minhas roupas, criarias os nossos filhos e seríamos felizes para sempre…
Naquela noite, enquanto saboreava pernas de rã à sautée, acompanhadas de um cremoso molho acebolado e de um finíssimo vinho branco, a princesa sorria e pensava…
Nem morta!
Luis Fernando Veríssimo
……………………..
Meus amigos, vos direi!
Fracassei como princesa…
Esse negócio de ser cheia de auto-estima levou o maior couro de outra coisinha chamada depressão e quando voltou a si já não tinha os mesmos valores, as mesmas ilusões. Inclusive ser linda perdeu o significado importante e passou a ser um reles detalhe, muito irrelevante.
Esse outro negócio de ser independente também cansou de fazer tudo sozinha, pagar tudo sozinha, sofrer tudo sozinha e resolveu mudar de nome para interdependente, que é muito mais maneiro, tá?
E, para dizer a verdade, nunca beijei um sapo que se transformasse em príncipe. Era tudo de mentirinha…
Os danados eram sapos mesmo e continuaram asquerosamente sapos, por mais que eu fingisse não ver.
O que já veio com carinha de príncipe e me fez uma proposta parecida (só não incluiu a mãe no pacote porque ela nunca concordaria em dividir seu rebento) era um Batman Forever. Tinha complexo de morcego. Adorava as noites e nunca chegava cedo em casa. E quando não saía, dormia e dormia.
Era cheio de segredos (nunca se sabia onde ele estava) e amava seu bat-móvel, sua bat-moticleta, sua bat-caverna, sua bat-prancha-de-winsurf e todos os seus bat-objetos mais do que as pessoas.
Só havia uma pessoa a quem ele amava mais do que seus bat-tudo: a si mesmo.(Isso nem a mãe sabia!)
Os condes e duques eram chatos e pernósticos. Não se conformavam em não serem príncipes.
Tinha até um que era vampiro. Juro! Sugava a energia de quem estivesse por perto. Esse quase me matou!
E os marqueses achavam que era humilhante que todos não se curvassem à sua passagem…
Como assim???
Ainda bem que fracassei. Ser princesa era um saco!
Que o diga Caroline de Mônaco, a princesa mais linda e menos feliz do planeta!
Decidi então deixar essa doideira de querer ser princesa e virar o que sempre fui, mas insistia em não querer ser: uma mulher comum.
Aí… encontrei um homem comum (nem Robin Wood, nem Batman, nem Robert Redford, nem Richard Gere, mas com olhos-de-mar-azul e um sorriso de derreter qualquer joelho ) que vivia do outro lado do lago, sabia lavar, passar e cozinhar porque morava sozinho numa cabana emprestada…
Nem sapo, nem príncipe, nem complexos de nobreza falida, nem fetiches por bat-objetos, exceto pelos livros – que devo confessar – compartilho.
Encontrei um homem que gosta das pessoas. E de mim. Finalmente um!
Aí, desde que estamos juntos estamos felizes…
E nem dizemos o “para sempre” que é pra não dar azar! Ho ho ho…
(Vai que existem mesmo as bruxas, fantasiadas de Barbies, loucas por uma maldadezinha!)
Lavamos, passamos, cozinhamos e cuidamos dos filhos (que já moram em outras paragens) com leveza e bom humor, porque ninguém aqui precisa de escravo.

Brincamos de sermos sapos nas tardes quentes de primavera-verão no lago azul perto da cabana ou de príncipes nas noites de lua cheia, vinhos, boa música e bons papos aqui mesmo no jardim.
Por sinal, nenhum um de nós dois gosta de perninha de rã à sautée, mas as paellas que ele sabe fazer são fenomenais!
Do conto de fadas para mulheres do século XXI fiquei só com… “Em um país muito distante…”
Mas… distante do quê mesmo?
Ah, tá certo…qualquer dia desses a gente pega o avião e vai beijar os amigos brasileiros.

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Categorias: Coisas de Amor, Corpo&Alma de Mulher | Tags: , , | 25 Comentários

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25 opiniões sobre “Enquanto Isso…No País do Não Faz de Conta…(Cap.12 )

  1. Dei boas risadas com essa princesa,amiga.Mas,nem tão “loba” nem tão “ovelhinha”.E não é isso mesmo o tal segredo?!Interdependencia!!!
    Ser “capitão” cansaaaaaaaaaaaa…rsssssssssssssss
    Beijoca da Jú

  2. Ella

    Olá Nora 🙂 Que bom ouvir música em seu Blog! Obrigada pela Visita.
    Beijo carinhoso da Ella.

  3. Olá queirda Nora, ontem passei a noite toda lendo suas historias de verao, encantado e finalmente eu cheguei no dia 04.11.04, foi quando visitei seu blog pela primeira vez, não lembro como cheguei aqui, mas sei que tão cedo não sairei. fico encantada com sua vida. Deus ama muito você e tenha certeza que todo tempo ele estava guardando a sua vida. Um grande abraço

  4. Bela história. 🙂

  5. Oi Nora!
    Como tenho vindo sempre aqui, fiquei super feliz de ler esse ultimo post. Viva! Imaginava que as cicatrizes tinham ficado pra tras a muito tempo, você estava até falando delas, mas o momento atual é melhor do que imaginava. Viva você e seu amor e a vida que estão construiindo juntos!
    Depois eu volto
    Te mando um beijão

  6. Nora!
    O conto de fadas tem muito humor! E eu quero registrar aqui que as perninha de rã são uma delícia! Eu comia quando criança, pois um primo da minha mãe criava rã.
    Pensando em fracasso e coisas parecidas… Nunca tive esse sentimento: fracasso. Nem quero! Mas já morri com algumas porradas. Como diria Elisa Lucinda: “a gente tem que morrer tantas vezes durante a vida que eu já tô ficando craque em ressurreição”.
    Adoro esse poema dela. Chama-se: “no elevador do filho de Deus”. Uma idéia para meu próximo post partindo dele.
    Te deixo um beijo e vou lendo seus posts anteriores, enquanto aguardo o próximo.

  7. nora borges

    Simone este poema foi o que encontrei no blog Banana Etc. Da Helô. Também achei-o fenomenal!

  8. Bonita analogia!

  9. Isto me remete a um diálogo nosso de meses atrás. Mulheres maravilhosas, para cima e sozinhas contando mentiras e buscando relacionamentos… de mentira. Lembras? Caso sério. Adorei tua descrição do Batman. É perfeita.
    Beijão.

  10. Isso mesmo: uma mulher comum. Nada além.
    Um beijo desse Recife chuvoso, em noite de São João e com festa legal no Poço da Panela. 😉

  11. Que postagem difícil de comentar!
    Não assumo rótulo algum entre os descritos, mas quem diz que tenho auto-crítica suficiente para saber? 🙂

  12. Como sempre maravilhoso!!
    “Principes e princesas nunca vao existir,o que sempre existirá sao os amantes que se respeitao como seres humanos.”
    Beijos e um ótimo final de semana

  13. O Luis Fernando Veríssimo escreve maravilhosamente.
    Já o pai, Erico (espero não estar a dizer asneira) o fazia.
    Mas digo-te:
    A tua prosa não fica atrás da do Luis Fernando.
    Basta ler o que está escrito neste post e comparar!
    Jinhos

  14. É como eu sempre digo: é da simplicidade e do equilíbrio que a vida se faz bela. bjs

  15. Como sempre vc escreveu sobre vc com delicadeza e beleza. Menina, acho que este teu morcego andou pela minha vida tbm é mto parecido:)
    Seja feliz com teu companheiro, que seja eterno enquanto dure.

  16. Beleza de texto! É isso Nora, sapos, príncipes e princesas só em fábulas.
    Um abraço.

  17. Tais

    me li em ti. Mas eu fracassei no beijo do sapo, que não dei, fracassei em ser pricesa, em ser tudo.. acho que consdigo ser mãe e jornalista e tá maravilhosos para mim…
    te beijo

  18. Ola Nora..
    Visito varios blogs e dou uma lidinha em cada um para poder comentar com conhecimento de causa..
    Mas o teu eu li INTEIRO.. Nossa!! Vc deveria ser escritora.. Nao fica nada a dever a grandes escritores.. Alias tem escritor consagrado por aí que nao prende com as palavras como vc consegue.. Adorei seu espaço e sua história e já estão nos “favoritos”..
    E quem disse que voce não é a princesa de alguem?
    Um beijo..

  19. Não há ferro que resista a força e determinação de um bom ferreiro.
    Não há força que possa forjar o que já foi determinado pelas leis do destino.
    Entre estes dois caminhos, sigo com a espada que me guarda e que tenho em minha bainha.
    Viver é saber o momento certo de lutar. A decisão caí sempre na dúvida, vai valer a pena?
    Bjs

  20. nora borges

    Teste dos comentários!

  21. O enredo dos contos de fadas mudou mesmo, mas a essência não mudou. Continuamos incompletos. Companhia é parte essencial na construção da completude, mas há outras brechas por tapar, ainda. Acho que Tolstoi percebeu isso e por essa razão é que entre o casamento de Lievin e Kitty e o fim de “Ana Karnina” existem umas 80 páginas. Se fosse novela teria 80 páginas menos.

  22. Nora querida, sua história é mesmo exemplar e preciosa na descrição dos tipos. Exemplar também a trilha sonora, tudo a ver. É bom demais ter alguém who watches over you, não é? 😉 Beijo carioca.

  23. O simples e o comum são, muitas vezes, infinitamente melhores que os de sonhos e contos de fadas. Que vocês curtam muito um ao outro. Beijos, Nora.

  24. Nora, triste mesma é a história da minha esposa. Eu era um lindo príncipe, ela me deu um beijo e eu virei esse sapo aqui. Sapo, digo, saco.

  25. Nora, minha não-princesa! Sabe aquele lance de foto no blog? Agora é diferente. Não precisa nem do Hello (Aliás, se bem me lembro, fui eu quem lhe deu a dica do tal Hello.). Em suma, está muito melhor.
    Hoje já o inaugurei, ilustrando uma historinha nova.
    Beijo.

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