Arquivo do dia: agosto 19, 2005

Um Verão em Madrid…

Uma semana de turista…no verão madrileño!
Parece muito bom, mas… nem tanto.
Pois sim… receber visitas com vontade de conhecer Madrid nesta época é um tanto desgastante. Não para eles, claro. Estão loucos para ver tudo e isso significa não parar um instante. Não querem perder tempo!

Para quem vive aqui e já conhece muitos dos lugares emblemáticos da cidade, sair sob um sol a pino pela Plaza Mayor e adjacencias, sorrindo e parando para tirar fotos é quase como fazer uma penitência.
Assim, já aviso aos meus amigos, quando eles vêm visitar-me nesta época, que escolheremos lugares mais frescos para passear.
Aliás, o ideal é que não escolham o verão para conhecerem Madrid.
A primavera, seguida pelo outono, são as estações do ano mais propícias para aproveitar tudo o que a cidade e suas imediações oferecem em termos culturais e gastronômicos, sob um clima delicioso! Fresco, mas não frio. Ou cálido, mas não quente.
Naturalmente, durante o verão madrilenho há menos trânsito, mais lugares para estacionar e muito para se ver e fazer. Mas o calor é sufocante e o sol só abandona a cidade depois que se cansa… lá para muito depois das nove da noite.
Não é a toa que os habitantes da cidade fogem durante o mês de agosto em busca das praias, por mais cheias que estas estejam. E se não conseguem um lugarzinho ao sol diante de um mar refrescante, sobem as montanhas e se deleitam em pequenos “pueblos” de clima mais ameno. Na cidade ficam os que não podem sair de jeito nenhum… e os turistas.
Como sou uma eterna turista na Espanha, já conheço as malícias de cada estação. E para o verão já fiz minha cartilha.
Uma de suas regras é que nas horas de muito sol e calor visito um museu, uma catedral ou um palácio.Nas horas mais frescas, os monumentos ao ar livre, as praças, as ruas.


Outra dica é não comer demasiado. Jamais almoçar. Os bares e restaurantes espanhóis são especialistas em tapas. Deliciosos bocadinhos de tudo: frutos do mar, tortilhas de batatas, pinchos de carne ou peixe, saladas. Existem tapas para todos os gostos. São baratas, matam a fome e servem como pequenos descansos entre um lugar e outro. Acompanhadas de vino-verano, cervejas ou granizados, são leves e refrescantes.
Se a gente pára e almoça, depois dá uma preguiça, um sono, uma vontade de desaparecer embaixo da primeira árvore que ofereça meio metro de sombra.
Mais uma das minhas regras: se eu estiver perto de casa ou do hotel, procuro sair perto das seis da tarde. Dá tempo de ver tudo ( igrejas, museus, etc) nos horários em que ainda há muito sol, pois todos abrem até mais tarde durante o verão. E depois, quando saio às ruas, já há um sol mais amoroso e a luz do entardecer é fantástica para as fotos.
O passeio fica mais agradável… e o sol ainda presenteia a gente com seu lento ritual diário de esconder-se, rubro e cansado, por trás das colinas.
Os terraços já estão com suas mesinhas convidativas cheias de gente tomando suas copas, cafés ou chás gelados.
As coisas e pessoas ganham uma dimensão distinta durante o anoitecer. As sombras das altas casas de belas buardilhas tornam-se alongadas e deformes e enfeitam as ruas… O vento acorda de la siesta (que ele nem é bobo nem nada) e sopra levemente sobre saias leves e calças folgadas de algodão, típicas vestimentas do verão espanhol.
O cansaço é muito menor e o prazer muito maior.
Já faz tempo que desisti de ser uma turista que quer vê TUDO em dois dias. Ou fico mais dias… ou vejo muito menos, mas com muito mais sabor.


E por falar em prazer e sabor fui assistir uma Antologia de Zarzuelas, na Plaza de Toros de Madrid.
Adorei.
A Zarzuela é uma opereta típica espanhola. Eu nunca havia visto nenhuma e fiquei encantada com a qualidade de seus intérpretes, coros e balés. As castanholas e os sapateados são marca registrada da Espanha em todos os tempos. Pena que não estávamos em um teatro de verdade. A Plaza é grande demais para uma apresentação teatral desse porte.
Mas valeu como primeira experiência.
A música que está tocando agora no blog é de uma das Zarzuelas mais conhecidas. Chama-se La Verbena de la Paloma.
Se um dia vierem à Espanha, não percam um espetáculo assim.
E recordem de mim…Vale?

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