Arquivo do mês: outubro 2005

Passeio Andaluz…

As chuvas chegaram com gosto e vontade. A Espanha inteira está agradecendo.
Há muitos anos que não havia uma seca tão prolongada na Península Ibérica e, em algumas regiões, a população já estava sentindo os efeitos devastadores da falta de água, tanto no campo quanto nas cidades.
Apesar do desconforto das tempestades para o cidadão urbano, estão todos felizes com a chegada das frentes frias que vem do Atlântico. Os campos em volta de minha casa já estão verdejando outra vez, apesar das árvores que se desnudam preparando-se para o inverno..
A chuva de agora também anuncia que a temporada de cogumelos promete…

Pois sim…
Só que elas começaram a entrar na Espanha bem na semana que meus amigos brasileiros queriam visitar Granada, Sevilha, Córdoba, transformando as estradas em perigosas aventuras e as cidades em caos infernais de trânsito.
Decidimos não arriscar e mudamos os planos. Ficamos em Córdoba, Cádiz e Tarifa, onde o clima estava mais ameno e se podia passear mais tranquilamente. Sevilha estava sob um manto d´água e Granada também, além de já serem cidades conhecidas deles em viagens anteriores.
Como já escrevi antes sobre Córdoba (foto) nos posts do Cicatrizes da Mirada, acho que posso apenas reforçar o quanto me encanta passear pelo bairro da antiga Juderia e depois entrar na Catedral-Mesquita mais linda do mundo.
Mais pela Mesquita que pela Catedral, claro. E me explico:
Quando os católicos resolveram construir a Catedral bem no meio da antiga Mesquita árabe tinham a intenção de deslumbrar o Imperador Carlos V e se esmeraram em adornos de estilos variados.

Ainda bem que algumas almas cristãs sensibilizaram-se com a extrema beleza da Mesquita e não a destruíram completamente.
Quando o Imperador foi convidado a visitar a Catedral disse consternado:
“Há muitas Catedrais belas na Espanha, mas a Mesquita era única. Vocês quase destruíram um patrimônio arquitetônico do Império.”
Eu não me canso dela. Posso ir mil e uma vezes e sempre me impressiono. É impossível não emocionar-se com a beleza de suas colunas e arcos, com a nave do oratório muçulmano, o Mihrab, com os mil e tantos anos de história que transpiram de suas paredes…
Hum…
Pois é. Então…
Vou publicar a delícia das delícias que foi almoçar em um restaurante dentro do recinto dos Banhos Árabes de Córdoba.
Bárbaro!

Bueno, almoçar é coisa que fazemos raramente quando estamos conhecendo ou mostrando uma cidade, mas desta vez fizemos uma exceção já que estava chovendo a cântaros. Entramos num restaurante árabe dispostos a comer com todos os sentidos… Percebendo os cheiros, o contraste de cores, de sabores, de textura, temperatura.
Tem lugar que merece isso, não é não?
Hummmmnnn! Esse merecia. Que delícia!
Cada um elegeu um prato diferente de forma que todos pudessem provar de cada escolha. Cuscuz árabe de verduras e frutos secos, peixe com ervas aromáticas, porco com abacaxi confeitado e peito de frango recheado com figos e molho de nata. Tudo isso acompanhado com duas garrafas de vinho tinto.
Pena que não tenho fotos dos belíssimos pratos!
Estavam simplesmente ESPETACULARES!
Perceberam como é difícil ser magra nesta terra?
Depois fomos convidados a mudar de sala e então estaríamos dentro da Teteria ( Casa de Chá) para o cafezinho, o chá e as sobremesas, mas decidimos caminhar até uma outra, já conhecida nossa. Ali estavam o chá de “herba buena” (hortelã) com os melhores doces já que comi na vida.
Ai… ai…

Entre sofás e almofadas, mesas baixinhas, boa música, diante de uma pátio belíssimo com seu poço… sem pressa e sem agonia… tomamos os chás e saboreamos os doces fabricados com tâmaras, amêndoas, passas e mel…
Só de lembrar já fico aqui babando!
Agora esperem só para ver o que comemos em Cádiz e Tarifa!
Estou achando que o próximo post será dedicado à gastronomia andaluz…
O que vocês acham, heim?! heim?!
Humnsl…
Dios mio! Que comida!

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SOUK- Ethnic Fusion

Voltei. Mas ainda sem poder postar como eu gostaria. Estou sem meu computador.
Este aqui é cheio de limitaçoes de tempo e também para editar as fotos. Nao tem os programas com os quais estou acostumada e sou meio lenta para descubrir as manhas e frescurinhas dele.
Espero ter o meu de volta esta semana ainda!
Por enquanto, vou tentar ficar em dia com a leitura dos blogs amigos e responder aos comentários deixados aqui.
Ah!… antes que eu me esqueça.
Uma das coisas interesantes que descobri em Tarifa foi uma música especial e própria da cidade. Lembram que falei em um dos posts passados? Pois entao…
SOUK- Ethnic Fusion. Este é o nome do disco.
Estava tocando em um bar na beira da Praia dos Lances, enquanto esperávamos sem qualquer pressa pelo belíssimo pôr-do-sol tarifenho.
Haviam apenas três ou quatro pessoas espalhadas pelas mesas do bar, de forma que nao havia qualquer barulho de gente falando.
Exceto pelo sol vermelho se escondendo atrás do horizonte, a praia estava deserta…
Por largos minutos o meu mundo era só essa mistura de vento, areia, luz e música.

A fusao de ritmos etnicos é o charme deste disco. Uma mescla de música indiana, árabe, flamenca, africana. Adorei! O arranjo feito para a música Lili Marlene está um arraso!
Fiquei tao apaixonada pelo disco que pedi ao garçom para vê-lo e no dia seguinte fui direto à loja onde podia adquiri-lo.
Descobri que era uma compilaçao feita em Tarifa mesmo, para um restaurante lindíssimo de comida indiana, árabe, chinesa, tailandesa, africana. Tentei conhecer o restaurante mas ele estava fechado. Ficou para a próxima visita, que espero seja em breve.
Adoro Tarifa!
* Fotos: Capa do disco e pôr do sol de Tarifa
Ps1: Vejam só! Já estou conseguindo postar umas fotos!!!
Ps2: Descobri uma página que tem imagens INCRÍVEIS do Restaurante Souk.
Nao deixem de ir vê-lo, embora a música que toca no site esteja longe da qualidade do disco. Talvez se animem a visitar o pequeno e belo pueblo andaluz em alguma provável visita à Espanha.

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Outro Encontro Com Don Quixote…


“Ao morrer don Quixote o povoado começava a despertar-se e não se ouvia nem uma voz, nem uns passos, nem os cascos dos cavalos sobre as pedras. Nada. Somente os galos. E algum cão…
Depois sim. A meia manhã se ouviram as campanas.
Ao morrer don Quixote a casa se encheu de um grande silêncio.”
…………………….
Trechos do livro Al Morir don Quijote, de Andrés Trapiello.
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Estou lendo o livro que conta a história dos personagens que conviveram com o Cavaleiro da Triste Figura e sobreviveram a sua morte.
Andrés Trapiello, um escritor muito premiado na Espanha resolveu escrever uma novela interessantíssima sobre o que poderia ter acontecido com a ama, a sobrinha, o médico, o padre, Sansão Carrasco, Sancho e Teresa Panza…
Estou encantada com o livro… e mais com a possibilidade de encontrar seus personagens pelas ruas daqui a algumas horas.

Pois é…
Hoje começa o Mercado Medieval de Alcalá de Henares. Estou indo encontrar don Quixote e Sancho pela ruas e praças da cidade onde nasceu Miguel de Cervantes. É a Semana Cervantina!
Fotografarei tudo. Prometo.
Só não vou publicar imediatamente porque estarei sumindo de novo por mais ou menos uma semana.
Ho ho ho…
Amanhã estarei viajando para Córdoba, Sevilha, Granada, Cádiz…Tarifa. Um mergulho na Andaluzia com um casal de amigos brasileiros.
Hum… não reclamem! Eu adoro viajar!
* Foto: Painel Iluminado nos muros da Capela onde Cervantes foi batizado.

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