Arquivo do mês: novembro 2005

Em Tempo…

Uma dica: Blogagem coletiva sobre o tema Violência contra a Mulher.
A iniciativa foi da maravillosa Denise Arcoverde e muito bem recebida por um grande grupo de blogueiros. No blog Síndrome de Estocolmo há uma lista de blogs que publicaram posts dedicados à mulher e às diversas formas de violência as quais o gênero feminino é submetido por todo o planeta.
Mesmo sem estar por dentro da convocatória da Denise, por “ondas cósmicas” publiquei um post no dia 20/11 justamente sobre as Mulheres Esquecidas.
Eu posso estar dando um recado atrasado para alguns, mas se acaso alguém perdeu o bonde como eu… ainda está tempo! Tanto de ler quanto de escrever.
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Estou encantada com o livro Blog de Papel. Eu já conhecia boa parte dos blogueiros eleitos para participar do projeto e sabia que eram bons mas mesmo assim fiquei muito impressionada com o excelente nível dos textos.
Parabéns ao grupo todo!
Milton e Cláudia, muchas gracias por el regalo!
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Para Bruno
Névoa no coração…
Aos amigos devia ser proibido sofrer.
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Para Jac
“Eu tenho que ser minha amiga; se não, não aguento a solidão. ”
( C. Lispector, em Um sopro de vida)
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Coluna Social…


Pois sim…
O Milton Ribeiro e a Cláudia chegaram e partiram num mísero piscar de olhos.
Enquanto eles desayunavam o Museo del Prado, desde as nove da manhã, com direito ao melhor de Velazquez e Goya, belos Bosch, Ruben, Ribera, Caravaggio, etc, nós conseguíamos evitar a hora punta e entrar em paz em Madrid.
O encontro foi pontual. Às 11:30 na porta norte do museu.
Segundo eles, duas funcionárias apontaram para direções contrárias ao serem perguntadas onde ficava a bendita porta. Vai ver elas tiveram a mesma professora de geografia que eu tive na infância. A freirinha ensinou-me que o norte era na minha frente, o sul atrás, leste à direita e oeste à esquerda.
Ora… simples, tonta! Não é?
Ainda morro de rir quando lembro que qualquer que fosse a minha posição eu achava que o norte estava sempre diante de mim! Rá!
Bueno… eles a encontraram ( a porta ) e nós também. (Foto do Milton num antigo sebo de livros)
A idéia era conhecer-nos caminhando entre as ruas e praças, tomando umas copas e provando umas tapas, até a hora em que eles voltassem ao aeroporto, com Roma como destino principal.
Madrid era só um pit stop.
E foi assim.

Depois de conseguirmos calçar a Cláudia, que veio com os pés prisioneiros e sufocados por uns belos e negros sapatos de salto e bico finos, torturantes e demolidores de qualquer tentativa de felicidade, ( minha especialidade em outras épocas e viagens) aproveitamos a beleza da cidade à pé, com sol e frio.
Delícia de dia!
( Foto na janela de uma Taberna ao lado da Plaza Mayor)
Entre a Puerta del Sol, Plaza Mayor, Plaza del Oriente e Palácio Real, caminhamos tranquilos e escutamos os músicos que tocavam nas ruas, entramos em antigos e tradicionais Tabernas, Cafeterias e Mesons de Madrid para uma conversa amena e agradável e as deliciosas tapas e vinhos espanhóis.
O cardápio madrileño é variadíssimo, mas ficamos entre pato defumado com queijo de cabra, salmão, jamón ibérico, lomo de cerdo, morcilla de burgos com setas, pães chapata e vinhos Rioja …. ufa! e batemos um papo tão descontraído e gostoso que nem sentimos o tempo passar.
Eles me trouxeram uma camiseta Verbeat ( objeto de desejo disputado quase no tapa aí no Brasil ), A Paixão Segundo São Mateus e As Suites para Violoncelo, de Bach (bárbaros!), um Aurélio virtual ( necessário e imprescindível para mim) e o livro manchete do momento na blogosfera, o Blog de Papel ( esse merece um post à parte).
Imaginaram minha cara de felicidade? HEiM?!
Pois sim… a-d-o-r-e-i !
À Milton dei um disco ( O Souk – Ethnic Fusion, de Tarifa ) que nem sei se ele vai gostar pois é uma proposta meio diferente do que ele costuma ouvir, mas à Cláudia dei um livro com as 100 Melhores Tapas Espanholas.
Esse com certeza ambos vão adorar!
Aí acabou o tempo.
Só deu para isso mesmo. Mas já valeu como primeiro contato pessoal.
Nós dizíamos isso a três por quatro, entre muitos abraços: “Que bom estarmos juntos aqui!”
Depois de uma curta volta de carro por Cibeles e outros monumentos, deixamos um Milton com cara de relaxado, quase adormecido, na porta do aeroporto às seis da tarde.
E uma Cláudia disposta a viajar com os confortáveis tênis comprados na Calle Preciados e relegar os belos e finos saltos à mochila de mão.
Ninguém merece ir sofrendo e infeliz à Roma.
Muito menos uma mulher cheia de graça e energia como ela. ( Foto na Meson De La Cava)
Aí…entrou por uma perna de pinto… saiu pela perna de pato…

E o Rei mandou dizer… Voltem!

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Pequenos Toques…


Se você tem um blog ou não, o fato de estar aqui, lendo esse post, já é um bom motivo para responder essa pesquisa que o pessoal da Verbeat  idealizou com a intenção de traçar um perfil do universo virtual blogueiro.
Serão apenas uns minutinhos de seu tempo e a gente agradece!
Clik no selo aí acima e colabore!
Ah! Um toquezinho de coluna social:
Amanhã vou conhecer Milton Ribeiro e sua mulher, Cláudia Antonini, ambos de passagem por Madrid à caminho da Itália. O Milton é companheiro virtual desde 2003 e meu vizinho da casa cinza de janelas vermelhas, aqui no Condomínio Verbeat.
Eu já tive o prazer de estar com sua irmã e cunhado, Iracema e Sílvio, quando eles estiveram visitando a Espanha. Ambos encantadores e simpáticos!
Passamos uma noite divina na Plaza de Sant´Ana!
A Iracema era leitora assídua do Cicatrizes da Mirada e trouxe vários posts impressos para aproveitar melhor sua passagem por Sevilha, Córdoba e Granada.
Vê só que mundo novo se abre através dos blogs?!
Pois sim… Amanhã, Pernambuco e R.G.Sul se encontrando em Madrid!
Aguardem as notícias do Grande Encontro !
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Uma dica:
Agora o(a) leitor(a) deste blog pode acessar diretamente nas Categorias aí ao lado e ler os posts publicados sobre determinados temas, sem precisar entrar no arquivo geral. Cortesia do meu ÍDOLO, o Síndico Verbeter ~~ Gejfin ~~
Que tal experimentar! Tem muito post sem nenhum comentário porque vieram dos antigos blogs desaparecidos. E aposto que alguns de vocês não os conhecem.

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Questão de Mulheres…Ou de Justiça…

Ela nasceu em 1532 em Cremona, no ducado de Milão, na Itália. Recebeu um nome espetacular, mesmo para a época: Sofonisba Anguissola.

Forte, não é?
Uma mulher com um nome desses não podia passar pela vida sem deixar uma marca indelével e ela não fez por menos. Foi uma excelente e bem sucedida pintora, autora de obras admiradas por reis, rainhas, papas, nobres, além de outros artistas conceituados de sua época.
Apesar do sucesso de suas pinturas, Anguissola nunca foi paga por qualquer de suas obras, nem mesmo por aquelas que eram fruto de encargos importantes, tanto da nobreza quando da Igreja Católica, por certo os melhores clientes. Pagar-lhe não seria “bem visto” pela sociedade, então a artista recebia caros presentes ou regalias para si e sua família. Assim, jamais foi considerada uma profissional da arte e quase não existem registros de suas obras.
Eu nunca havia ouvido falar dela. E vocês?
Morreu jovem? Pintou pouco?
Nada disso. Anguissola teve uma vida larga e produtiva. Pintou até bem perto dos noventa anos. Quase um século de vida, numa época em que a grande maioria das mulheres morria antes dos quarenta.
Então o que aconteceu com seu nome e sua obra?
Simplesmente sumiram nas brumas.

Muitos de seus quadros foram atribuídos a outros artistas ( homens ) e seu nome foi “borrado” da história da pintura do século XVI e XVII e sequer aparece nos famosos compêndios de historiadores e críticos de arte.
E sabem qual o motivo?
Ela era mulher. Ponto e acabou-se.
Como assim uma mulher pintora de sucesso?
Não se podia admitir talento, inteligência, criatividade às mulheres! Se nem alma possuíam!
Tcs…tcs…
Sofonisba Anguissola foi apenas mais uma das muitas mulheres que se rebelaram contra esse estigma. Mas foi uma das que não apenas lutou. Ela venceu. Por quase um século!
Esquecida por que? Depois de morta, absolutamente ninguém lutou por ela? Inclusive seus quadros foram atribuídos a importantes artistas como Rubens e Tiziano!
Que injusto! Por falta de talento não foi!
Pois sim…. Esquecida e pronto. E isso aconteceu com quase todas as outras.
Pintoras, poetas, escritoras, dramaturgas…foram muitas. Muito mais do que sabemos ou podemos imaginar.
Apesar de mulheres, elas encontraram – de alguma forma – a saída para expressar seu talento. Umas através dos claustros das congregações religiosas, outras apoiando-se em pais, irmãos ou maridos que as incentivavam mesmo em contra às regras vigentes. Mas a maioria teve que suportar as perseguições, a burla e a humilhação de serem consideradas prostitutas e hereges apenas por saberem ler e escrever, fazer versos, música ou teatro. E bem ! Grandes mulheres!
Entretanto, com sucesso ou sem ele, mesmo conseguindo suportar tudo isso em nome de seu talento, foram sumariamente esquecidas depois de suas mortes.
Incômodas mulheres que contrariavam as teorias e leis masculinas?
Pois é sobre isso que eu estou lendo.

Las Olvidadas – Una história de mujeres creadoras, de Ángeles Caso.

Um livro delicioso, cheio de citações de grandes pensadores masculinos sobre as mulheres, segundo eles destinadas à torpeza, ao silêncio e à ignorância. Só para dar dois exemplos:
“A fêmea é como se fosse um macho deforme e a descarga menstrual é sémen, só que impuro: falta-lhe o elemento básico, a alma.” Aristóteles
Heim?!
” Uma mulher é sempre mulher, quer dizer, louca, por muitos esforços que realize para ocultar-lo” Erasmo de Rotterdam
Ho ho ho…não diga!
Mas o livro é também cheio de luz e força que emanam de uma escritora que sabe como contar uma história, situando-a no contexto cultural, político e religioso de cada criatura e seu entorno. Las Olvidadas é um ensaio bem escrito sobre a vida e a obra de algumas dessas extraordinárias mulheres que viveram lutaram e venceram na Europa medieval e moderna, entre os séculos XII e XVII.
O ensaio de Ángeles não só é puro prazer de boa literatura, como também proporciona uma aprendizagem incrível. É um resgate histórico da participação feminina na arte e na literatura no mundo ocidental. Muitíssimo mais ampla do que todos nós pensávamos e apenas recuperada, pouco à pouco, nas últimas duas décadas.
Este livro é para homens e mulheres que apreciam e estimulam o prazer do saber.
Recomendo com gosto!

Categorias: Baú de Cultura, Cicatrizes da Mirada, Corpo&Alma de Mulher, Livros | Tags: , , | 15 Comentários

Sem Meu Melhor Pedaço…(Cap 14)

Agora acho que cheguei mesmo em casa.
As outras vezes em que disse isso não passaram de intenções.
Desde o começo do mês que eu ando feito peregrina por essa Espanha de meu Deus. Mas sem o meu melhor pedaço…
Olhos-de-mar-azul foi embora e eu fiquei.
Ele foi fazer um curso na Inglaterra por três semanas, eu não pude ir… e então o mundo ficou sem graça e eu tive frio.
Em busca de um colo de mãe fiz a maleta e me fui à Tarifa, onde seus ventos e sua luz me acolheram com festa.
A mãe, apesar de não ser a minha ,fez-se ninho. Suave e mansa, calorosa e doce.
A cidade esqueceu–se do outono e passou uma semana bela e louca pensando que ainda era Setembro.
Foram dias tão lindos que pude passear todas as manhãs pela praia, desta vez completamente deserta dos turistas de então e perfeitamente habitada por minhas lembranças e saudades. Além delas e de mim, apenas os pássaros de Novembro.
Ele não estava ali mas aquele era o lugar perfeito para sentir seu cheiro impregnado nas ondas, ouvir seu sorriso nos trinos das aves, sentir suas carícias e abraços nos ventos que penteavam as areias e revolviam meus cabelos.
Guardei esse pedaço do seu mundo num recanto da minha memória para dar a ele quando possa. É a primeira vez que vivo seu mundo sem ele, depois de quase três anos juntos.
Quando voltei, nem a calefação à tope deu jeito. Troquei as roupas da maleta por outras mais quentes e em busca de um colo de filha me fui à Segóvia.
Dormi entre os lençóis e travesseiros com cheiro a Lavanda Johnson e dengo.
Que delícia!

Durante as saídas, de braços dados, sob a chuva incessante ou sob a neve, os cafés com leite espumados, quentinhos e saborosos como amor de filha, as conversas compridas sobre presente e passado, amores e desamores, encontros e desencontros, amigos e inimigos, felicidade e dor, juventude e maturidade… eu tive a certeza de estar no lugar certo, com a pessoa perfeita para ajudar-me a suportar uma ausência que mesmo curta, pesa. Que mesmo justa, espanta pela força da saudade.
Que grande companhia é a minha filha!
Agora já estou aqui em Madrid. Tenho dois dias para organizar a casa, a despensa e a geladeira. As aranhas fizeram festa na sala.
Olhos-de mar-azul volta sábado. E eu estou curtindo cada minuto de espera… desde que sejam poucos!

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Lo Más Simples…

A mais comum de todas as receitas andaluzes é o desayuno, ou seja, o café da manhã.
Simples, saudável e barato. Experimente!
Um bom pão cortado em dois e assado na chapa.
Um bom azeite virgem de oliva
Um tomate fresco ralado
Sal
Obs: O tomate não deve ser triturado pois perde a cor. Melhor usar o ralador de queijo. Corte o tomate em duas partes no sentido longitudinal e esfregue sobre o ralador com a parte da pele voltada para dentro da sua mão. Assim todo o tomate será aproveitado menos a casca que ficará protegendo seus delicados dedinhos.
Modo de Servir:
Fure a tostada com a ponta do garfo e derrame uma boa porção de azeite. Depois espalhe uma porção de tomate ralado e por cima de tudo uma pitadinha de sal.

É possível incrementar a receita, servindo por cima do tomate ralado pequenos pedacinhos de jamon ibérico.
Mas garanto que a receita simples já é deliciosa!
Prove!
Acompanhe com uma boa e grande xícara de café com leite bem quente.
Cuidados : Resista à tentação de repetir a dose!
** Tem gente que esfrega um dente de alho levemente sobre a tostada antes de todo o resto. Tem gente que prefere não ralar o tomate e esfregá-lo diretamente sobre o pão ou tostada. Acho isso interessante, pois se economiza ter que lavar o ralador. Realmente muito boa essa lembrança!
Pero… me gusta mais apresentar o tomate ralado num bela tigela transparente.
É bonito, não é não!?

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