Arquivo do mês: março 2006

Vozes Remotas…

Passei o dia com uma vibração dentro do peito. Fiz o que nunca faço: logo pela manhã elegi a roupa que pretendia usar à noite e, como a criança obediente que fui, deixei-a sobre a cama com zelo. Assim gostava de fazer a minha mãe,a Princesa. Eu, que jamais gostei de escolher a roupa antes da hora de vestir-me, estranhei.
Andei pela casa como suspensa numa nuvem antiga e reconhecida. Cuidei das plantas sem conversar com elas, deixando que os sons remotos das vozes perdidas ecoassem na minha memória. Engoli o almoço sem sentir seu sabor. Parecia… por momentos, estar de volta à lugares e idades distintas. Faço isso muitas vezes na minha vida.
Acho que não tenho muito delimitado essa coisa de passado, presente e futuro. Vivo e re-vivo e pré-vivo sentimentos e sensações com a memória e a imaginação frequentemente.
Ontem o tempo oscilava entre presente e passado a cada larga hora do dia…
Há anos que eu não sentia um dia passar tão devagar!

Sobre a mesa do gabinete, uma página impressa recordava o motivo de minha inquietude. Registrava que tínhamos entradas para a ópera em Madrid. La Bohème, de Puccini.
(Clique aqui e escute a ária Si, me chiamano Mimi , com Maria Callas. Também pode escutar Che gelida manina, com Pavarotti, na mesma página do site El Poder de La Palabra, cujo link eu indico aí ao lado.)
Então… minha primeira vez no Teatro Real de Madrid. E também minha primeira vez numa ópera ao vivo e a cores.E logo La Bohème! Emocionante demais! Mais do que se possa imaginar.
Apesar de ser minha estreia numa apresentação desse tipo, a emoção maior não era apenas por isso. Era algo mais visceral.
Eu nasci escutando ópera. Esta era uma das grandes paixões do Lorde. E La Bohème uma de suas prediletas.
Recordo, mais com a memória dos sentimentos que com a memória da razão, estar entre seus braços numa das muitas noites de brumas da casa do Poço da Panela, escutando Mimi em seus primeiros instantes de enamoramento…
“Mi chiamano Mimì,
ma il mio nome è Lucia.
La storia mia è breve.
A tela o a seta
ricamo in casa e fuori… “

Não que eu soubesse o que estava dizendo aquela voz tão extraordinária, era muito pequena, mas sentia que seu encanto e beleza se espalhavam por sobre nós e a casa, avançavam como uma onda por sobre as baronesas que cobriam o braço do rio e iam enfeitiçar as árvores centenárias da outra margem. Quem sabe estavam os seres encantados que viviam nas matas também fascinados como eu?
Depois, muitas foram as vezes que escutei Mimi e Rodolfo recitarem seu amor e desventuras… aí eu já sabia o que diziam e o prazer só aumentou.
Acho que já disse que a herança mais bonita que recebi de meu pai foi o amor pela música. E foi através dessa herança que eu “reabilitei” a minha relação com ele.
O Lorde era uma criatura fora de série. Podia ser o sujeito mais sensível do mundo para umas coisas e o mais rude para outras. Era dono de uma inteligência e sensibilidade privilegiadas, mas como pai não foi nada competente. Amava com muita crueldade. Quem sabe um dia eu fale sobre esse aspecto de nossa relação. Agora não creio que valha a pena.
Muitos anos depois de sua morte, resolvi rememorar apenas seus momentos suaves… embora, de vez em quando, os outros ressurjam das brumas e venham sombrear recordações de minha infância e juventude.
Ontem ele estava lindo, com seus verdes olhos molhados de emoção assistindo La Bohème comigo.

Antes, como para preparar-nos, levei-o dentro do peito para a bela praça diante do Palácio Real de Madrid. Sentamos na antiquíssima ” terraza “ do Café Oriente e tomamos um café com Drambuí e sorvete como sei que ele amaria, enquanto olhávamos as pessoas que chegavam para a função.
(Adoro olhar as roupas, sapatos, abrigos… Para mim já faz parte do “evento” observar como estão vestidas as pessoas. E mais, eu ainda crio histórias para elas… mas isso dá outro post sobre manias.Já descobri que mantenho algumas das antigas, só que tinha esquecido delas.)
Pois sim…

O coração batia forte quando entramos no teatro e buscamos nossos assentos. Quando a cortina abriu e a orquestra executou os primeiros acordes, temi deixar-me levar pela irritação por ter comprado lugares em um dos camarotes laterais, caros demais para uma visão tão reduzida. ( Como se atrevem?)
Mas depois, levantando-me muitas vezes, contando com a paciência amorosa de Pepe e o próprio cuidado da produção que fez com que os personagens se movessem por ambos lados do cenário, numa primorosa recriação da buhardilla parisiense ou da antiga rua do quartier latin francês de 1840 relaxei e aproveitei. E aos poucos, principalmente pela força da representação e da música, entrei em transe.
Tomei nos braços a minha lembrança daqueles belos momentos de intimidade com meu pai e desejei de todo coração que ele e minha mãe pudessem estar mesmo ali comigo e com Pepe. E, se não… imaginar que eles podiam assistir nossa ópera favorita através de meus olhos e de minha saudade.
A atuação da companhia foi deslumbrante!
E eu chorei feliz, como estava previsto, com o lenço branco de olhos-de-mar-azul em volta do nariz para não fazer barulho.
Assim, foi com o coração cheio de suave alegria e um toque de agradável nostalgia que brindei com Pepe, no hall do teatro durante um dos intervalos, ao sabor de uma bela taça de cava espanhol, à memória do Lorde e da Princesa, que infelizmente ele não conheceu.
Dediquei a eles minha estreia.
Sim, porque essa foi só a minha primeira vez. Tenho certeza que virão outras.
Pretendo, um dia, se Deus ajudar, ir ao Festival de Ópera de Verona.
E Deus gosta de mim. Eu sei.

Categorias: Cicatrizes da Mirada, Música, Memórias e Saudades | Tags: , , , | 13 Comentários

Olhando Pela Janela…

A brincadeira é olhar pela janela que fica ao lado do computador e registrar a vista.
Vi no blog de Ale, o Photos & Fatos
Então foi irresistível registrar a minha. Vejo três prunus enormes e lindos, perfeitamente floridos para anunciar a primavera. E de quebra, olhos-de-mar-azul lendo seu livro e enfeitando a minha vida.

A vista vale aceitar a sugestão da brincadeira e publicar aqui, não?
Eu gosto muito desde cantinho. Gosto de ler aí, ou apenas sentar e pensar.
Antes era um lugar para fumar um cigarro devagar, saboreando o momento. Agora que deixei de fumar ( por sinal já fazem seis meses, viva eu!) será um lugar só para pensar e – quem sabe – receber a visita dos esquilos.

 

 

Estou providenciando uma mesa de madeira. Na verdade não é uma mesa, mas será. Ainda é apenas um grande carretel de cabos de aço que encontrei perto dos pinheiros e estou pretendendo lixar, envernizar e usar como mesa para os drinks de verão…
As árvores convidam a tomar algo embaixo de suas copas.Tenho dez pequenos lampiões pendurados nelas.
Fica lindo!
Por sinal, no verão os prunus estarão verdes e a sombra será perfeita para as longas tardes e a leitura na rede. Delícia, viu?!
Não é um belo lugar? Pois sim… por aí passam lebres, pássaros de todos os tamanhos, esquilos, ouriços ( uma bolinhas de espinhos que não sei como chamar em português) casais de perdizes com seus filhotes… e raposas ruivas.
Um movimento que só vendo!
E pensar que antes eu achava que movimento mesmo era só nas cidades.

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La Vida Secreta de las Palabras…

De vez em quando me deparo com uma obra de arte especial. Sólida. Essa é uma delas.
E que prazer eu sinto quando tenho o privilégio de desfrutar de uma bela criação artística, seja um conto, uma novela, uma música, uma pintura, um filme.
Eu permaneço dias embevecida, encantada, pensativa. Fico com vontade de conhecer o artista, conversar com ele, discutir o impacto de sua obra em mim. Saber mais sobre a relação entre meus sentimentos e emoções e os seus. Queria ficar amigo!
Assim eu sou… Já pensou que atrevida?
Pois sim.
Mas fico quieta aqui. Nem sequer sou daquelas fãs que vão atrás de autógrafos ou fazem plantão na porta dos aeroportos e hotéis para ver de longe seus ídolos.
Creio que não tenho ídolos. Gosto das obras. E também de alguns dos artistas, mas só como seus criadores. Não os idolatro. Nunca. Mas amiga eu queria ser. Só isso. Poder fazer parte do círculo íntimo que janta junto e conversa sobre os livros, as peças, as músicas… enfim.
Deixa eu voltar para o tema do post.

Esse filme. Precisava dizer aqui que o vi. Que me encantou. Que me impactou.
Não sei se ele já está rolando pelo mundo ou ainda está por aqui pela Espanha. Pois apesar de ter recebido 4 Prêmios Goya por melhor filme, melhor direção, melhor roteiro e melhor direção de produção… a própria academia espanhola não o indicou para o Oscar. Vá entender essa gente. Indicaram outro que nem eles mesmos premiaram. Queriam agradar alguém??
Uma trama simples, bons atores, ( Tim Robbins , Sarah Polley e Javier Cámara ) excelente roteiro e uma diretora (Isabel Coixet) sensível e talentosa. A mistura perfeita para um filme sair do jeito que eu gosto. La Vida Secreta de Las Palabras cala fundo na alma.
Um filme que fala da vida e das histórias que estão guardadas dentro dos grandes silêncios e que precisam desesperadamente de um outro, um íntimo e ao mesmo tempo distante outro a quem desvelar-se numa avalanche de palavras repletas de sentimentos.
Coixet consegue extrair toda a beleza contida num cenário tão inóspito e solitário como o de uma plataforma petrolífera recortada contra o horizonte do mar da Irlanda, seus poucos habitantes, um ganso, vinte e cinco milhões de ondas que passam e o encontro entre Hanna e Josef. Ele como acidentado e cego temporalmente, ela como sua enfermeira. Sarah e Tim estão fenomenais!
Uma pequena história, com grandes significados, contada com a humildade que está sempre presente na verdadeira genialidade.
Acho que ainda se vai ouvir muito falar dessa moça. Anotem aí. Isabel Coixet.

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Manias…

Diálogo telefônico com minha filha:

– Filha, você lembra das minhas manias antes de vir para cá?
– Hãan?
– Sim, minhas manias… as que eu tinha, você lembra? Queria escrever sobre elas, mas não me lembro mais de nenhuma. Acho que perdi minhas manias. E esqueci delas também. Mudei tanto de vida que já nem me lembro de meus detalhes…
– Hahahahha. (Ela gargalhou. Como assim?)
– Claro que me lembro, mãe. Você botava música clássica assim que acordava, antes da ducha e de fazer o café da manhã.
– Tá. Isso ainda faço. Diga outras.
– Me mandava arrumar o guarda-roupa toda vez que eu reclamava não ter nada interessante para fazer.
– Essa eu perdi. Você não mora mais aqui. (Sorri nostalgicamente da lembrança.)
– E também reclamava porque eu não era capaz de encontrar nada, mesmo que estivesse bem diante do meu nariz…
– Você não mora mais comigo, menina… E não quero que se lembre das minhas chatices. Quero só as MANIAS! Não lembra mais de nenhuma?
– Sim. Comprar tudo que estava de oferta, mesmo sem precisar!
– Eu fazia isso?
– Sim, mesmo quando a gente estava sem dinheiro. Chegava em casa com a bandeijinha mais inútil do mundo só porque estava de oferta…
– Hahahahah… verdade . ( Agora quem gargalhou fui eu!) Isso eu perdi. Quer dizer, mais ou menos. Moro tão longe dos centros comerciais que nem dá mais para fazer essas comprinhas inúteis com muita frequência. Mas, de vez em quando, a natureza se impõe. Ainda sou tentada pelas ofertas do supermercado : “Compre cinco tipos diferentes de patês e ganhe uma extraordinária tigelinha de vidro.”
Que porqueira de tigela! Mas eu tenho que fazer força para resistir! Juro!
E, às vezes, ainda não consigo. Outro dia comprei uns biscoitos só porque vinham com uma oferta de 10 miniaturas de carros de corrida para crianças. Estou louca é? Nem há crianças por perto, nem cheiro de futuros netos, nada! Para que quero 10 carrinhos de corrida??
Bueno, guardei em algum lugar (preciso saber onde!) para quando tiver visitas com crianças!
Agora, quer ver-me verdadeiramente insana? Basta entrar numa loja-bazar daquelas que tem milhares de coisinhas espalhadas por quatrocentas e trinta e duas mil prateleiras. Desde bijuteria, esmalte de unhas, maquilagem, tiritas para cabelo, carteiras e bolsinhas de moedas, objetos de decoração (horrorosos) e luminárias, caixas de todos os tamanhos, enfeites para todas as festas desde Aniversário a Carnaval, Natal, São João, Páscoa… e não importa em que época do ano estejamos.
Há também um sem número de fitas e papéis de embrulhar presente, lápis coloridos,canetas de todo tipo, cadernetinhas minúsculas, agendas,etc, etc, etc…( Adoro esta parte. Papéis e canetas me alucinam! ) E finalmente os objetos de cozinha que a gente nunca imaginou que iria necessitar até aquele maravilhoso e mágico dia em que se encontra frente a frente com ele naquela prateleira e se pergunta:“como pude ter vivido tanto tempo sem isso?” Aí a gente fica cega e louca, não resiste e compra. E guarda na gaveta da cozinha para não usar nunca mais… E ele volta a ser tão desnecessário como sempre foi.
Pois é…tenho uma caixa desses engodos.

Então… andei dando uma batida pela casa e pela memória e não descobri minhas novas manias. Das velhas, poucas permanecem. A de botar uma música clássica para tocar antes de fazer qualquer coisa pela manhã é uma delas. E sempre surpreende meus hóspedes.
Uma das minhas visitas ficou encantada com a minha “paz” quando desperto e como consigo fazer tudo tão rápido e ao mesmo tempo tranquilamente. Ela é elétrica e faz tudo “super estressada”. Notei que em sua casa ela escuta um rádio-notícias pela manhã na cozinha. Sugeri que desligasse as notícias, botasse uma boa música e veria a mudança de ritmo e de astral.
Tenho uma relação muito gostosa com a música. Durante o tempo em que estive deprimida, não conseguia escutar música. Nenhuma música. Um dos sintomas de recuperação da saúde foi ter retomado minha relação íntima com ela.

Acho que a mais antiga das minhas manias é grifar frases e trechos do livro que eu estiver lendo e voltar muitas vezes àquelas frases grifadas, mesmo enquanto ainda estou lendo-o. Demoro com um livro que gosto porque volto muitas vezes. Nunca uso um dessses novos marcadores coloridos, nunca com caneta. Acho uma agressão pintar o livro de rosa ou amarelo, então uso um grafite macio, muito antigo, que foi do meu pai e que eu adoro.
Essa é uma boa mania, eu penso. Mas só posso ler o que é meu. Jamais faria o mesmo em livros de outros.
Talvez seja um dos principais motivos pelos quais não gosto de ler livros emprestados.
A última tentativa foi quando estava lendo Vivir Para Contarla, de Garcia Márquez. Estava louca para ler e encontrei-o sobre a mesa na casa vizinha. Ela disse-me que não havia gostado e eu, no impulso, pedi emprestado e comecei no mesmo dia. Parei de repente a leitura e fui comprar um igual só para poder grifar. Eu estava copiando numa cadernetinha ( daquelas de bazar ) o que gostava, mas chegou um ponto em que era impossível continuar. Eu simplesmente não podia tirar certas frases dali. Elas precisavam continuar dentro do livro, mas eu TINHA QUE GRIFAR!
“… o primeiro que me impressionou foi o silêncio. Um silêncio material que havia podido identificar com os olhos vendados entre os outros silêncios do mundo…”
Quando leio algo assim não posso deixar que se perca entre as centenas de palavras da página. Eu simplesmente não posso deixá-la ali sem minha marca…
Uma mania perdida mesmo no passado era a de ir ao cinema todas as semanas, na hora que ninguém ia. Às 12:30, justo no horário de almoço. Eu comprava um sanduiche árabe e um refrigerante, guardava na bolsa de pano e entrava no cinema vazio, sem ninguém. Que delícia! A sala inteira só para mim. As emoções flutuavam livres pelo enorme espaço repleto de cadeiras silenciosas e parece que cresciam, bailavam como fantasmas nas paredes alcochoadas, entravam pelas imagens refletidas da tela, se mesclavam com elas.
Sempre me recordava do filme A Rosa Púrpura do Cairo quando estava ali, tão sozinha com aquelas histórias.Era como se elas estivessem sendo contadas só para mim. ( E estavam.)
Fiz isso por quase três anos. Poucas vezes tive companhia e quando a tive era sempre a mesma. Um senhor calvo que sentava três ou quatro filas mais adiante e cobria a cabeça com um lenço branquíssimo, por causa do frio que fazia na sala. Ambos fazíamos de conta que o outro não estava ali. Nunca sequer nos cumprimentamos.
Quando vim embora deixei o cinema só para ele. Será que notou que eu nunca voltei? Será que ele ainda vai?
Também tinha mania de garimpar discos. Encontrar maravilhas desaparecidas do mercado por preços bem ridículos. Por exemplo, comprei Diane Shurr & B.B.King por cinco reais. E Tom Waits & Cristal Gayle por seis e sessenta e cinco, numa época em que os Cds já estavam por mais de vinte reais.
Consegui comprar também por menos de cinco reais Cds de Mahalia Jackson, Bob Dylan, Ry Cooder, John Coltrane, Dave Brubeck, etc. Comprei por um real e noventa e nove centavos ( agora em 2004, quando fui ao Brasil) três discos de sucessos antigos que são a cara do meu pai e que eu adoro escutar principalmente porque tem The Brother Four, um grupo de folk americano dos anos 50 e 60. Cada vez que os escuto me transporto para o terraço verde e branco da casa do Poço da Panela, em Casa Forte…não importa onde eu esteja de verdade.

Aqui já é mais difícil garimpar pois vou muito pouco às lojas de discos. Essa mania eu perdi por pura falta de oportunidade. Mas ganhei outra. Garimpar as ofertas de jornais e revistas nos maravilhosos quiosques madrilenos. Adoro.
Fora os livros e Cds, que são muitos, fiz uma linda coleção de instrumentos musicais. Nunca fui fã de coleções, mas essa era tão especial que não resisti. Depois vou dá-la de presente ao meu filho postiço, que é músico e está estudando oboé em Londres. Quando ele tiver sua casa, vou presentear a ele minha lindíssima coleção. Um belo presente, sem dúvida! Uma das jóias de minha “herança”. Ho ho ho.

Uma mania atual é botar música dançante enquanto limpo a casa.(Urgh!)
Dá mais ânimo, mais força, mais alegria.(Urgh!)
Dá vontade de fazer festa!
E esqueço que ODEIO o seviço doméstico. Pelo menos eu tento me enganar. Eu tento! Eu tento!
Gosto mais de sentar aqui e blogar. Visitar os blogs amigos, pesquisar textos, copiar fotos para os meus posts e escrever. Fico horas mergulhada aqui e nem sinto o tempo passar. A coluna reclama, mas parece que ela também não gosta dos afazeres domésticos.

Tenho mania por velas.
Adoro comprar e ganhar velas. Mas não guardo nenhuma como decoração. Uso todas. Não gosto de luz branca, menos ainda a fluorescente. Gosto da luz bruxuleante e amarelada das velas, dos antigos lampiões, dos candeeiros nordestinos.
Gosto da penumbra, das sombras, do cheiro com que impregnam o ambiente.
Essa é uma mania que sobreviveu às mudanças durante a minha vida. Aqui costumo usá-las constantemente, seja numa festa ou um jantar para convidados, seja num dia normal em que decido deixar sair a aura romântica e invento um jantar para dois. Isso pede velas. Sempre. Se o clima permite também acendo os pequenos lampiões, pendurados nas árvores do jardim para as noites de belos luares.
Tenho uma paixão especial pela lua. Mas isso não é mania, é?

Também tenho mania por incensos. Adoro-os. Estou montando um lugarzinho para meditar dentro do invernadeiro. Um tapete de bambu, plantas e flores, mantras cantados por monjes tibetanos e incensos. Está ficando gostoso.
Tenho mania de ler na rede. Aqui em casa tenho três. Uma no quarto, para os invernos, uma no invernadeiro para o outono e a primavera e outra embaixo das árvores do jardim, para a largas tardes de verão. Não posso imaginar uma casa aconchegante sem uma rede e estou ensinando os espanhóis a apreciarem uma “siesta” abraçados por uma bela almaca nordestina. Eles aprendem muito rápido e todos me pedem para trazer uma quando venha do Brasil. É paixão à primeira siesta.
Manias a gente perde, troca, esquece. Antes eu pensava que a gente morria com elas. Mas não é verdade. A gente se adapta às novas circunstâncias, a cada mudança de vida, de tempo e de lugar.
Entre as manias perdidas também está a de dormir com três travesseiros e bem no meio da enorme cama de casal. Agora tenho só meia cama para mim e troquei os travesseiros por um delicioso e perfumado sujeito que respira a dois centímetros de minha orelha.
Boa troca, viu?!
Hãnm-hãmn. Muitíssimo melhor!
…………………………………………
Ps: Era uma corrente! E eu precisava indicar 5 pessoas para dar continuidade. Nem sei quem já respondeu quem não! Desculpem a falta!
Fica para a próxima!

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