La Vida Secreta de las Palabras…

De vez em quando me deparo com uma obra de arte especial. Sólida. Essa é uma delas.
E que prazer eu sinto quando tenho o privilégio de desfrutar de uma bela criação artística, seja um conto, uma novela, uma música, uma pintura, um filme.
Eu permaneço dias embevecida, encantada, pensativa. Fico com vontade de conhecer o artista, conversar com ele, discutir o impacto de sua obra em mim. Saber mais sobre a relação entre meus sentimentos e emoções e os seus. Queria ficar amigo!
Assim eu sou… Já pensou que atrevida?
Pois sim.
Mas fico quieta aqui. Nem sequer sou daquelas fãs que vão atrás de autógrafos ou fazem plantão na porta dos aeroportos e hotéis para ver de longe seus ídolos.
Creio que não tenho ídolos. Gosto das obras. E também de alguns dos artistas, mas só como seus criadores. Não os idolatro. Nunca. Mas amiga eu queria ser. Só isso. Poder fazer parte do círculo íntimo que janta junto e conversa sobre os livros, as peças, as músicas… enfim.
Deixa eu voltar para o tema do post.

Esse filme. Precisava dizer aqui que o vi. Que me encantou. Que me impactou.
Não sei se ele já está rolando pelo mundo ou ainda está por aqui pela Espanha. Pois apesar de ter recebido 4 Prêmios Goya por melhor filme, melhor direção, melhor roteiro e melhor direção de produção… a própria academia espanhola não o indicou para o Oscar. Vá entender essa gente. Indicaram outro que nem eles mesmos premiaram. Queriam agradar alguém??
Uma trama simples, bons atores, ( Tim Robbins , Sarah Polley e Javier Cámara ) excelente roteiro e uma diretora (Isabel Coixet) sensível e talentosa. A mistura perfeita para um filme sair do jeito que eu gosto. La Vida Secreta de Las Palabras cala fundo na alma.
Um filme que fala da vida e das histórias que estão guardadas dentro dos grandes silêncios e que precisam desesperadamente de um outro, um íntimo e ao mesmo tempo distante outro a quem desvelar-se numa avalanche de palavras repletas de sentimentos.
Coixet consegue extrair toda a beleza contida num cenário tão inóspito e solitário como o de uma plataforma petrolífera recortada contra o horizonte do mar da Irlanda, seus poucos habitantes, um ganso, vinte e cinco milhões de ondas que passam e o encontro entre Hanna e Josef. Ele como acidentado e cego temporalmente, ela como sua enfermeira. Sarah e Tim estão fenomenais!
Uma pequena história, com grandes significados, contada com a humildade que está sempre presente na verdadeira genialidade.
Acho que ainda se vai ouvir muito falar dessa moça. Anotem aí. Isabel Coixet.

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Categorias: Baú de Cultura, Filmes | Tags: | 19 Comentários

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19 opiniões sobre “La Vida Secreta de las Palabras…

  1. Sinto igualzinho a você nessa questão de autores, atores, cantores de quem a gente admira as obras e o desempenho, se delicia com eles. Acho que o autor ou ator não pode ser misturado ao que ele faz, a obra é autônoma, a gente a recebe e faz dela o que quer ou pode – gosta, vibra ou nem liga ou detesta. A pessoa do artista pode atrair porque se imagina que aquela criação que nos tocou tanto quer dizer que seu criador se parece com a gente. Ledo engano, baby. Vale ter curiosidade, vontade de conversar, de saber melhor sobre o que faz, pensa e gosta. Mas não dá pra idealizar a figura. Besos y besos.

  2. Anotado, Laura! Quando chegar aqui verei, se bem que com certeza será em DVD. Cinema para mim atualmente se reusme aos filmes em que minha filha de 5 anos pode entrar… mas isso é só por enquanto, claro!
    Tudo bem com você? Espero que sim. Voltei de viagem há uns dias e já estou de novo em ritmo frenético. Fazer o quê? Pelo menos estou produzindo e é o que vale.
    Beijos, me visita!
    Ana

  3. Vou tentar alugar esse DVD! Talvez o título em inglês seja The Secret Life of Words? Bem, não será difícil descobrir na Internet.
    Beijos, valeu a dica.

  4. Valeu a dica, Nora. Já estou morrendo de vontade de assistir…
    Quanto a identidade com a obras de determinados autores e o desejo de discuti-las com os próprios, – acho que quase todo mundo (que pensa) se sente mais ou menos assim. Beijo grande, uma boa semana, e inté!

  5. Todo fã gostaria de ser amigo do ídolo, mas às vezes é melhor conhecer apenas a obra e não se decepcionar com quem a criou.
    A dica do filme está devidamente anotada.

  6. essa eh a segunda vez que caio aqui no seu blog e fico perdida no tempo lendo suas palavras. Nao me lembro se marquei da ultima vez que passei aqui, mas agora estou marcando.
    Bye

  7. Cláudia

    Nora!!! Pelo jeito já está 100%?
    Quanto aos autores sabe, que me sinto um pouco assim com relação a você. Tenho curiosidade da sua opinião a respeito de certas coisas… Valeu a dica temos tantos filmes novos e tão poucas histórias verdadeiramente interessantes … Beijos !!!!
    Cláudia

  8. A ha! Assino embaixo de cada palavrinha dos primeiros parágrafos. E fiquei doida pra ver o filme. Vou ver se já tem no netflix porque nao vi (ainda) no circuito comercial.
    Bjs!

  9. Oi, Nora… Achei seu blog no mundo pequeno e realmente foi muito legal ter encontrado. Gosto muito de cinema e assim como vc quando encontro algum filme que me chama a atenção acabo ficando com ele na cabeça um tempo… Não assisti a esse ainda, mas pretendo não demorar… Sou historiador e estou com uns planos de tentar estudar aí na Espanha, vc não conhece alguma instituição que promova bolsas de estudo à estrangeiros?? Se souber, vai ma ajudar bastante com qualquer informação sobre… Desde já lhe agradeço…
    Duéllio

  10. Nora,
    Tenho sempre essa vontade de conhecer o autor ou artista. Adoro conhecer gente sensível e inteligente. Inclusive, como a Claudia, gostaria de conhecer você.
    Quanto ao filme, vou prestar atenção quando passar.
    Beijo,

  11. Sábias palavras Nora. Realmente preciso dar mais atenção ao meu corpo.
    beijos e obrigada

  12. Obrigada pela dica. Vou fazer questão de ver esse filme. Beijocas

  13. Olá
    Que belo blog, o seu e atrevo-me a fazer esse comentário, porque anunciei esse filme quando estava sendo feito, ou melhor quando estava em fase de pós-produção.
    Depois nunca mais ouvi falar dele (como aconteceu em relação os filmes europeus).
    Este não é o primeiro filme de Coixet, certo?
    E infelizmente, creio que jamais o veremos no Brasil.
    Talvez em DVD, quem sabe?
    Mas achei lindo e muito bom ver e ler você fando e escrevendo sobre ele;-)
    Meu dia começou muito bem.
    Um abraço e obrigada
    Meg

  14. Socorro

    Espero que ele chegue rápido aqui na Bahia. Felizmente, nos últimos anos temos na cidade três salas que exibem filmes desse tipo, que nunca seriam exibidos nos cinemas tipo Multiplex. Foi por causa de um desses filmes – por “coincidência” espanhol – que encontrei seu blog. O filme A Lingua das Mariposas, de 1999, acho, é um dos mais belos que já vi. Também como você gostaria de conhecer pessoas como os que fazem filmes como esses…Também não tenho ídolos ou coisa parecida, mas tem um ser que eu queria conhecer pessoalmente mesmo que seja em outro mundo: o Gabriel García Márques. Agora, lendo a biografia dele, descobri que temos um monte de coisas em comum. Acho que existem grupos de almas que pensam parecido espalhadas pelo mundo. Talvez a gente faça parte de um grupo desses. Se encontrar ou não pessoalmente já não é tão importante. De alguma forma, nos comunicamos.
    Um abraço

  15. nora borges

    Socorro estou escrevendo um post sobre o conto/filme La Lengua de Las Mariposas, que inspirou este blog. Publicarem em breve, prometo.

  16. nora: não vi este filme, aliás você sabe, depois que vim para madrid minha cinefilia foi para o brejo… olha só: tenho novidades, sim, a novidade chegou! te ligo pra combinar dia e hora. beijos

  17. Nora ainda não ouvi falar nada sobre este filme por aqui pela Esplanada, mas ficarei atenta, pois seu post é tão bom que já estou ansiosa para ver este filme.

  18. Nora, conte tudo, o que vem a ser essa tal Síndrome da Primavera…rs?!
    bjocas 🙂

  19. Gabriela

    Oi Norinha,
    Aproveito um domingo chuvoso para colocar em dia a leitura dos blogs que gosto.
    Como te falei, estou no Brasil e tenho tido pouco tempo para fazer tudo o que preciso e quero.
    Sobre o post, concordo com o Manoel Carlos.
    Como você, eu também não tenho ídolos. Já tive a oportunidade de conviver mais proximamento com pessoas que criaram obras que eu admirava. A convivência me fez continuar gostando das obras, mas preferindo a distância dos seus criadores.
    Claro que não deve ser sempre assim. Falo da minha experiência pessoal.
    Uma das coisas que mais admiro em uma pessoa é a coerência. Não é fácil ser coerente. A gente tem teorias e até acredita nelas, mas nem sempre consegue colocá-las em prática.
    Penso que os grandes autores colocam o melhor de si em suas obras. Para mim basta o contato com elas, salvo alguma rara exceção.
    Isso vale para blogs e para a vida de modo geral. Cada vez mais quero conviver só com pessoas com as quais eu tenha sintonia. Isso não quer dizer que tenhamos que concordar em tudo. Claro que não. Mas é preciso haver um canal aberto onde tudo possa ir e vir: carinho, atenção, opiniões, alegrias, tristezas, amizade, amor.
    Mando-te um beijo, esperando que, com a nossa ajuda, o destino nos reserve um belo encontro, onde a simpatia virtual se confirme e fortaleça.

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