Arquivo do mês: junho 2006

O Gato…

Olho pela vidraça e encontro seus olhos assustados…
Um enorme gato preto ronda meu jardim, o terraço, os bancos sob os frondosos prunos.
Gato preto e silvestre. Grande como um filhote de tigre.
Tenho pena do bichano. Sua liberdade de felino sem dono já se transformou em solidão. Ele vem rondando a casa, como quem pede família e carinho…
Bem que eu gostaria de um gatinho. Mas tenho um lobo em casa não gosta dos bichinhos…
Vou dar para ele ( o lobo ) um poema do Ferreira Gullar.

O gato é uma maquininha
que a natureza inventou;
tem pêlo, bigode, unhas
e dentro tem um motor.
Mas um motor diferente
desses que tem nos bonecos
porque o motor do gato
não é um motor elétrico.

É um motor afetivo
que bate em seu coração
por isso faz ronron
para mostrar gratidão.

No passado se dizia
que esse ronron tão doce
era causa de alergia
pra quem sofria de tosse.

Tudo bobagem, despeito,
calúnias contra o bichinho:
esse ronron em seu peito
não é doença – é carinho.

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A Idéia…


Papéis, envelopes e canetas sempre foram uma paixão!

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As Coisas…

Ando pensando na vida, na morte, nos significados de ambos…
Ando por aí, refletindo sobre a impermanência das coisas… e descubro que elas ficam.
Nós é que vamos…

A bengala, as moedas, o chaveiro,a dócil fechadura, as tardias notas que não lerão os poucos dias que me restam,os naipes e o tabuleiro,um livro e em suas páginas a ofendida violeta, monumento de uma tarde, de certo inesquecível e já esquecida, o rubro espelho ocidental em que arde uma ilusória aurora.
Quantas coisas, limas, umbrais, atlas e taças, cravos, nos servem como tácitos escravos, cegas e estranhamente sigilosas!
Durarão muito além de nosso olvido: e nunca saberão que havemos ido.
(Jorge Luis Borges)

 

Numa tradução perfeita de Ferreira Gullar

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