Rosas, rosas, rosas…

Rosas formosas se espalham por Madrid.
Em cada jardim, cada praça, elas se mostram, simplesmente espetaculares, na mais gloriosa festa da natureza: a Primavera.
Não lhes importam que as águas das torrenciais chuvas dos últimos dias tenham inundado as ruas, os túneis, as garagens subterrâneas e tenham alimentado – com gosto e vontade – os imensos buracos cavados pelos obreiros municipais e transformado a cidade num enorme campo cheio de poços de água e lama.
Não lhes importam nada disso…
Elas aproveitam a confusão e pintam as folhas com novo verde, afiam discretamente os espinhos, suspiram com feminilidade… e amanhecem no dia seguinte, bem ali ao lado, na encosta de uma estrada, na cerca de um parque, nas rotondas, nas varandas das buhardillas, nos jardins dos museus, nas praças… lindas, radiantes, sedosas, magníficas em suas cores, cada uma escolhida com cuidado na vagarosa toilete matinal.
Umas ainda mantém, penduradas nas pétalas, as gotas de orvalho que roubaram da névoa que na madrugada cobriu a cidade…
Acho que durante as noites de chuva elas mergulham na terra, deitam sob mantos de folhas perfumadas e dormem como deusas surdas. Nem percebem a tromba d´água, as sirenas dos bombeiros, os prantos dos que perdem o rumo e o prumo em noites de tempestade.
Elas apenas descansam. E isso é absolutamente necessário, ninguém discute. Dormem em um leito verde e mágico só para que, ao dia seguinte, quando despertem, todos os desesperados, sobreviventes dos assustadores relâmpagos e escandalosos trovãos que os deuses cuspiram sem dó sobre a cidade indefesa, possam recuperar o juizo, a ternura, o desejo de viver e serem felizes apenas ao vê-las.
:::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::
Psit um :
Nem só de amapolas vive meu coração na Primavera. Para um boa crise de ego, nada melhor que um largo passeio entre as rosas de Madrid !
Psit de novo!
Perdoem mais um vez o abandono!
Crises de ego são poderosas, intimidam, paralisam. Cada movimento abre feridas do passado. Recomendo um passeio entre as rosas, amapolas, margaridas… o que estiver ao alcance de cada um…
Ah, psit again:
Vou responder a todos os comentários… vocês arrasaram!
Também pudera, com um texto assim como o do post passado! Já soube que ninguém sabe quem o escreveu, o que não diminui em nada a força de sua poesia.

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Categorias: Cicatrizes da Mirada | Tags: , , | 11 Comentários

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11 opiniões sobre “Rosas, rosas, rosas…

  1. Que sua alma seja um dia cheio de flores. Beijocas

  2. Viva a primavera! Que ela deixe os seu dias coloridos e perfumados!
    Aqui, em Sampa, estamos enfrentando um frio danado, até tá me dando herpes nos lábios… Mas em questão de menos de dois dias estarei em Recife! Ai, que delícia!
    Grande beijo!

  3. Alessandra Pura

    Seja bem vinda Nora..seja Bem vinda..que flores lindas…faz bm a alminha ver umas coisas assim.*_-

  4. Querida, como disse uma vez em comentário ao meu blog, que conhecia bem e adora Fernando Pessoa em todas as suas formas (acho que queria dizeer em todos os seus heterônimos) eu fiquei constrangida em lhe diizer que o texto jamais foi *COMETIDO* por nenhuma pessoa do Pessoa,
    Mas como vc fala também em crise de ego, acho que é bom, muito bom, pra suportar essa.. revelação.
    Brincadeirinha: sabe-se logo que o texto não é de Pessoa,é mais uma dessas paragas que assolam os grandes escritores na Internet.

    Enfim, trouxe-lhe um poema não vertical de Roberto Juarroz:
    Que aliás encontrei enquanto pesquisava de quem poderia ser o tal texto apócrifo:
    ===
    Casi poesía.:
    No siempre la visión y la palabra coinciden hasta la suma del poema. Muchas veces sólo quedan algunos núcleos o gérmenes o imágenes
    o roces, como si fueran restos
    o quizá paradójicas ganancias de un naufragio.
    ¿Pero acaso es otra cosa toda la poesía?
    Tal vez se debiera entonces
    hablar aquí de fragmentos caídos, astillas de poemas,
    gestos de aproximación,
    trozos de materia poética de textos que no terminaron de nacer.
    Y consolarse con la idea de que nacer es un proceso que nunca termina.
    Beijos, querida.
    Ah! o poema é de vc deve conhecer, Roberto Juarroz e foi colhido como essa magnífica rosa. Só que especialmente para usted.
    Muitos beijos
    Meg (Maria Elisa)

  5. Nora querida, como vão as coisas por aí? Melhorou o “clima”interior? Manda um recado pra gente.
    Aqui estou de pata quebrada vendo o tempo passar. Ao menos tenho como falar com os amigos. Um grande beijo e, por favor, dá notícias, viu?

  6. Oi, Nora,
    minha paixão, enorme, pela Espanha, fica reativada com essa descrição das rosas de Madri.
    Um dia, eu chego lá!
    Bela e terna descrição!
    beijos
    fernando cals

  7. Se der tudo certo, irei com minha dona visitar a Espanha ano que vem!
    oba!!
    Lambidas do Pupy

  8. Por aqui me apaixonei por rosa cor de laranja…quem bom lê-la de novo, não demore e traga rosas de todas as cores e perfumes…

  9. Nora,
    Saudade.
    Vou ler o post anterior. Se fala de alguma das pessoas do Pessoa, já me interessei.
    Beijo

  10. Nora, que já se tornou, para mim, querida…
    O jeito que você descreveu a floração nesse canto europeu, onde vc vive, encheu-me o coração de júbilo. A minha sensação foi a de que as próprias flores “planejam”, com uma consciência própria lá delas…rs, um deslumbramento para nós, os viventes…
    Pareceu-me a vitória dos vegetais, em forma de flores, sobre os “deuses” cruéis que trazem os flagelos…
    Um texto seu sempre é inovador de olhares…Enxerguei essas flores como a beleza “amiga”!!
    Muito bom ler você!
    Beijos daqui.
    Dora

  11. Nora, vim desejar um belísimo dia de hoje, para a tua parte barasileira.
    Mas, se algum dia puder passar pelo meu blog
    eu não vo ficar chateada não.
    beijos
    Olha, que tal, que novidades de filmes há por ai?
    Já sabes do novo da Coixet?
    Um beijo
    Somos dependentes de ti
    Meg

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