Outra Vez em Galicia…

Esta foto é a vista aérea de Ferrol. Dizem que lá chove… e muito.
Eu sei, eu sei. Mas a Galícia é tão espetacular em seus verdes e azuis que fiquei com vontade de plantar a tenda do futuro naquelas paragens. Juro.

É tudo tão lindo!
Por toda a costa ocidental da Espanha o mar brinca de apaixonado e avança para dentro da terra como se seus largos dedos molhados quisessem abraçar as curvas da dama desejada e acariciá-las com seu tato frio…
E ela, feliz, se deixa tomar pelo abraço e ri alto através dos gritos das gaivotas, pede aos ventos que soprem brisas úmidas por sobre os campos e cidades e desenha coisas bonitas no horizonte com a cumplicidade do sol. Juntos eles criam cantos e recantos espetaculares, montes e praias de todas as cores e formas, calhas, ilhas, estreitos e discretos esconderijos onde se pode navegar, pescar, pensar, meditar, tomar o sol, namorar…

Por toda parte da costa atlântica e das Rias Gallegas (os dedos molhados do mar se chamam assim) multiplicam-se os pueblos de lindas casas de pedra e vidro, como estas de Mugardos, algumas com suas parcelas de terra cultivada em ricas hortas, vinhedos, fruteiras. Além disso há centenas de pequenos portos e milhares de barcos pesqueiros de todos os tamanhos e cores, como numa impressionante exposição de aquarelas antigas.
Recordei o meu avô, pai do Lorde, que pintava um quadro atrás do outro, sempre com o motivo da pesca, dos marinheiros e pescadores de antigas paisagens do Janga, sabendo, é claro, que as Rias Galegas não tem nada a ver com a larga praia da minha infância.
Mas os elos da cadeia inconsciente não respeitam essas barreiras e trazem – junto com as cores alegres dos barcos pesqueiros e os cheiros de conchas, algas e sal gallegos – as imagens felizes de meus quatro ou cinco anos, na praia pernambucana. E eu gosto disso…

A amiga que estava comigo disse que era melhor não fantasiar baseada nas poucas experiências que eu tive nas terras do noroeste espanhol, porque quando o céu desaba – e ele sempre desaba! – passa o ano inteiro caindo justamente ali. Que pena!
Da chuva eu gosto muito, mas não suportaria viver sob ela por meses e meses seguidos, sem previsão de mudança duradoura.
Sim, eu adoro as semanas que precedem o Outono, quando a chuva cai caudalosa e intempestiva sobre meus campos e perfuma a terra, lava as árvores e enche os córregos de felizes ruídos.
Adoro sair para caminhar sentindo o sabor da clorofila na boca…mas se ela perdura, perdura e perdura, com o tempo vou me aninhando, ficando triste, lenta, cinza, espectral.
Preciso do azul do céu, da luz amarela sobre as copas das árvores, da magia do arco íris despedindo-a e trazendo de volta o brilho do sol.
Agradeço todo santo dia a sorte que tive ao vir viver justamente em Madrid, onde até no Inverno o céu é alegre e brilhante, com tons de azul absolutamente incríveis.
Pois sim… em Galícia chove demais. E quase sempre o ano inteiro.
Dizem que eu tive muita sorte nas três ou quatro vezes vezes que estive ali, pois São Pedro estava de férias e deixou algum anjo desavisado em seu lugar. Resultado: chovia em toda a Espanha, menos na Galicia. Bárbaro!
Desta vez estive ainda mais agradecida do despistado anjo porque o meu programa incluía uma navegação à vela com o meu Lobo do Mar.

Hum! Que delícia de dia.
Brisa forte, mar gelado – a gente se acostuma com tudo nessa vida! – um barco diferente do que havíamos imaginado, mas afinal um dia muito gostoso.
Descobri uma habilidade que não conhecia (sei dar rumo ao barco) e desmistifiquei o medo de enjoar. Passei muito bem, obrigada, apesar de saber que as condições de vento e de mar eram muito favoráveis e não havia motivo algum para marear-me. De qualquer forma serviu para garantir, num futuro próximo, a realização daquela fantasia tantas vezes escrita nas longas cartas apaixonadas que trocávamos anos atrás: Navegar juntos e sozinhos por algum lugar deste planeta.
Da Galícia eu trouxe lindas imagens guardadas na câmara e na memória, na boca um gosto de maresia e no coração um desejo de talvez.
Quem sabe em algum momento da vida eu passe lá uma estação inteira e não apenas uns poucos dias de férias.

É preciso apostar nos sonhos para que eles se realizem.
E escrevê-los sempre me ajudou bastante. Por isso estou aqui, de volta ao meu pequeno pedaço de universo virtual, tão abandonadinho, coitado! para tentar, mais uma vez, retomar meu prazer de escrever. Desta vez a ausência tem o nome de inferno astral… hohoho!
É verdade que eu já perdi as contas das vezes que pedi desculpas aos meus visitantes (me encanta que ainda venham aqui!) e prometi melhorar minha constância, mas cada vez tenho menos paciência com minhas impossibilidades tecnológicas. Assim que eu sou muito consciente que esse perdão eu nem mereço.
Enfim… deixemos para lá esse repetitivo assunto de minhas prolongadas ausências e voltemos à Galícia.

Estive em Marin, hospedada na casa de um amigo. A vista é simplesmente encantadora, a casa confortável e acolhedora, mas pouco permanecemos aí porque o que nos rodeia possui tal força atrativa que passamos os dias enfeitiçados entre um pueblo e outro, uma cidade e outra, visitando praias e antigas fortalezas, exprimentando mariscos e crustáceos estranhíssimos e saborosíssimos (dedicarei um post a eles)…
Como eu não escrevi sobre a minhas anteriores visitas, vou tentar resumir num único relato e talvez caibam em dois ou três posts as deliciosas descobertas que fiz dessa linda região espanhola. Vou começar por uma receita de polvo…hummm!
Sim?
Ps: Estou estreando o upgrade da Verbeat e ainda não estou muito bem com a configuração, as novas possibilidades, etc…
Mais dificuldades para mim, aprender tudo de novo! Uff!

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Categorias: Cicatrizes da Mirada | Tags: , | 5 Comentários

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5 opiniões sobre “Outra Vez em Galicia…

  1. Belo post, belas fotos.

  2. Socorro

    Não precisa se desculpar não. Seus relatos podem até demorar, mas são sempre maravlhosos. Nós é que temos que agradecer por você compartilhar isso conosco.
    Axé

  3. Que viagem mais bonita! Saudades de ti. Beijos

  4. Eu tô que nem tu. Com uma preguicaaa de escrever.
    E sua viagem viu? Morrendo de inveja, eu 🙂
    Saudades, linda amiga

  5. cleide

    Oi, Lindona!
    Saudades de bater papos e dar umas voltas contigo…quem sabe, logo!
    Feliz aniversario, Norinha; e mais do que muitos e muito anos de vida, que vc tenha muita intensidade e alegrias em cada um deles… te gosto

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