Arquivo do mês: abril 2008

Haruki Murakami… uma descoberta.

Já que eu quero voltar…vou aproveitar a disposição.
Então… eu gosto de escrever sobre o que eu estou lendo. Me ajuda a refletir sobre o livro, aprendo mais sobre o autor, recordo melhor os detalhes da história e por cima mantenho um registro da experiência. Além disso adoro compartilhar minhas impressões, seja sobre uma exposição, uma viagem, um filme ou um livro.
Agora estou lendo Murakami. Estou adorando! Ele é bárbaro!
O primeiro livro dele que li, no final do ano passado, foi Kafka en la Orilla. No Brasil se chama Kafka à Beira-Mar.
A novela é incrível! Tem um ritmo tão extraordinário que muitas vezes a gente simplesmente não pode deixá-la, fechar o livro e ir fazer outra coisa. E não porque a ação seja frenética. Pelo contrário, ele é capaz de descrever as mesmas ações simples e rotineiras inúmeras vezes, tantas quanto aconteçam. Isso funciona mais ou menos como signos. Provoca na gente a vontade de querer guardar aquele detalhe para depois, porque a pergunta “para que isso vai servir mais adiante?” não nos deixa em paz. Acabei grifando mil e uma passagens.
Fazia muito tempo que eu não grudava em um livro dessa maneira.
Murakami escreve há muitos anos, mas eu não o conhecia até o ano passado quando li uma crônica sobre ele no El Cultural, um semanário do jornal El Mundo. Guardei seu nome numa caderneta… e depois esqueci. Até que, numa daquelas tardes deliciosas de garimpagem na minha livraria preferida de Madrid, La Casa del Livro, o encontrei. Hum! A memória acendeu na hora! Comprei imediatamente e comecei a ler sem buscar nenhuma outra informação, nem sobre a novela nem sobre o autor.
Foi uma decisão acertadíssima! Ainda bem que eu mergulhei na sua criatividade sem borrá-la com as descrições secas e sem sabor que depois encontrei pela internet.
Mas, voltando a Murakami, fui conhecê-lo melhor depois que me apaixonei pelo livro. Li algumas entrevistas dele e gostei muito. Ele é uma criatura um tanto especial. Diz que aprendeu muito de seus escritores favoritos pois é tradutor de suas obras para o Japonês, mas se inspirou principalmente em Manuel Puig e García Marques para soltar a imaginação. E faz isso de uma maneira absolutamente própria e muito original. Fazer chover peixes é um bom exemplo.
Li Puig há muito tempo atrás ( Púbis Angelical, Boquinhas Pintadas, O Beijo da Mulher Aranha ) e García Marques leio constantemente. Posso entender que tenha se inspirado neles ( pensei antes nas Mil e Uma Noites, tanto que esse foi um dos meus pedidos de presente de natal ) mas o que esse escritor japonês fez comigo foi absolutamente novo.
Eu falava em voz alta enquanto lia! Ele me intrigava até quando descrevia a forma como os personagens lavavam os dentes e as mãos!

Assim. Eu ia entrando na história por um caminho, conhecendo um pouco os sentimentos de Kafka Tamura, um jovem que decidiu sair de casa no dia de seu aniversário de 15 anos para fugir de uma suposta profecia paterna: cumprir o destino de Édipo.
Eu seguia buscando compreender suas intenções, atenta a alguns traços de seu comportamento… e de repente um acontecimento inusitado, surpreendente, um “como assim, o que é isso?” desviou minha atenção e antes de poder encontrar um novo caminho que explicasse o que aquele estranho fato estava fazendo ali, surgiu um personagem intrigante, surrealista e irresistivelmente atraente, Nakata, um impressionante homenzinho de 60 anos que falava com os gatos.
Pronto. Como assim?! O que tem a ver um caso com o outro? Fiquei amarrada nos dois, curiosa para saber onde se encontrariam, como, por que? Se é que se encontrariam! Se é que… quanto mais lia mais dúvidas eu tinha.
O engraçado foi que ao mesmo tempo em que eu queria saber como o autor ia esclarecer toda a trama, não tinha qualquer pressa em descobri-la nem tentava resolver a possível ou impossível relação entre eles.
Tá bom. Admito que tentei uma ou outra vez resolver o mistério, pois era inevitável. Mas quando não consegui apenas me deixei levar pelo delicioso prazer de ler Murakami. Deixá-lo criar.

O texto é bom, bem escrito. Ele tem uma linguagem agradável, atual, conversada, gostosa. Faz a gente pensar com ele, seguir seus passos. ( A tradução espanhola é excelente e isso é muito importante! )Também procurei ouvir as musicas que ele citava ao longo da história, curtir as deliciosas conversas entre Oshima e Tamura ou entre Nakata e Hoshino, suas citações literárias, como tratava temas fortes como os tabus e preconceitos, morte e vida, realidade e fantasia. E aproveitei com prazer a experiência de ler uma novela fantástica, diferente, extremamente interessante e absolutamente absorvente.
E mais, comprei três exemplares para presentear alguns amigos. Adoro poder fazer isso!
Agora estou lendo Tokio Blues – Norwegian Wood.
Murakami outra vez.
Mas acho melhor escrever sobre este em outro post.
Ps: Sugiro não leiam a história antes de ler o livro. Fazer isso é perder completamente a emoção de mergulhar na criação do autor.
Ontem acabei lendo um comentário em Português apresentando Kafka à Beira Mar aos compradores.
Achei HORRÍVEL!

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O Carteiro e o Poeta. Um filme para nunca esquecer…

Um dos grandes prazeres de ter uma boa conexão é descobrir as pérolas do YouTube.

Il Postino ( O Carteiro e o Poeta ).
Para mim, este é um dos grandes filmes que eu já vi na vida. É daqueles para se ter e poder rever sempre que se queira.
Por muito tempo eu mantive um caderno onde escrevia todos os filmes que via, com comentários e fotos. Não sei em qual das mudanças ele se perdeu e foi uma pena tão grande que deixei de anotá-los.
Depois de séculos eu voltei a registrá-los num arquivo do micro, porque durante um ano ou dois um dos meus trabalhos era assistir filmes. O trabalho consistia em encontrar cenas que pudessem ilustrar um manual de habilidades presentes no comportamento dos líderes.
Era uma delícia de trabalho! Imagine quantos filmes eu tive que ver… a trabalho e em casa, com um pacote de pipoca, em plena segunda feira! Ho ho ho! Eu adorava!
Muitos de meus amigos me telefonavam quando estavam numa locadora só para que eu indicasse algum filme ou comentasse sobre outro que queriam alugar.
No Brasil eu tinha uma boa coleção de videos, mas tive que deixá-la com meu irmão porque aqui na Europa o sistema era outro.
Agora estou pensando seriamente em fazer uma pequena lista dos filmes inesquecíveis e ir comprando-os, pouco a pouco.
Talvez eu compartilhe essa lista aqui…
Então… vou começar por este. IL POSTINO me emociona tanto que choro as mil vezes que o veja. E a música é simplesmente extraordinária!

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Eu insisto…

Estou navegando outra vez… devagarzinho. Uso um computador emprestado que não gosto muito porque não tem acentos e eu tenho que escrever dentro do Gmail porque o Word dele funciona mal e de vez em quando apaga tudo.
A campanha está em pleno vôo…e o novo computador já vem no mês que vem. Rá!
Claro, por enquanto este aqui vale mas não é como ter os meus arquivos a mão, minhas fotos, minhas anotações.
Estou aproveitando para dar uma renovada nos links e visitar os blogs que eu visitava de vez em quando. Descobri que muitos desapareceram. Uns se despediram num último post, outros simplesmente deixaram de postar, alguns mais apenas mudaram de endereço, de cara, de nome.
Algumas pessoas tiveram suas histórias bruscamente alteradas por uma doença ou perda de um ser querido e seus blogs refletem essas mudanças. Vi que um bocado de gente mudou de cidade, de país…
Dentro da Verbeat  também houve um mundo de alterações. Gente nova chegando, gente saindo, gente abrindo outros blogs… mudanças que eu não acompanhei. Percebi que estava longe da net há um bocado de tempo. Mais tempo do que eu queria acreditar.
Quando comecei a blogar, em maio de 2003, fiz parte, por um tempo, de um grupo de blogueiros muito legal e podia, dentro das limitações da minha conexão, visitá-los com certa frequência. Depois de 2005 o boom de blogs foi tão grande que me perdi. Já não pude acompanhar a expansão… a não ser que pudesse ( e quisesse ) passar o dia ( e a noite ) no computador. Eu acho que nem assim…

Nunca aprendi a usar o RSS. Gostava de entrar no blog, gostava de ver a página em seu original.
Não entendia muito bem por que as pessoas valorizavam tanto o tempo que economizavam lendo os textos sem entrar no blog, até que me explicaram que precisavam ler entre 200 e 300 blogs por dia. Uff! Acho que fui ficando com um certo complexo de inferioridade. Passei a visitar dois ou três… por semana! Ou quatro por mês…Ou nenhum!
E foi assim que eu fui me desligando dos blogs e dos seus assuntos.
Mas eu quero voltar. Quero continuar a escrever aqui, mesmo sabendo que meus amigos de carne-e-osso e irmãos não lêem. Que a maioria dos meus amigos-virtuais de antes não vem mais aqui, que os prováveis visitantes que lêem um ou outro post através de alguma busca do Google nunca comentam nem deixam pistas maiores que o registro do contador.
Não importa. Vou voltar por mim. Porque eu gosto de escrever, porque preciso pensar alto e quando escrevo aprendo mais sobre mim ou sobre o tema que escrevo.
Tenho a sorte de ter também uns leitores-amigos-virtuais que nunca desistem de mim e sempre estão bisbilhotando o Língua atrás de novos escritos.
Vou tentar trazer uns posts antigos do Cicatrizes da Mirada, pois este sim, de vez em quando ainda recebo e-mail pedindo-me cópias de antigas publicações.
Antes me dava um certo corte repetir posts antigos, mas agora, aproveitando a “penumbra” e os poucos que ainda estão por aqui eu vou trazê-los, se não se importam.
É isso. Voltei.

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Onde está o Amor?

Victor Oliva_Absinthe
Marcia escreve assim:

“Cansado de mendigar amor, emudeceu. Aos poucos tornou-se transparente, diafano. Até que desapareceu. E ninguém, absolutamente ninguém, o percebeu.”

Minha amiga me diz o mesmo.

A linda, loira e alta criatura, desde seus maravilhosos 50 anos, depois de tudo o que já aprendeu na vida, dos belos quadros que pintou, dos três filhos que criou, do grande amor que compartilhou… repete baixinho para que só eu escute: “É que já ninguém me vê. Sou menos que um móvel da casa… estou ficando transparente…”
Às vezes me surpreendo demais com algumas coisas desta vida.

Foto. Absinth Drinker-Viktor Oliva

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