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Assim te amo.

Eu am10501666_10153101684756893_1145851939271694644_no-te sem saber como, ou quando, ou a partir de onde. Eu simplesmente amo-te, sem problemas ou orgulho: eu amo-te desta maneira porque não conheço qualquer outra forma de amar sem ser esta, onde não existe eu ou tu, tão intimamente que a tua mão sobre o meu peito é a minha mão, tão intimamente que quando adormeço os teus olhos fecham-se.

Pablo Neruda, in “Cem Sonetos de Amor”

Feliz Aniversário, meu Capitão.

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Coisas da Alma…

Pois sim…de vez em quando eu assisto na televisão uns programas maravilhosos que são exibidos no início da madrugada. Não entendo porque passam tão tarde! São assuntos que interessariam muita gente, eu acredito.
Vou contar uma das reportagem que eu assisti e que me fez arrepiar a nuca. Lembrei dela bisbilhotando meus arquivos.
Um garoto indiano, aos dois anos, dizia a sua mãe que ele não fazia parte daquela família e que seu nome não era aquele pelo qual o chamavam. É claro que seus pais levaram a coisa na brincadeira, mas o menino insistia em dizer que ele não deveria estar ali e sim na cidade tal, que agora esqueço o nome.
Quando estava com oito para nove anos, os pais e ele viajaram pelo país e ao passaram pela tal cidade, ele disse que sabia onde tinha morado e reconheceu a loja que tinha, antes de morrer. Disse que tinha sido assassinado e que tinha uma mulher e filhos.
Os pais ficaram assustados. Levaram o menino ao médico. Nada. Tudo normal. Louco não era. Voltaram para casa… mas então não podiam mais ser os mesmos e decidiram voltar a visitar a cidade onde o garoto dizia ter vivido. Ele reconheceu sua antiga casa e chamou pelo nome a sua mulher.
Para que ela o reconhecesse, contou a ela sobre os presentes que tinham ganho no casamento e como a chamava na intimidade de seus dias de casados. Contou que se lembrava de quando cada um dos seus dois filhos nascera. Contou também o que havia acontecido no dia de seu assassinato…
Choravam todos…
Arrepiei. Chorei também.
Essas histórias sempre me deixam assim, confusa, cheia das perguntas.
Sempre senti a minha alma à flor da pele. Como se ela reconhecesse lugares e pessoas que eu vejo pela primeira vez.
Quando era mais jovem, em alguns momentos, parecia como se sentisse saudades de algo indizível, um nem sei o que, como se sofresse a presença constante de uma falta.
Quando vi olhos-de-mar-azul pela primeira vez, senti saudade. Como assim sentir saudade de um desconhecido?  Minhas primeiras perguntas para ele eram absolutamente incompreensíveis: “Onde estava? Por que demorou tanto?”

Apesar da força deste sentimento demorei muito para acreditar nele e tomar uma atitude.
Também, como me olharia se eu me aproximasse e fizesse as tais perguntas?!
Ainda bem que pude – depois de anos e mesmo assim meio de brincadeira – contar-lhe o impacto que foi encontrá-lo naquela festa. Por escrito, claro. Mais ou menos protegida de fazer um papel ridículo. O melhor foi que ele não achou ridículo e pode também contar-me o que sentiu naquele momento. Ho ho ho!
Se não tivéssemos apostado naquela sensação, quem sabe como estaríamos agora?
O que sabemos da alma? Somos tão ignorantes dela que às vezes esquecemos de tentar compreendê-la, entender sua linguagem, decifrar suas mensagens, apalpá-la, acarinhar sua superfície tênue, conversar com ela.
Clarice Lispector, a escritora irmã da minha alma, gêmea do meu corpo sutil, que aprendeu a conversar com a própria alma melhor do que ninguém, dizia assim:

“… Minha alma não é imaterial, ela é do mais delicado material de coisa. Ela é coisa, só não consigo consubstanciá-la em grossura visível.
Ah! Meu amor, as coisas da alma são muito delicadas. A gente pisa nelas com uma pata humana demais…”

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Viver … e Contar.

Não sei como agradecer os comentários deixados no post anterior. Acho que dizer obrigada é pouco.
Pensei que falar das Cicatrizes e como elas se produziram, além de gerar um bom assunto para conversar no blog, ajudaria algumas pessoas a identificarem sintomas seus, passados ou presentes.
Em vez de escrever sobre depressão usando um texto técnico, poético ou subjetivo, escolhi contar uma história. Esse é meu ponto forte.
Gostaria de saber fazer diferente e escrever como alguns blogueiros que eu visito e que admiro pela classe e estilo, mas não sei. Eu sei contar histórias.
Enquanto pensava em como expressar em palavras o que havia vivido, li alguns textos fortes sobre o mesmo assunto em outros blogs que me ajudaram muito. Excelentes posts, como o poema que li na Helô ou como o texto da Adelaide Amorim, que gentilmente concordou em que eu o utilizasse como ponto de apoio.
Cada um usa suas ferramentas. Eu usei as minhas.
Fácil não foi. Mas o difícil existe para ser superado.

Desvelar-me não constitui um problema para mim. Não mais.
Exige um tanto de coragem, é verdade. Mas esta eu herdei da Princesa, como disse num dos posts anteriores. E tenho meus filtros… nem tudo está escrito aqui.
Eu sei que a exposição pode, às vezes, trazer consequências desagradáveis. Entretanto, tive a sorte de que a esmagadora maioria dos que estiveram nesta página durante estes dois anos e pouco ( tanto os que deixaram seus comentários quanto os que calaram suas opiniões ) terem sido, no mínimo, educadas e maduras. Algumas delas já considero amigos, tal a atenção e afeto que expressam e que eu retribuo.
Também recebi inúmeros e-mails durante todo esse tempo. Alguns sentiram-se como se estivéssemos juntos, conversando no sofá da sala ou confortavelmente instalados na mesa da cozinha, tomando um café na caneca azul, esperando os biscoitos perfumados saírem do forno. E contaram-me também suas histórias.
Sobre o curto-cicuito, escreveram-me pedindo que continuasse o assunto, pois precisavam saber como sair de suas penumbras.
O mesmo aconteceu antes, com a minha história de amor em capítulos, que muitos acompanharam cheios de esperança renovada de que era possível sonhar e viver um amor de verdade, outros porque se divertiam, viam poesia ou simplesmente gostavam de minha forma de escrever.
Creio que o tema central do Língua de Mariposa é esse: cumplicidade de sentimentos. Sejam eles dolorosos, nostálgicos ou bem humorados.
Tento comparti-los com honestidade, transparência e boa vontade.
Escrever é meu vício.
“Viver Para Contar”, diz García Marquez.
“Confesso que Vivi”, disse Neruda
Não sou escritora, nem poeta… mas vivo.
E confesso que gosto de contar.
Com toda intensidade.

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Adiamento…E Poesia. (Depressão)

Pois…
Sento-me aqui, em frente à folha em branco do word e escrevo reticências…
É tão difícil descrever o que é sentir-se ameba!
Como encontrar palavras para expressar uma morte simbólica, o medo, a penumbra da alma?
Pedi ajuda a um velho amigo.
O poema de Fernando Pessoa é assinado por Álvaro de Campos.
Eu, assim como ele, queria ter ( ou ser ) heterônimos. Não tive.
Assim que, por favor, esperem que me refaça das dores que as lembranças causam.
Permitam-me que seja reticente…
Há dores que mesmo quando passam, voltam a doer só de olhar para elas.
………………………………….
Adiamento
Depois de amanhã, sim, só depois de amanhã…
Levarei amanhã a pensar em depois de amanhã,
E assim será possível; mas hoje não…
Não, hoje nada; hoje não posso.
A persistência confusa da minha subjetividade objetiva,
O sono da minha vida real, intercalado,
O cansaço antecipado e infinito,
Um cansaço de mundos para apanhar um elétrico…
Esta espécie de alma…
Só depois de amanhã…
Hoje quero preparar-me,
Quero preparar-me para pensar amanhã no dia seguinte…
Ele é que é decisivo.
Tenho já o plano traçado; mas não, hoje não traço planos…
Amanhã é o dia dos planos.
Amanhã sentar-me-ei à secretária para conquistar o mundo;
Mas só conquistarei o mundo depois de amanhã…
Tenho vontade de chorar,
Tenho vontade de chorar muito de repente, de dentro…

Não, não queiram saber mais nada, é segredo, não digo.
Só depois de amanhã…
Quando era criança o circo de domingo divertia-me toda a semana.
Hoje só me diverte o circo de domingo de toda a semana da minha infância…
Depois de amanhã serei outro,
A minha vida triunfar-se-á,
Todas as minhas qualidades reais de inteligente, lido e prático
Serão convocadas por um edital…
Mas por um edital de amanhã…
Hoje quero dormir, redigirei amanhã…
Por hoje, qual é o espetáculo que me repetiria a infância?
Mesmo para eu comprar os bilhetes amanhã,
Que depois de amanhã é que está bem o espetáculo…
Antes, não…
Depois de amanhã terei a pose pública que amanhã estudarei. Depois de amanhã serei finalmente o que hoje não posso nunca ser.
Só depois de amanhã…
Tenho sono como o frio de um cão vadio.
Tenho muito sono.
Amanhã te direi as palavras, ou depois de amanhã…
Sim, talvez só depois de amanhã…
O porvir…
Sim, o porvir…

Álvaro de Campos

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