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Volver…

Elas estão de volta. As mulheres de Almodóvar.
E o público agradece.
Não sei quando passará no Brasil, mas aqui já estreou e eu fui – com muito gosto – entregar-me a Volver
O novo filme do diretor espanhol Pedro Almodóvar, um “homem de la mancha”, é um banho de luz e cores, de força e vitalidade femininas.
Esse é seu mais profícuo território. E ele sabe.
Como um Don Quixote moderno, Pedro desvela, recria, desperta – em cada personagem – as Dulcinéias que existem dentro das muitas Aldonzas que a vida maltrata.
Volver é uma história de repetidas histórias. Daquelas que a gente sabe acontecer com frequência nas sociedades do primeiro, terceiro ou quinto mundo. Mãe, filhas e neta que recebem porradas do mundo masculino e ainda assim são capazes de sobreviver e dar a volta por cima. São vítimas e algozes. Anjos e demônios. Amáveis e duras. Mulheres fortes e frágeis ao mesmo tempo. Mulheres divertidas e trágicas. Capazes de revelar a beleza do amor, da solidariedade e da cumplicidade apesar de condições extremas e complexas.
E quando se unem, seja nos risos e cantos, seja nas dores e misérias, transbordam.
Volver é isso. Um transbordamento. Verdades e mentiras, segredos e revelações se mesclam num jogo de cenas reais e surreais, retratadas com um talento espetacular.
Pedro consegue explorar temas importantes como a violência doméstica e de gênero, a enfermidade e a morte com uma crua leveza que sempre surpreende.

O filme é um prazer do início ao fim.
Penélope Cruz está linda, madura, envolvente. Uma mulher de carne e osso, bela por seus predicados mas também por suas imperfeições. Lembra, em alguns momentos la Loren.
Yohana Colbo faz de filha. É a nova chica -Almodóvar. Eu ainda não a conhecia, mas já tem um sólido currículum na cinematografia espanhola.
Carmem Maura ( desessete anos sem filmar com Almodóvar) dá um show de interpretação como a mãe que “volta do além”.
Lola Dueñas ( Rosa, de Mar Adentro) é uma das minhas atrizes espanholas preferidas e também está perfeita no personagem da irmã que eu queria ter.
E Blanca Portilho, que está magnífica no papel da vizinha de toda a vida. Uma vizinha como as que a gente precisaria nos momentos difíceis! Daquelas de pueblo pequeno. A que cuida, a que sabe das coisas, que tem a chave da nossa casa e das histórias que circulam através dos tempos, nossas ou de outros…
Volver é isso. Uma das muitas história que se pode contar sobre a história das mulheres, em todos os tempos e todos os cantos do planeta.
Acontecimentos mais explícitos em alguns, mais obscuros e escondidos em outros, mais reais ou surreais, porém presentes nos quatro cantos do mundo!
Volver não é comédia nem drama, embora seja um tanto de ambos. Tem a porção e a medida exata dos dois. Como as mulheres.
Como a vida e a morte.

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