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Cicatrizes da Mirada

Queridos, um dia desses eu descobri que um amigo virtual, que vive em Petrópolis, no Brasil, havia guardado num arquivo, meus primeiros posts, escritos em 2003. Ele teve a delicadeza de me enviar um CD para que eu não os perdesse para sempre. Não é lindo isso? Não é maravilhoso esse laço que nos envolve através da escrita?

Para meu desfrute pessoal, vou guardá-los aqui e talvez compartilhá-los com novos leitores.

O blog começou como Impressões depois passou a ser Cicatrizes da Mirada. Esse é meu primeiro post.

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Meus amigos.

Encontrei uma forma de repartir com vocês minhas impressões sobre a experiência maravilhosa que estou vivendo. Descobri o mundo dos blogs!

A Espanha surpreende em cada esquina…

Eu vou tentar escrever sobre as cidades, os museus, as histórias, a culinária… quer dizer, sobre o que me der vontade.
É mais ou menos como um e-mail coletivo!

Espero que gostem!

 
Quinta-feira, Março 27, 2003

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Por causa de Lucia…

Pois é…

Um dia abri meu Facebook e encontrei uma cartinha assim:

“Olá Nora, Desculpe-me por estar neste seu espaço.

Há tempos atrás lia de vez em quando suas mensagens no blog língua de mariposa. Gostava de sua partilha que me parecia uma pintura com os detalhes que davam vida a narrativa que fazia. Fiquei um bom tempo depois sem entrar nele, mas ficou arquivado no meu FAVORITOS junto com outros assuntos que julgo interessantes. Hoje, me veio a vontade de entrar lá e ver qual novidade Nora estaria partilhando após um bom tempo e me surpreendi com o seu anúncio do final do blog já ocorrido desde o ano passado. Gostei da imagem da passagem – o Bardo de seu blog – “virar poeira de estrelas”. Enfim, quero deixar registrado que gostei de ter navegado em seu blog (e o seu foi o primeiro blog que acessei por indicação de uma amiga – normalmente não tinha interesse em blogs), em sua inteireza nas partilhas e até nos silêncios. Te desejo Paz e todo o Bem.

Com carinho Lucia ”

Gostei muito e guardei. Tentei apenas agradecer e seguir meu caminho… mas não pude. Acho que vou voltar a escrever. Não sei se manterei o nome do blog… talvez ele escolha outro. Algo se partiu nas muitas vezes que teve que ressussitar. Sigo feliz, Lucia. Isso é o melhor de tudo.

Obrigada pelo carinho.

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Curtinhas…

Os blogs andam a seu ritmo. Todo mundo que tem um já sabe. Mas o meu, de vez em quando, flutua no éter do abandono. Eu acho que é um mal sinal.
Não é que tenha mais coisas a fazer, é que faço o que tenho que fazer muito devagar… e o pior é que descontinuamente.
Começo e paro… e volto… e vou. Minhas tarefas se entrelaçam durante o dia. É um esforço terminá-las.
Descubro toalha de prato na estante da sala, a tesoura da cozinha dentro do guarda roupa, minha mesa de cabeceira com tudo que deveria estar no banheiro… e olho pra ela e deixo assim mesmo…
Muitas vezes me assisto parada, fazendo nada…
Meda!
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Minha amiga linda, a Virgínia, do Além do Atlântico, está passando um prova difícil hoje e amanhã.
Estou aqui, COM TODO MEU CORAÇÃO em sintonia, querida!
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O verão é gostoso porque a gente tira de cima dos ombros o peso das roupas do inverno, veste coisinhas frescas e sandálias bonitas… mas precisava fazer TANTO CALOR?!
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Madrid dá de presente a música do Teatro Real. Grátis, na praça bem em frente ao Palácio Real, todos os dias, ao anoitecer.
Aqui anoitece às 22:00hs. Tóin!
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Fui ver a exposição de Joaquim Sorolla, no Museo del Prado. Imperdível. Um conjunto de pinturas que dificilmente poderão ser vistos juntos em outra oportunidade. Quadros de coleções particulares, painéis vindos de Nova York. Belíssimos! Espetaculares! Vou escrever um post.
Babei!
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Agora está na moda as curtinhas, é?

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Ela voltou…

Laura me chamou para jogar e eu fiquei feliz da vida só por ela estar querendo brincar comigo e voltar ao seu blog. Ela é uma das primeiras pessoas com quem eu fiz contato em meu primeiríssimo blog, em maio de 2003.
Laura, junto com Milton Ribeiro, Chico Sena, Zadig, Angela Lemos,Tomaz Magalhães, entre outros poucos leitores que eu tinha na época do Impressões, foram os grandes incentivadores para que eu seguisse escrevendo apesar dos boicotes da Globo e do Mblog.
Ela é uma querida e, mesmo que nunca tenhamos nos encontrado, sabemos que será bárbaro quando aconteça. Vou agradeçer ao Zadig e ao Chico por trazerem-na de volta o Pensamentos de Laura.
Aí, vai a brincadeira.
1ª) Pegar um livro próximo (PRÓXIMO, não procure);
2ª) Abra-o na página 161;
3ª) Procurar a 5ª frase completa;
4ª) Postar essa frase em seu blog;
5ª) Não escolher a melhor frase nem o melhor livro;
6ª) Repassar para outros 5 blogs.


O livro: Dicionário de Citações.
A frase é de Cicerón: “ No hay fase en la vida, pública o privada, libre de deveres” ( Não há fase na vida, pública ou privada, livre de deveres )
Só não vou repassar para outros 5 blogs porque eu também passei um bocado de tempo longe daqui e nem sei para quem ofereçer a brincadeira. Perdão.
Mas…se você quer brincar tome o exemplo acima e faça o mesmo. Depois venha me buscar que eu vou lá no seu blog ler, está bem assim?
PS. Estou morrendo de vontade de fazer a brincadeira diferente.
Quero escolher o livro e a frase. Ho ho ho!

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Navegar é preciso…

Neste imenso mar de blogs, a ampla navegação está cada vez mais difícil de dominar, mas os encontros virtuais, pelo menos para mim, continuam sendo pequenos e delicados toques de carinho.
Apesar da minha inconstância aqui, e também nas páginas daqueles que eu visito de vez em quando, os sinais que tenho recebido desde imenso oceano têm sido sempre tão encantadores como quando éramos apenas um diminuto lago nesse vasto planeta cibernético.
Outro dia eu publiquei um fragmento de texto cuja autoria estava creditada a Fernando Pessoa. Eu o encontrei enquanto estava à deriva, num destes passeios cegos que fazemos e não sabemos nem de onde vínhamos nem onde chegamos. Só sei que ele estava em uma página espanhola e precisei traduzí-lo, pois em Português não aparecia por nenhuma busca realizada.
Após alguns dias, dois amigos blogueiros comentaram comigo que o fragmento poderia não ser do poeta português, pois a Internet está inundada por poesia e prosa de outros, atribuídos a ele. Confesso que também eu comecei a duvidar da autoria, pois entre meus livros de prosa de F. Pessoa não encontrei o tal fragmento.
Acontece que me doía que não o fosse e cada vez que o lia, reconhecia um tom, um algo,um sussurro que soprava dentro do ouvido e que era um som reconhecido, dele e meu, de alguma época de meu passado, remoto tempo em que eu fiquei sem deus, sem mãe, nem pai, nem irmão, nem amigo… abandonada por mim mesma dentro de um poço.
O texto era tão “ele” que ainda resisti a retirar a assinatura, até que um dia pensei que era minha obrigação retirá-la, porque as pessoas que por acaso acessassem o blog poderiam enganar-se como eu havia me enganado.

Uma bela manhã destas, um suave toque na caixa de comentários me devolvia o sorriso. Que alegria! Um navegante desconhecido enviava-me uma mensagem, uma garrafa-mail com um singelo bilhetinho. Avisava-me que o texto era de Fernando Pessoa, mais específicamente do seu semi-heterônimo, Bernardo Soares. Segundo ele, o texto publicado fazia parte do fragmento 88 do Livro do Desassossego.
Êba! Eu tenho! Eu sabia! Eu sabia!!!!
Extremamente feliz, agradeci e fui correndo buscá-lo na estante. Contei os fragmentos um a um, pois em meu livro eles estão separados por um pequeno símbolo. Não o encontrei… como assim?
Pronto… agora o que fazer com essa agulha enfiada na garganta?
Enviei ao novo amigo navegante, Luiz Madureyra, um SOS pedindo um detalhe maior,. Minha edição organizava os fragmentos por temas e em capítulos, o que significa que os textos estavam dispostos ao gosto de seu editor. Que desassossego!


Apesar de possuir o livro desde 1986 e ter sido um dos poucos que eu pude trazer do Brasil, fazia já um bom tempo que não o tomava nas mãos.
Reencontrá-lo foi um presente delicioso…mas foi também um exercício de memória e dor que eu não esperava fazer agora.
Enquanto buscava e buscava, encontrei-me outra vez com a impressionante linguagem do guardador de livros, sua tristeza, sua solidão… suas conversas com as ruas de Lisboa, com os livros das entantes, com um deus que o deixava entregue à própria sorte, com o cinismo triste de quem não tinha esperanças, nem para si nem para o mundo e sem sequer saber onde buscá-las.
Pois sim…
Delicadamente, Luiz Madureyra respondeu que encontraria uma maneira de ajudar-me. Ele entrou em contato com Bill, outro navegante desses estranhos e enigmáticos mares… que enviou-me outra garrafa, (moderna e antiga forma de trocar informações) com um link de um site maravilhoso, onde eu poderia localizar essa obra e muitos outros artigos.
Fantástico, não é?
Obrigada aos dois. Por me ajudarem a confirmar a autoria do texto e também por fazerem com que eu voltasse ao Livro do Desassossego e pudesse novamente desfrutar de reflexões tão fortes e tão profundas!
Bill também tem dois outros blogs, um deles dedicado a Fernando Pessoa e outro dedicado a Florbela Espanca.
Que grande achado! Estou louca para mergulhar neles!
Aos amigos blogueiros Meg e Manoel Carlos também agradeço pelo toque delicado da dúvida, só assim foi possível desenlaçar o nó e consolidar a autoria do fragmento.
Que bom poder contar com vocês, sempre!
Então…
Aproveitando o assunto… penso que se todos nós fizéssemos o esforço de confirmar a autoria de determinadas mensagens que recebemos por e-mail, poderíamos minimizar a quantidade de falsificações literárias que correm pela Internet.


Já recebi tantos Fernando Veríssimo, Neruda e Garcia Marques cuja simples observação do estilo e do vocabulário já descartaria que tivessem sido escritos por um desses escritores!
Neruda então, vem cada uma!
Também tenho recebido textos de anônimos assinados por jornalistas conhecidos e famosos que, claro, nunca os escreveram, assim como notícias truncadas sobre circunstâncias da política ou da economia brasileira que já foram desmentidas ou apenas são interpretações manipuladoras dados fatos.
Vou atrás, investigo, pergunto. Na maioria das vezes dá para descobrir a verdade ( ou a mentira ), outras não, mas sempre procuro ler e analisar com bom senso e jamais passá-las adiante no impulso e no calor da hora.
Aborto a corrente aqui mesmo.
Sei que isso não muda em nada o panorama das redes do ” vamos jogar no ventilador que ninguém confere mesmo a veracidade das informações que recebe” mas pelo menos faço a minha parte.
Faço questão de não contribuir para aumentar o seu alcance através dos meus contatos.

Tenho meus próprios filtros para spams e com eles eu vou ainda mais longe.
Vejo-os como se fossem os vírus que vêm por meio de links e frases de efeito… e apago-os todos (ou quase todos) antes de ser infectada.
Há tantas maneiras de adoecer…

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Companheiros de Cabeceira…

Pois sim…
Meu amigo pernambucano, Manoel Carlos, dono do blog Agreste pediu-me há mais de um mês que eu escrevesse um post sobre o livro que habita, neste momento, minha mesinha de cabeceira. Parece-me que o pedido faz parte de uma rede, como uma corrente entre blogs.
Como podem ver, eu não respondi no tempo ideal, mas como prometi e promessa é dívida, não é?
Então…

Sempre tenho entre quatro ou cinco livros abertos à minha volta…
Geralmente há uma novela, um de poesia, outro de arte ou história. Talvez uma biografia ou um ensaio.
E muitas vezes um daqueles que é para o resto da vida. Aqueles que a gente lê e relê e relê… e para sempre vai ler!
Preciso urgentemente de uma cabeceira mais ampla! Inclusive já estou desenhando uma cama, para um futuro breve, que tenha uma pequena estante no lugar do espelho. Ho ho ho!
Qual deles vou abrir em diferentes horas do dia ou da noite, depende de minha alma.
É verdade. Ela é quem escolhe. Meu espírito pede poesia ou arte nas noites mais inquietas, de insônia, de medos com nome ou sem…
A poesia me acalma. Me envolvo na música contida dentro de cada verso, me apaixono pelo poeta e pelo objeto de sua poesia, quero não apenas senti-los, mas poder recitá-los em voz susurrada, para escutar seu canto e com ele acalmar as ânsias de meu coração…
Pareço meio bêbada quando leio poesia… mas quase sempre não sei comentá-la. Com ela meu amor é platônico. Eu só sei vivê-la. Por isso fico sem jeito quando quero deixar um comentário nos blogs maravilhosos de Márcia Maia, Dora ou Sílvia Shueire. Essas mulheres arrasam!

Eu as admiro imensamente, mas só consigo respirar diferente quando leio o que escrevem. Se fosse comentar seria com as próprias palavras que elas usaram para seus versos…aí eu travo.
Qualquer dia vou pedir permissão para publicar alguns de seus poemas aqui.
Quando estou mais tranquila, serena, posso encarar melhor as novelas, viver suas tramas, sentir as emoções de seus personagens, mergulhar nas suas experiências.
Ultimamente ando muito sensível. A violência, a crueldade, a insensibilidade das pessoas ao causar o sofrimento alheio me magoam tanto! Evito, quando posso, o noticiário da TV sensacionalista, sanguinolenta, o filme carniceiro, a maldade crua como “meio de entretenimento”.
Em alguns momentos até evito retomar a novela que estou lendo para não permitir que ela me revolva o estômago ou degenere a esperança que insisto em manter na generosidade dos seres humanos. Se estou desorganizada em meus sentimentos, prefiro esperar pelo dia seguinte.
Algumas novelas tiveram que esperar semanas!
Enquanto estava lendo Os Pilares da Terra, de Ken Follet, ou A Ponte de Alcântara, de Frank Baer, sonhava noites seguidas com a miséria humana, a forma despiadada com que eram tratadas as mulheres em todos os tempos e todas as culturas e religiões, o comportamento mesquinho e falso das instituições políticas e religiosas, que a priori existiam para defender, proteger, educar as pessoas…
No entanto, achei ambas novelas maravilhosas, porque traziam cultura, história, religião, costumes de épocas e povos distantes para dentro de minha casa e eu podia viajar no tempo, na história, sem mover-me do sofá!
Mas precisava estar tranquila, em paz interior, para poder ler e resistir à vontade de deixar cair o livro no chão e chorar de tanta tristeza e desesperança… ou atirá-lo na parede em frente, de tanta raiva!
Se pelo menos eu pensasse que aquelas crueldades aconteciam “naqueles tempos” bárbaros e que havíamos evoluído como humanos do século XXI!
O pior é que não, não evoluímos. É só assistir os noticiários…
Ah!… tem dias que eu não aguento mesmo!
Arte! Isso sim. Ah! Que delícia!
Um bom livro sobre arte… uma boa música e uma infusão de ervas relaxantes, bem quentinha ( uma saudade do cigarro! ) e meu astral começa a entrar em equilíbrio. Gosto de ler sobre pintura, escultura, fotografia, cinema. Gosto de ler sobre música, sobre músicos de todos os tempos. Mas sei tão pouco!
Gosto também, ultimamente, de arte culinária, coisa que eu nunca fui muito chegada até pouco tempo.
Tá bom! Se a desorganização interna for muito grande, melhor esquecer o livro sobre os doces árabes, por exemplo! Nesses momentos, ler sobre comida pode despertar uma das minhas bruxas más e fazer-me engordar só com a saliva que as fotografias me provocam.Shiiii!
Taí, está sendo muito bom comentar sobre tudo isso. Até agora eu fazia as escolhas sem tanta consciência da interrelação entre minhas leituras e meu estado de ânimo…
Hum! ainda não atendi o pedido do meu amigo!
Apesar da demora, vou falar dos livros atuais. É quase outro post, mas como tenho escrito pouco… lá vou eu.
Agora estou com quatro livros na minha cabeceira. Eles andam do quarto para o sofá da sala ou a rede do invernadeiro. E podem ser substituidos, provisoriamente, por artigos de jornais e revistas ou textos que recebo pela Internet e que imprimo para ler depois de cortar a conexão…pinnnnnn!
A novela chama-se El Corazón Helado, de Almudena Grandes. Estou adorando! Gosto muito do estilo dessa escritora. Gosto da forma como ela desenvolve os personagens, como faz a gente ir desenhando mentalmente seus traços físicos, seus afetos, suas almas, enquanto a gente vai entrando por eles, como atravessando suas peles, vivendo, sofrendo e amando junto com eles.
Gosto como organiza a história, navegando entre passado, presente e avisando um pouco o futuro do personagem no mesmo momento da ação.
Gosto como faz sua gente falar com a naturalidade de uma conversa real e corriqueira, cada qual com seu acento natural de lugar ou de época vivida.
Adoro como costura o diálogo com a narração, sem sair do parágrafo.
Almudena constrói esta sua última novela com as vidas entrelaçadas de emigrantes, exilados da guerra civil espanhola e seus descendentes. Mostra como eram suas vidas no exílio e como foi voltar ao próprio país tantos anos depois… e reconhecê-lo nos cheiros, nos gostos, na luz de seus céus…
Ainda nem cheguei ao meio do livro… depois conto mais.

Como sei pouco sobre a Guerra Civil na Espanha, tenho que acompanhar a leitura com um livro de História que me ajude a localizar onde está a ficção da novela e onde a realidade daquele conflito no país.
Utilizo agora a Breve História de España, de Fernando García de Cortázar e José Manuel González Vesga.
Tem sido simplesmente fantástico juntar os dois livros! Aprendo muito!
A linguagem é simples, direta, sem desvios.
Como o livro pretende ser uma explanação breve, os autores centram-se nos fatos concretos, o que não os impedem de traçar linhas de interelações com as circustâncias históricas universais.
Indico esse livro a quem quiser conhecer, em linhas genéricas, a história desse belo país.

Também tenho um volume sobre Tintoretto por perto, pois depois de ver a última exposição do magnífico pintor italiano, em Madrid, no Museo del Prado, estou querendo saber mais sobre ele e suas obras, para escrever um post.
Confesso que está meio abandonado. Mas vai sair…
Estou enamorada de dois de seus quadros. Um deles vive eternamente no museu madrileño e sempre me demoro diante dele. Chama-se El Lavatorio.
O segundo é sobre a mitologia, Suzana en el Baño. Ambos maravilhosos!
Vou escrever um post daqueles de antigamente, dos tempos do Impressões ou Cicatrizes da Mirada. Quando der…
Voltando à cabeceira…

O livro de poesia é uma compilação de poemas de amor em língua espanhola que ganhei do meu Lobo do Mar, e que voltou há pouco para a mesinha de noite.
Durante a tal crise eu precisava recordar umas emoções que ele havia me provocado, mais de cinco anos atrás. Chama-se Antologia de las Mejores Poesías de Amor en Lengua Española, de Luis María Anson.
E, para terminar, ganhei de uma amiga muito querida, quando voltava de Recife , um delicioso livro de Gilberto Freyre, Olinda – 2° Guia Prático, Histórico e Sentimental de Cidade Brasileira, com apresentação e atualização de um dos maiores conhecedores da obra freyriana, Edson Nery da Fonseca, morador de Olinda e professor emérito da Universidade de Brasília.
Esse também está na minha mesinha de cabeceira… e vai e volta comigo para a rede do invernadeiro, que está cada dia mais irresistível!
Assim tenho passeado pela casa e pelas horas, acompanhada desses livros fantásticos…
Finalmente ando sem pressa, sem agonia para terminá-los e iniciar outros – angústia que me acometia cada vez que via a quantidade de livros bons que temos nas estantes e que eu gostaria de já ter lido – aproveitando para saboreá-los como eles merecem.
Bom, meu amigo, perdoe-me pela demora. Eu tardo mas tento não falhar demasiadas vezes.
Obrigada por haver indicado a mim, uma blogueira tão inconstante e cheia de silêncios.

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Para Pensar…

“Um dia a velha pianista abriu a janela e viu uma menina sentada na varanda do vizinho.
– Como vai, garotinha?
Como já não enxergava muito bem, a velha pianista catou na gaveta da escrivaninha seus óculos de aro de metal e os ajeitou sobre o nariz.
Não havia nenhuma menina na varanda. Apenas a escultura de um anjo, em cima de uma mesa.
Mais do que depressa, a velha pianista devolveu os óculos para a gaveta e abriu um pequeno sorriso:
– Que dia frio, hem, garotinha? Parece que esse ano o inverno vai ser bravo…”
(A Menina da Varanda – Léo Cunha)

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Casa de Amigo…

Pois… há séculos que eu não respondia um questionário.
Mas este é especial.
Vem da casa de um Agrestino arretado a quem eu já quero um bem danado.
Antigamente, em Casa Forte, havia uma casa que todo mundo frequentava. Era uma casa com enorme jardim e grandes terraços decorados com cadeiras de vime cobertas por almofadas coloridas, redes penduradas nas colunas, cestas de samambaias, santos de madeira e belas carrancas.
Os cheiros de livros e gosto de música mesclados com os de alho e cebola refogados na manteiga e azeite pelas manhãs ou goiabas amassadas no açúcar pelas tardes e espalhados no ar pelos ruídos que vinham da cozinha habitada pela Assunta, dona de mãos mágicas para todo tipo de comida boa, especialmente doces e sucos nordestinos.
Amigos chegavam sem prévio aviso, tocavam o badalo de latão pendurado no portão e entravam direto ao terraço do fundo. Se aboletavam em qualquer assento e lá vinha  Assunta com um cafezinho ou um suco, um sorriso lindo na cara larga de negra feliz.
Havia sempre alguém com quem conversar. Amigos levavam amigos, que imediatamente se transformavam também em amigos.
O dono da casa era sertanejo e sua casa funcionava assim como uma hospedaria para familiares e quem quer que viesse do sertão pernambucano.
Os frequentadores assíduos da casa não tinham mais que chegar e ficar o tempo que quisessem, conversando com o parente distante que nunca haviam visto na vida ou apenas lendo um jornal esquecido sobre uma cadeira ou um livro escolhido nas estantes do grande salão eternamente aberto e convidativo.
Assim mesmo é a casa do Agrestino arretado de quem falo aqui.

Manoel Carlos tem uma casa (virtual) igualzinha àquela de Casa Forte. Fresca, aconchegante, com cheiro de livro e de música, de alho e cebola, de bolo de rolo e doce de goiaba quente.
A gente chega e encontra gente de todas as idades, idéias, crenças, nacionalidades. Poetas, escritores, músicos, cozinheiros, cantadores, contadores de histórias.
E ainda tem o terraço decorado por janelas espetaculares para as belezas do Brasil…
É chegar e tomar assento… Escutar apenas ou dizer algo é escolha do amigo, ou amigo do amigo… ou passante que não resistiu à aura de camaradagem que escapa pelo portão e então, curioso, toca o badalo e entra para ver o que passa ali, e se apresenta e senta junto… e se quiser vira amigo.
Assim é a casa de Manoel. Só falta mesmo a Assunta aparecer de repente e oferecer o café recém coado.
Pois… ele me pediu para responder um questionário e publicar aqui na casa da esquina deste condomínio. É um prazer atender seu pedido.
Ex-Libris da Tugosfera
Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro quererias ser?
Grande Sertão-Veredas de João Guimarães Rosa
Já alguma vez ficaste apanhadinho(a) por um personagem de ficção?
Sim. Por Riobaldo Tatarana.
Qual foi o último livro que compraste?
Os Grandes Gênios da Arte (vários autores)
Qual o último livro que leste?
84, Charing Cross Road – Helene Hanff e Histórias de Cronopios y de Famas – Julio Cortázar
Às vezes leio mais de um livro simultaneamente. E sempre um de poemas está sobre a mesa de cabeceira. Quem sabe assim eu sonhe em forma de poesia.
Que livros estás a ler?
Rayuela – Julio Cortázar
Que livros (5) levarias para uma ilha deserta?
Grande Sertão-Veredas – Guimarães Rosa
Cem Anos de Solidão – Garcia Marquez
Antologia Poética – Pablo Neruda
Antologia Poética – Fernando Pessoa
A Interpretação dos Sonhos – Sigmund Freud
Estrela da Vida Inteira – Manuel Bandeira
A quem vais passar este testemunho (três pessoas) e por quê?
De repente percebi que dois de meus indicados já estão na lista do Manoel. Só para confirmar o duplo voto indico:
Sérgio Borges do Pirata da Rua
Maria Odila do Digressiva Maria
E o terceiro e novo nome é Angela Lemos.
O motivo é o mesmo para os três. São pessoas sensíveis à literatura, que amam os livros tanto que seriam belos exemplares humanos nas reuniões noturnas e secretas de um possível Fahrenheit 451 again.

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Mais um Caderno…

Este é o quarto endereço do blog. Antes chamava-se Como Shirley Valentine e morava na Globo . Expulso, foi viver no Mblog rebatizado como Língua de Mariposa. Ali tentaram pedir resgate pelo seu seqüestro. Não paguei. Mataram-no.
Reconstruído no Blogspot perdi muitos de meus amigos leitores, justamente por ter repetido os posts passados, numa tentativa de recuperar os arquivos perdidos pelo trajeto.
Eu não sabia por que tinha essa preocupação pois, pelo que sei, a maioria dos novos visitantes não vai aos arquivos. E os antigos já os leram.
E então descobri que fiz isso para mim mesma.
Pois sim… Este blog existe tanto ou mais para mim quanto para o público que o visita.

Desde os 13 anos eu escrevia coisas, copiava poemas e letras de música, colava imagens recortadas das revistas, cartas recebidas ou cópias de enviadas, tudo isso e mais algumas coisas, em grandes cadernos de capa dura. Eram lindos e eu adorava construí-los.
Não os mostrava a quase ninguém. Só muito poucos tinham acesso a eles.
Infelizmente, não tenho comigo nenhum. De vez em quando o Capibaribe vinha e lia tudo…só devolvia o bagaço.
O rio não vinha apenas ler a biblioteca do Lorde… brincava também com meus quebra-cabeças, lambia os bichinhos de pelúcia com sua língua pegajosa, tocava com seus dedos de lama minhas flautas e devorava todas as letras e imagens de meus cadernos.
Ele tinha tempo. Demorava-se em nossa casa mais do que em qualquer outra.
E depois, quando deixava-nos entrar, eu ficava com a sensação de ter sido mais que roubada. Sentia como se tivesse sido violentada dentro de meu próprio abrigo.
Não me lembro quando deixei de construí-los e passei a fazer apenas pequenas anotações nas agendas de trabalho e estudo. Como eram peças descartáveis, trocadas a cada ano, perdia os meus registros pelos recantos das estantes do meu quarto. Depois de uns tempos, a cada arrumação e limpeza, as pequenas livretas desapareciam.
Desde que comecei este blog, em 2003, é como se – de novo – eu estivesse escrevendo em um dos meus antigos cadernos. Desta vez já não há um rio ameaçador e aprendi a guardar num disco todos os meus arquivos.
Desta vez também há uma grande diferença. O blog é aberto ao público. Qualquer público.
Há quem goste e fique por aqui, vindo sempre, lendo e relendo tudo, deixando comentários ou mandando e-mails. Há quem venha e não volte nunca mais, os que vem mas não deixam marcas de sua passagem, outros que vem de vez em quando. Isso transformou o meu “caderno” em um precioso tesouro e sinto muitíssimo ter perdido as centenas de comentários pelos caminhos que a página já trilhou.
Sonja, essa amiga linda que vem acompanhando todo o caminho do Língua, adora ler a história do rio que gostava de ler e sempre me pede que a repita a cada casa nova que habito.
Mas desta vez vou sugerir a quem queira que pulse no link A Casa e o Rio e vá aos arquivos. Está super simples de acessar, não demora nadinha, pois tenho poucos posts a cada mês.
Consegui republicar as fotos e formatar os textos de forma que estão todos muito acessíveis e fáceis de ler. Inclusive, estou criando categorias de forma que possam ser acessados por assunto. A pena é que não aparecem todos os posts de uma vez. Vou ver como resolvo o assunto.
Não tenho a pretensão de que todos os que aqui vem leiam os arquivos. Até porque a quantidade de blogs bons que existe por aí é enorme e as pessoas nem sempre tem tempo para dedicar mais que alguns minutos a cada página que visitam. Muitas vezes apenas lêem o post mais recente.
Só estou aproveitando o pedido de Sonja para sinalizar o caminho…
Vou aproveitar também para indicar o caminho do Cicatrizes da Mirada. Um blog que tenta mostrar um pouco de minha experiência com a arte e cultura espanhola e que está meio perdido neste mar de blogs que invadiu o cotidiano das pessoas.
Eu gosto muito dele e me dá um trabalho enorme construí-lo.
Por algum tempo a página parecia estar com problemas para abrir, e então muitos de seus leitores desapareceram. Mas agora está rápida outra vez. Graças a não sei qual artifício!
Às vezes eu penso em deixar de escrevê-la , mas o incentivo de alguns poucos amigos que continuam a segui-la por mais de dois anos não me permite desistir dela. Espero que em breve o Cicatrizes esteja também aqui, na Verbeat, por uma petição especialíssima do Milton Ribeiro, meu vizinho da casa-cinza-de-janelas-vermelhas.
Ps: O blog Cicatrizes da Mirada deixou de existir.

Categorias: Memórias e Saudades, Mundo Virtual | Tags: | 17 Comentários

Vem…

A partir de hoje, a casa virtual em que moro é aqui.
A partir de hoje recordarei as saudades e sentirei os poemas neste outro jardim.
Depois de peregrinações por sites que me abandonaram, algumas mãos amigas se estenderam.
Entre por este portão e siga o caminho das árvores.
Sente na sombra das asas das borboletas e “pesque luz com paciência.”
Nem sempre eu estou iluminada, mas com certeza a sua presença amiga trará luz.
Não esqueça de deixar sua marca, seu endereço, seu blog.
Dê sua opinião sobre a pintura das paredes, as letras, a música, o design.
Se estiver aqui por primeira vez, que seja o início de uma longa relação de carinho e respeito.
Aqui abro o portão da minha alma.
Quero agradecer a Leandro e Tiago ( os síndicos do condomínio ) por toda a delicadeza e atenção.
Aproveito para convidar também os leitores a conhecerem os outros blogs da Verbeat.
Se vem para o bem…seja bem vindo.

Categorias: Mundo Virtual | Tags: , , | 29 Comentários

Um Universo Virtual…

Alguns amigos virtuais já fizeram o que eu vou fazer agora: um comentário sobre outros blogs.
Eu sei que muitos dos que vem a esta página encontraram meu link em um o outro blog que visitam. E isso é o encantador da rede de blogueiros. Ninguém é forçado a visitar ninguém, mas as indicações valem muito.
O visitante vem, lê… e se gosta, volta.
E se continua gostando vai ficando “cliente.”
Eu tenho o prazer e a honra de ter alguns fiéis amigos nesse universo virtual, mesmo já tendo trocado três vezes de endereço.
Agora, coitados, estão relendo posts antigos, talvez pela terceira vez, e ainda assim, delicadamente deixando seus pequenos comentários.
Agradeço muití­ssimo a paciência e o carinho que demonstram com este gesto.
Tenho já uma vasta lista de blogs linkados aí­ ao lado, todos deliciosos de serem lidos,e espero ter contribuí­do para que os donos deles também sejam visitados por aqueles que vem aqui.
Mas hoje eu quero dar um flash especial a Manoel Carlos e seu Agrestino. O melhor blog do “meu” universo blogueiro.
Manoel escreve como quem conversa com a gente sobre qualquer assunto, atual ou do passado. Conta histórias de suas andanças, fala de literatura, polí­tica, linguagem, amor, saudades.
Nunca escutei a sua voz, mas tenho a impressão que é grave e tranqüila como a voz de quem tem paz interior. Nunca escutei seu sorriso mas posso senti-lo nas histórias bem humoradas que conta sobre o Nordeste brasileiro. Nunca vi seu olhar, mas o imagino embaçado de saudades quando fala de antigos amigos que conquistou pelo mundo a fora, em Portugal, Moçambique, Rio de Janeiro, Pernambuco, Rio Grande do Norte…
Nunca estive pessoalmente com ele, mas pude sentir seu abraço em muitas das vezes em que deixou aqui seus recados.
O blog de Manoel é como ir ao um bar de pueblo. Aquele que a gente pode ir durante toda a vida que sempre vai encontrá-lo disposto a cantarolar um sambinha, um frevo, recitar um poema lindo e quase desconhecido, provar com ele um gosto antigo de infância, reconhecer perfumes, escutar boas histórias.
Manoel é amigo fiel de pessoas e feitos. Nunca deixa de homenagear personagens que admira. Nunca deixa de comentar fatos importantes. Toma posição. Opina. Avalia.Indica bons blogs, bons artigos.
Mas seu tom nunca é o de um dono da verdade. Seu tom é sempre o de quem sabe – e gosta – de compartilhar suas idéias.
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Outro blog fantástico é o de Maria, a Digressiva Maria.
Suas digressões me fascinam. Ela escreve como quem borda, com as palavras, lindas peças de linho. Às vezes, um vestido de festa. Outras, uma manta de rotos retalhos, imensa, como aquela que acompanhou Tita ao hospital no filme Como Água Para Chocolate. Imagino, às vezes, Maria bordando sua colcha com os pedaços de suas muitas dores nas noites de fria solidão da alma, escolhendo as letras com cuidado, para não perder nenhum ponto necessário à compreensão de seus sentimentos.
Maria é mestre nos desenhos possí­veis da alma. Ela e sua escrita se entregam uma à outra como amantes.
Umas vezes são cruéis, descarnando uma à outra de seus segredos… Outras, podem ser doces cúmplices de inimagináveis mistérios…
Maria e sua escrita formam uma belí­ssima mulher! E seu blog é um presente para quem a visita.
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Uma nova descoberta é Marpessa, do Casa dos Espelhos. Ainda estou descobrindo seus textos e já estou perdidamente enamorada por eles. No blog, trechos de Julio Cortázar, Hilda Hilst, Henry Miller, Paulo Mendes Campos se entrelaçam com seus próprios escritos.
Acho que poucos o descobriram, pois vi raros comentários.
Mas enquanto lia seus escritos (ou seus transcritos) já sabia que estava atrapada pela página. É quase como entrar numa sala de cinema, escura e vazia de outros espectadores, para ver pequenas peças de arte pura.
Dá vontade de aplaudir em silêncio…
Infelizmente tenho pouco tempo disponí­vel diante do micro e não posso demorar o quanto eu gostaria para visitar todos os blogs que eu gosto com a constância que eles merecem, e ainda descobrir novos.
Minha conexão ainda é jurássica, por linha telefônica que sequer é só minha. Assim, muitos outros blogs que eu gostaria de comentar aqui vão ficar para um outro post.
Perdoem-me…
Convido-os a visitarem estes, por enquanto!

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Mais Uma Vez…

Pois sim… meus blogs foram sequestrados.Mais uma vez!
Agora muito mais “profissionalmente” que da outra, pois até mesmo os arquivos estão presos sob fiança.
Tenho que pagar $35,00 por cada uma das páginas para acessá-los e recuperar os arquivos.
Que tal a jogada? Boa não é?
Mas eu já estava prevenida.
Quem é simples sapo precisa aprender a defender-se…
Ainda bem que eu tenho TODOS eles.
Convido-os a lerem os posts republicados. Diziam-me que eram bons. Infelizmente perdi as provas, que eram os comentários.
Que pena imensa!
Mas desistir? Jamais!


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