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Carnaval Andaluz…

Pois é…
Cadiz Este é um pátio de Cádiz, na Andaluzia, sul da Espanha, todo enfeitado para participar de um concurso de pátios promovido pela prefeitura.
Não parece uma casa de Olinda? Heim? Heim?
Parece sim.
Essas são as cores das minhas saudades.
Então…
Como o Carnaval está dentro do meu sangue, fui atrás dele, mesmo fora das datas.
Estou acostumada a isso.
No Recife e em Olinda, quer dizer, em Pernambuco inteiro, o Carnaval dura muito mais do que os quatro dias oficiais.
Se bem recordo – e eu recordo tantas coisas – ele dura quase dois meses. Vai desde o Reveillon até umas duas semanas depois da quarta feira de cinzas.
Claro, é preciso conhecê-lo a fundo para encontrar suas mais recônditas manifestações. Cada cidadezinha, cada bairro tem suas pérolas.
Eu me gabo de conhecer a muitas delas, principalmente as de Casa Forte e do Poço da Panela.
Se as pérolas começam a ser cultivadas muito antes de estarem lindas, com o Carnaval acontece o mesmo.
A gente ajuda a cultivá-lo indo aos ensaios dos blocos.
Que delícia ir aos ensaios do Bloco da Saudade, do Lili Nem Sempre Toca Flauta, dos Maracatús, do Vassourinhas, do Elefante de Olinda
O ritmo dos tambores,os metais das orquestras, as letras das músicas vão enchendo a gente por dentro… e vai ficando impossível não ser feliz! Mesmo sofrendo um pouquinho para acordar e ir trabalhar no dia seguinte. Todo ano o mesmo. A gente sabe que sofre, mas não resiste.
” Nóis sofre, mas nóis goza” já dizia o nome do antigo bloco de Carnaval que saía da legendária livraria recifence, O Livro 7.
Ai, que saudade!
Outro dia recebi de uma amiga um e-mail divulgando um bloco novo : “O Piano.”
O grupo se encontra para ensaiar num pátio por trás da rua da Imperatriz e, durante o Domingo, enquanto o Carnaval explode lá fora, a turma fantasiada se prepara aí para sair, enquanto canta hinos e canções populares. Lindo!
O outro bloco chama-se “Cinza das Horas” e sai do mesmo local.Vão cantando músicas deliciosas, inclusive valsas. E levam as cinzas, das horas, do Carnaval… para jogar no Rio Capibaribe.
Arrepiei só de imaginar, mesmo de longe!
Claro que vou encontrá-los, mal pise em minha cidade durante a época carnavalesca.
TT
Além disso, o mais maravilhoso é aquele onde TODOS os amigos estão ( nada melhor do que estar entre amigos ) e que já tem dois anos de total sucesso no antigo bairro do Recife.
Chama-se “TT Quer Ser Baliza.”
Um bloco que eu tenho a honra de ter participado da criação, da semente e do primitivo desfile na Barra de Serinhahém, muitos anos atrás.
Uma história que eu ainda vou contar aqui.
Este ano o desfile foi um arraso. Recebi as fotos e quase choro… de rir!
Por aqui, o que restou-me foi pegar um trem em Madrid durante o final de semana passado e descer em Cádiz com toda a vontade de viver um triz de Carnaval que fosse.
E foi só isso, um triz.
Carnaval de Cádiz
Na noite da sexta feira jantamos num restaurante chamado El Faro, o mais famoso da cidade, por onde passam os grupos vencedores de concursos organizados pela prefeitura.
Jantar aí nesses dias carnavalescos é quase impossível, mas um amigo conseguiu mexer uns pauzinhos para reservar uma boa mesa.
Valeu! Passei uma noite gostosíssima.
Além de um delicioso bacalhau ao pil-pil, pude assistir a todos os grupos que se apresentaram, cantando e tocando seus parcos instrumentos a menos de dois metros.
Eles só usam tambores e violões. E, para ajudar, uma espécie de apito que emite um som rachado muito engraçado e muito diferente do nosso apito brasileiro.
As canções são sempre divertidas e inteligentes, mas é preciso conhecer um pouco as circunstâncias do país e alguns de seus famosos, sempre utilizados na hora de fazer as comparações ou imitaçõoes mímicas.
Ás três da manhã tentamos dar um volta pela cidade, mas foi impossível. As ruas estavam entupidas de gente e pelo chão, sacos de bebidas e refrigerantes espalhados num imenso ” garrafonaço”.
O que vi é que sem música para dançar a turma não tem como gastar o que bebe.
A essa hora estava todo mundo com cara de louco e um grupo de coro que tentava cantar em uma das esquinas nem era escutado, nem ninguém prestava atenção aos pobres coitados.
Triste.
Não gostei.
Coro em Porto Real, Cádiz
Mas no sábado, por causa da chuva, decidimos não voltar ao centro de Cádiz e aproveitar um baile de fantasia na pequena cidade de Porto Real.
Aí foi bom.
Diverti-me bastante com a criatividade das pessoas e todo mundo parava para escutar o grupo de coro que atravessava a cidade.
Era só um, mas estava bom.
As famílias estavam completas nas ruas.
Grupos com fantasias iguais, música num palco armado na praça e muita alegria.
Havia muita criança fantasiada, até os bebês nos carrinhos tinham suas fantasias. Parecia uma concentração do Eu Acho é Pouquinho de Olinda ( Claro, salvando as diferenças climáticas entre o verão pernambucano e o inverno espanhol, além do tipo de música que escutam aqui… ó Deus! Como sobrevivo!? )
Anhãn. Sobrevivo.
A música que partia do palco era de uma pobreza carnavalesca inacreditável. Sinto dizer.
Fiquei imaginando levar um CD da Orquestra Spokfrevo de Pernambuco e pedir à organização do evento para soltá-lo na praça, bem alto. Duvido que o povo ficasse quieto.
Tive outra ideia também. ( Nada como a crise para a criatividade surgir assim do nadica de nada. HoHoHO! ) Pensei em botar meu MP4 tocando minhas músicas dentro do ouvido enquanto eles escutavam ” aquilo”. Só fiquei preocupada com o que pensariam os que me vissem pulando o hino do Vassorinhas ou do Ceroulas no meio da praça.
 Porto Real, Cádiz
Não sou muito de frevar, até porque meu joelhinho querido não gosta nada, mas o dançar as músicas do Carnaval brasileiro é algo que vem de dentro da alma. Quem escuta não pode ficar parado. Nem que seja um leve balanço ao som de uma marchinha dos anos 50, todo mundo se mexe.
Não. Eles não se mexiam. Só as duas velhinhas ali deram show de animação e dançaram o tempo todo. O resto passeava… só passeava.
Eu bem que tentei… juro que tentei.
Ano que vem, se não estiver em Pernambuco, vou organizar um Carnaval em Madrid e outro em Porto Real. Vou caprichar umas festas de arromba!
Ah, sim. Eu vou.

Esse grupo estava graciosíssimo fantasiado de TAXI.
E eu acho que também já pilotei o melhor TAXI de Olinda e Recife. Era a fantasia da minha amiga querida, a TT que queria ser baliza… e conseguiu…

 
Claro, ela sempre consegue tudo o que deseja. Seus amigos lhe ajudam a realizar seus desejos.

 
Jamais esquecerei os passeios que eu dava por Olinda pendurada no TAXI dela .
Também lembrei muito da minha amiga Cacau, a colorida amapola recifence e suas flores amadas quando vi o jarro metido na cabeça de um sujeito.
Queria que ela estivesse comigo.

 

Que também desse risadas com a sua boca imensa pintada de vermelho sangue!

 

Esse é o grande segredo do Carnaval perfeito.
Além da música, da alegria e da criatividade… a boa companhia. Meus queridos e amados acompanhantes em Cádiz bem que precisavam ver como se brinca um Carnaval.
Já veremos o que fazer ano que vem!
Temos que começar a criar as pérolas JÁ!

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Carnaval em Madrid…

Se saudade matasse, Dagmar… eu estava mortinha da silva júnior!

Pois é… depois de seis anos sem o Carnaval pernambucano, o coração já não aguentava mais! Por dois anos eu fiz uma festa à fantasia em minha casa e deu para enganar a ânsia. Mas o Carnaval das ruas é a marca registrada de Pernambuco e isso não dava para fazer em casa.
Agora que eu sou novamente urbana… tinha que dar um jeito.

E lá fui eu, com um grupo de brasileiros animados, cruzar as ruas de Madrid.
Brasileiros vindos de todas as regiões do país, cada um cantando e batucando as suas saudades… e todos numa irmandade só.  Brasil! Brasil! Brasil!
Brasileiros... marginais do desfile
Carnaval em Madrid é patético… mas a gente nem quis saber.
Aproveitando um desfile oficial da Prefeitura, onde não foi possível participar, os brasileiros não desistiram da alegria e, com alguns intrumentos e muita vontade de brincar, cada um com sua máscara, seu chapéu, seu sorriso e sua vontade de confraternizar saiu convocando as gentes das calçadas para todo mundo poder sambar!
E tome marchinhas, sambinhas e batuques…
Voltei para casa, depois de três horas dançando e cantando, muito mais leve.
Valeu!
Sobrevivi a mais um ano!

E nada como cantar meu frevo canção pernambucano!
Minha máscara nova
Quem tem saudade
Não está sozinho,
Tem o carinho, da recordação…
Por isso quando estou
Mais isolado
Estou bem acompanhado
Com você no coração…
Uma sorriso, uma frase, uma flor,
Tudo é você na imaginação..
Serpentina ou confete…
Carnaval de amor…
Tudo é você no coração…
Você existe
Como um anjo de bondade
E me acompanha
Neste frevo de saudade
Lá Lá Lá Lá… etc.

 

Frevo da Saudade –
(Nelson Ferreira – Aldemar Paiva)

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Pensando em Garcia Marquez…

“Muitos anos depois, diante do pelotão de fuzilamento, o coronel Aureliano Buendía recordaria aquela tarde remota em que seu pai o levou a conhecer o gelo.

Macondo era então uma aldeia de vinte casas de taipa construídas à margem de um rio de águas diáfanas que se precipitavam por um leito de pedras polidas, brancas e enormes como ovos pré-históricos.
O mundo era tão recente que muitas coisas careciam de nome e para mencioná-las havia que apontá-las com o dedo.”

E eu, longe da minha Macondo, de seus cheiros de começo de vida, seus meninos cinzentos e descalços, o barulho dos batuques nas latas, a “La Ursa quer dinheiro, quem não der é pirangueiro”…o calor úmido das margens do rio Capibaribe, os risos, o tum-tum do coração no ritmo das latas… as pedras portuguesas no chão quente do Poço da Panela…

Quanto tempo ?
Agora olha eu aqui… apontando com o dedo para algumas coisas em meu novo Macondo: CLIMA DE CARNAVAL = NEVE
*Foto: no jardim de casa.

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Para Um Grande Amor: Recife…

Quem tem saudade
Não está sozinho
Tem o carinho
Da recordação
Por isso
Quando estou
Mais isolado
Estou bem acompanhado
Com você no coração.

Um sorriso
Uma frase, uma flor
Tudo é você na imaginação
Serpentina, confete…
Carnaval do amor…
Tudo é você, no coração…
Você existe
Como anjo de bondade
E me acompanha
Neste frevo de saudade
Lálálálá…
Frevo de Saudade
(Nelson Ferreira — Aldemar Paiva)
Acordei hoje lembrando dos meus magní­ficos Carnavais e dos amigos…
O primeiro pensamento do dia foi para o Galo da Madrugada.
Depois a saudade maior foi do Bloco da Saudade, do Quanta Ladeira, do Ceroulas, do Fudidos Porém Unidos, do Nóis sofre Mais Nóis goza, do Lili -Nem Sempre Toca Flauta, do Aurora de Amor… e tantos e tantos…
Ai!
Foto: Galo da Madrugada – Recife

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