Posts Marcados Com: Cicatrizes da Mirada

Pirineus aragoneses.

mapa%20da%20espanha
A fronteira entre a Espanha e a França é marcada por uma larga e famosa cadeia de montanhas: Os Pirineus.
E quase no meio destas montanhas está Jaca.Foi aí que passei alguns dias das minhas férias…
E não riam quando falo em férias, só porque estou desempregada. Uma coisa nada tem a ver com a outra!
Sair de casa sem hora para nada, sem saber onde, nem o que iria comer, andar perambulando pelas ruas, um mapa nas mãos em busca de coisas belas…e ainda mais, nas montanhas dos Pirineus Aragoneses… isso é igual a férias.
Estar em casa, lavando e passando roupas, lutando bravamente com as aranhas, limpando e guardando coisas… isso é igual a estar desempregada…
Entenderam?
Pois é…

Jaca, España

Jaca, España


Jaca fica em plena rota do Caminho de Santiago. É uma cidade cuja história remonta ao primeiro milênio ANTES de Cristo. Seus primeiros habitantes eram pastores e guerreiros. Dormiam no chão e em covas dentro das pedras, comiam carne de cabra, bebiam algo semelhante à cerveja e bailavam ao som de flautas. As escavações arqueológicas confirmam restos de cerâmica, espadas e instrumentos musicais correspondentes ao século II a.C.
Os romanos, no ano 194 a.C, invadiram e conquistaram Jaca com uma armadilha. Puseram um tradicional inimigo, o povo sussetano , diante de suas muralhas e quando os jacetanos saíram para lutar com eles, foram surpreendidos pelos exércitos romanos.
Muito tempo depois, já no século X, uma Jaca empobrecida, de muros caídos, foi anexada aos domínios de um conde aragonês e a partir daí voltou a desenvolver-se, chegando a ser capital do reino e residência dos Reis Aragoneses durante largas temporadas.

Jaca é uma cidade simples e tranquila… e sua maior riqueza é a sua localização. É ponto de partida de caminhos que levam a pequenos e belíssimos povoados, que ainda conservam suas ruas e casas no estilo medieval, suas igrejas românicas, suas tradições culturais e uma gastronomia fascinante.
As trilhas que levam à Garganta do Diabo são procuradas por toda gente, jovens e não tão jovens, para esportes de risco… que eu gosto de ver, mas não tenho a menor vontade de fazer…
Só de olhar de cima para o que as pessoas faziam entre as grandes frestas abertas nas montanhas, sentia um nó no umbigo. Acho que minha adrenalina é muito sensível para divertir-me com esses programas. Minha índole é mais contemplativa e meu lado Rambo um tanto atrofiado.

Pirineus

Pirineus


Preferi buscar um lugar na sombra, deitar numa pedra fria, numa das margens do rio, onde havia uma grande árvore quase deitada sobre as águas… e tranquilamente escutar o ruído magnífico que fazem enquanto escorrem com força entre pedras de todos os tamanhos.
Depois, comer uma ” bocata” de atum com tomate, e litros de água fresca, para suportar a volta sob o sol inclemente, nas pequenas e tortuosas trilhas que sobem e descem em torno das enormes ” peñas”( rochedos), sem misericórdia para a minha falta de preparo físico.
Rutas

Rutas


O caminho é belíssimo, pois costea toda a garganta, acompanhando os passos com barulho de água corrente e cheiro de mato…
Sofri um pouco… mas gostei muito.

Uma observação imprescindível à beleza de todos os lugares que visitei: a limpeza.
Nada de lixo pelas trilhas…NADA!
Águas limpíssimas, fontes de água potável por toda parte, onde os caminhantes podem encher suas garrafas sem medo.
Sinalizações precisas para aqueles que estão à caminho de Santiago de Compostela, ou apenas querendo conhecer suas paragens, seus miradores, sua flora e sua fauna.

Puente de la Reina

Puente de la Reina


Jaca fica justo na rota de Santiago.
E em Puente de la Reina, um povoado perto da cidade, muitos caminhantes se encontram, em direção a região de Navarra.

A via de peregrinação até Santiago de Compostela colocava em comunicação toda a Europa e converteu a arte românica na primeira “arte internacional”.
A Catedral de Jaca é considerada um dos monumentos mais importantes da arte românica espanhola. Espelha o intercâmbio dessas pessoas, produtos e idéias, em um momento histórico preciso em que os reinos cristãos espanhóis lutavam contra a invasão muçulmana e avançavam lentamente desde a montanha até o vale, deixando ao seu passo testemunhos de uma fé católica restabelecida.

Catedral

Catedral


O que mais me surpreendeu nela foi que o coro e o órgão estão por trás do altar maior, em vez de estar no centro da nave principal.

Nas dependências do claustro pude visitar o Museu Diocesano de Jaca , considerado pelos experts como a “capilla sixtina de la pintura românica”.
E é absolutamente impressionante.

Os murais de frescos de várias pequenas igrejas da região, assim como suas imagens datadas dos séculos XI, XII e XIII , foram transportados para o museu, a fim de protege-los dos saques e da espoliação do patrimônio espanhol.

Uma das salas compreende a História da Humanidade, desde a criação de Adão e Eva até o sacrifício de seu redentor.
É de tirar o fôlego…

Muitas de suas figuras estão deterioradas e as partes vazias não são “restauradas” para não parecerem uma maquiagem. O que permanece visível tem mais de mil anos e isso vale a preservação de seu estado atual.

Museu Diosesano de Jaca

Museu Diosesano de Jaca

Um dos tesouros de Jaca é “La Ciudadela.” Um castelo-fortaleza que protegia o Reino de Aragon do assédio francês, construído entre os séculos XVI e XVII .
Contava com hortas e água abundante, de forma que podia considerar-se autônomo por muito tempo caso precisasse defender a cidade e a região. Tem a forma de um pentágono, com fosso e tudo. Atualmente o fosso é habitado por cervos.

O paradoxo é que única vez que entrou numa batalha foi durante a Guerra da Independência, com os franceses dentro e os espanhóis fora de suas muralhas.

Essa é uma história interessante, que contarei só um pedacinho. Quando Napoleão queria invadir Portugal , pediu permissão para passar pela Espanha com suas tropas… e ficaram. Invadiram e tomaram a Espanha e nomearam José I, irmão do Imperador francês, como Rei da Espanha…
Graciosos, os franceses, não?

Ciudadela

Ciudadela


Bom… atualmente a Cidadela funciona como quartel e permite a visitação em parte de suas dependências….com hora marcada e guia específico, naturalmente.
À noite e iluminada ela é mais linda que de dia…

Há ainda uma outra antiga fortaleza, no alto de uma montanha, chamado Fuerte de Rapitán. Atualmente foi convertido de ponto defensivo em salão de luxo para visitantes ilustres, desde os Reis da Espanha a Presidentes. E guarda o Museu de Miniaturas Militares , uma das exposições de soldadinhos de chumbo mais importantes do mundo. Não pude vê-la, pois estava sendo transladada para a Cidadela.

Rapitan

Rapitan


Mas pude assistir desde o alto de suas muralhas a um concerto de jazz, com uma banda importada diretamente das ruas de New Orleans , tomando um whiskinho e cantando a todo pulmão… pois esta subida eu fiz de ônibus, já que os carros são proibidos de subir pela escarpada montanha e sua estreita e sinuosa estrada…

Enquanto cantava e respirava o ar puro das montanhas pensava nas voltas que a vida dá… e no inusitado que é para mim estar vivendo e podendo apreciar as belezas deste país.

Anúncios
Categorias: Cicatrizes da Mirada, Uncategorized | Tags: , , , | 9 Comentários

Cicatrizes da Mirada

Queridos, um dia desses eu descobri que um amigo virtual, que vive em Petrópolis, no Brasil, havia guardado num arquivo, meus primeiros posts, escritos em 2003. Ele teve a delicadeza de me enviar um CD para que eu não os perdesse para sempre. Não é lindo isso? Não é maravilhoso esse laço que nos envolve através da escrita?

Para meu desfrute pessoal, vou guardá-los aqui e talvez compartilhá-los com novos leitores.

O blog começou como Impressões depois passou a ser Cicatrizes da Mirada. Esse é meu primeiro post.

neve%20em%20santorcaz
Meus amigos.

Encontrei uma forma de repartir com vocês minhas impressões sobre a experiência maravilhosa que estou vivendo. Descobri o mundo dos blogs!

A Espanha surpreende em cada esquina…

Eu vou tentar escrever sobre as cidades, os museus, as histórias, a culinária… quer dizer, sobre o que me der vontade.
É mais ou menos como um e-mail coletivo!

Espero que gostem!

 
Quinta-feira, Março 27, 2003

Categorias: Cicatrizes da Mirada | Tags: , | 1 Comentário

Barcelona

Esse post sobre Barcelona é uma mistura de posts passados. Resolvi publicá-los aqui depois que Roseane, do blog Pavulagem da Ro, pediu-me um toque sobre a cidade, já que ela vai estar ali por uma semana.
Encontrei esses posts em um dos meus arquivos do Cicatrizes da Mirada.

( Clique sobre as fotos para vê-las maiores e melhores.)
**********************
Sonhei por anos a fio estar em Barcelona com olhos-de mar-azul. Um sonho que parecia impossível enquanto escrevia-lhe cartas e e-mails. Agora que estava na hora de transformá-lo em realidade….eu queria mais.
Os seres humanos são assim, não é?
Ou isso é prerrogativa das mulheres?

Queria estar maravilhosa. Então, resolvi emagrecer uns poucos quilos e caber mais folgada no pretinho básico.
Pois sim… nem rezando pelo sangue de Cristo!
A viagem pelos Pirineus Aragoneses, uma semana antes de chegar à Barcelona, arrasaram com a minha “já-muito-fraca-força-de-vontade”.
As tentações eram constantes pois a gastronomia aragonesa é fantástica. As tapas do Bar Pau, na cidade de Jaca, os vinhos, os queijos de Anso (um pequeno pueblo pelo qual me apaixonei perdidamente), que maravilha!

Apesar de ter caminhado bastante, não perdi uma miserável grama.
“Antigamente se creia que las setas eran producto de la union de un rayo de sol y uma gota de rocío”. Isso dizia o cartaz do bar. Um bonito dito popular!
“Antigamente se acreditava que os cogumelos eram produto da união de um raio de sol e uma gota de orvalho”. E esse era o estímulo para que provássemos o mais variado cardápio de cogumelos da região. E com eles, os queijos artesanais e os pães caseiros… era impossível beber água. Era necessário um bom vinho.
E lá vinha o vinho!
Ah… e esqueci de dizer que antes da viagem, já pensando em Barcelona, fui mexer nos cabelos, claro. Qual era a estratégia mais conhecida de todas as mulheres para melhorar a auto-estima, antes do silicone e da lipoaspiração? Ir ao cabeleireiro e mudar o corte ou a cor dos cabelos, certo? Fui… eu não aprendo nunca!
Não entendo por que TODAS as mulheres conseguem um tom acobreado nos cabelos castanhos, mas os meus sempre saem cor-de-rosa, assim meio da cor do mercúrio cromo, assim meio da cor do ridículo!
Mesmo que eu tenha pedido sinceramente, em meu Espanhol claudicante, que as mechas fossem discretas e apontado para a menos espalhafatosa do cardápio, não escapei.
Pois bem…
Depois de uma semana em Jaca, caminhando sob o sol e tomando vários banhos de piscina, a cor das mechas passou do rosa-cromo ao amarelo-ovo-queimado…
A piscina é um dos instrumentos mais recomendados para destruir qualquer cabelo, mas eu seria mais louca se recusasse os prazeres da água com aquele calor!
Resolvi relevar a aparência e aproveitar o passeio. “Tudo dependeria dos meus modelos mentais.” Pensei muito zen.
E Barcelona chegando…
Quando estávamos à caminho da cidade eu ainda estava com idéias de felicidade. Mas a onda de calor chegou ao seu auge e, além de matar pessoas, não me deixou nem pensar…

Ao sair de casa pela manhã, em direção à Casa Batló, já estava suada até na sola dos pés.
E, a medida que caminhava e caminhava e caminhava, a roupa ia grudando na pele, o cabelo arrepiando como o de uma bruxa…e eu só queria um banho, dois banhos, três banhos… queria viver debaixo da ducha para sempre!
A roupa colada no corpo, o cabelo preso num rabo de cavalo e o cansaço extra que o calor emprestava a qualquer movimento, arruinaram com meu humor. Meus modelos mentais zen se transformaram em asas negras flutuando diante dos olhos e escurecendo, contra a minha vontade, momentos que poderiam ter sido magníficos.
Assim, sonhei com Barcelona no outono, no inverno, em qualquer outro momento do ano e de meu astral… mas eu queria sair dali imediatamente. Pensei nisso e logo veio uma lembrança astrológica. Isso! Estava a um mês do meu aniversário… claro!
Além de toda a onda de calor que invadiu a Espanha, estava em pleno INFERNO ASTRAL!!!!
Inferno. Inferno. Inferno. Só de pensar na palavra já me sentia queimar de dentro para fora. Ufa! Isso. Foi isso, claro!
Havia um inferno fora e outro dentro de mim! Não sou fã de astrologia, mas queria uma explicação… qualquer uma!
Bom, em alguns momentos de ferrenho esforço para controlar meu humor da cor de carvão e aproveitar as cores de Gaudí, pensava em meus amigos, em como gostaria de mostrar a todos as imagens que consegui guardar, como a incrível Casa Batlló e seu telhado dragão, suas chaminés de máscaras. Lindo! Parece uma casa construída pelas ondas do mar…
Vale a pena visitá-lo!
Antes era um edifício residencial, fechado ao público. Mas hoje é uma espaço para eventos absolutamente espetacular.
Adoro tudo o que Gaudí fez!
E fui , pela segunda vez, ver ao vivo e a cores a  Sagrada Família.
Para aguentar o calor, comprei um leque que vendiam diante da fila quilométrica, sob um sol de lascar o crânio. Impossível resistir. Comprei o maior de todos.
Sacudi minha discreta comprinha diante do rosto por todo o dia, sem saber que estava “falando”. Quando descobri sua linguagem, o danado dormiu dentro da bolsa a maior parte do tempo.
Imaginem que mensagem eu poderia enviar com um leque negro e rendado, enorme, os cabelos daquela cor e a blusa grudada no peito? É uma pena que o post sobre a linguagem dos leques tenha se perdido por aí… quem sabe o encontro também nos muitos cds de arquivos que tenho!

Voltando à Sagrada Familia

Iniciada em 1882 pelo arquiteto Francisco de Paula del Villar, o projeto era o de uma igreja neogótica.

Em 1883  Gaudí se encarregou em dar continuidade à construção. A partir de seus esboços sobre a forma geral do edifício, o arquiteto foi improvisando a sua construção e criando à medida que avançava o projeto. Ele dizia que a igreja tinha o espírito gótico, mas na sua própria linguagem.
Dizem que ele evoluía enquanto a construía e vice versa.
A obra era sua obsessão. Em seus últimos anos de vida, morava dentro da construção e só saía de lá para conseguir dinheiro e continuar o trabalho.
A fachada atual da Sagrada Família é apenas uma das quatro torres projetadas, e a obra continua ninguém sabe até quando. Totalmente construída com doações, ela avança lentamente.
Não creio que eu viva para vê-la terminada.
A Catedral de Gaudí é alucinante!
Quando a vi pela primeira vez, em 1994, havia menos torres e portas de entrada construídas. Creio ter visto apenas a Puerta de La Natividad. Mas agora boa parte do projeto inicial já está em estado avançado de construção.
A Puerta de La Passion conta com esculturas modernas, de Subirachs, inspiradas na obra de Gaudí que vimos depois, nas chaminés de La Pedreira ou Casa Milá.
Uma das características mais marcantes de Gaudí é a utilização de formas orgânicas em seus projetos. Suas colunas parecem galhos de árvores. Suas esculturas de ferro forjado mostram curvas e desenhos que parecem vivos. Seus telhados parecem sair de um conto de fadas ou bruxas… são cheios de máscaras imensas.

A Casa Milá  ou La Pedreira, como era chamado o edifício pelos antigos habitantes de Barcelona, que o consideravam feio ) é um prédio habitado, mas que pode ser visitado.
É impressionante o que foi capaz de criar o famoso arquiteto naqueles tempos, e admirável que tenham permitido suas inovações.
O pátio, as escadas, a cobertura com suas chaminés-esculturas e um apartamento completo, que foi comprado por um banco e decorado à moda art-deco do princípio do século, estão abertos ao público e valem a fila e o preço.
Eu gosto dele. Parece uma duna molhada, ou um conjunto de cavernas escavadas numa montanha… e quanto mais a gente olha, mas vê coisas!
E, detalhe importante, tem AR CONDICIONADO, meu maior objeto de desejo naqueles dias…
A Catedral de Barcelona, de estilo gótico, além de ser maravilhosa em si mesma, tem um encanto extraordinário, para os catalãos: um Cristo negro. O Cristo de Lepanto.
Segundo conta a tradição, ele estava na galera que levava Don Juan de Áustria, irmão bastardo do Rei Felipe II, durante a famosa Batalha de Lepanto contra os turcos, no século XVI. Falei nesta batalha quando contei sobre a vida de Miguel de Cervantes. Ele também estava lá.

O Cristo é especialmente reverenciado em toda a Espanha e mais ainda na Cataluña.
O coro da catedral, de madeira escura e trabalhadíssimo é alucinante. Pode-se passar horas descobrindo os detalhes esculpidos em suas cadeiras e tronos.
Sempre há muita gente visitando as belíssimas catedrais espanholas e eu, às vezes, queria esses lugares só para mim, pelo menos por uns minutos.
Queria não ter que escutar gente conversando, piscando flashes por toda parte, correndo de um lado para outro sem ver nada.
Queria não ver grupos de pessoas absolutamente desinteressadas no que estão vendo, mas seguindo seus guias muitíssimo interessadas em levar a maior quantidade de fotografias possíveis, mais ainda se forem dos lugares onde é proibido fotografar.
Eu saio do sério com esta gente! Tenho vontade de expulsá-los do templo, como fez Cristo com os comerciantes em sua época. Juro!
Onde estão minha bondade e compaixão?! Tóin!
Eles tem tanto direito de estarem ali quanto eu.
Outra visita que não se pode perder é à Igreja Santa Maria del Mar. Uma igreja também muito linda.
Ela alberga a Virgem Del Mar, padroeira das gentes de todos os mares.
E eu, enamorada por um pirata mediterrâneo, adorei ficar ali, protegida do sol, sentindo um frescor que vinha das pedras antigas, do teto altíssimo, da paz que os templos me dão…

Não sou religiosa mas sinto um encantamento enorme pelos templos. Eles realmente são construídos para propiciar essa sensação de colo macio, de conforto.
Nunca deixo de visitar as igrejas, as mesquitas, as sinagogas… não só pela arquitetura e história, mas também pelo que transmitem de acolhimento.
Quando você estiver viajando por qualquer lugar, na hora do grande frio ou do grande calor, não insista em bater pernas pelas ruas… busque um templo e fique lá por um tempo. E a melhor hora é quando está todo mundo nos restaurantes comendo e fazendo barulho.
Essa é a hora de estar quase sós num templo. Vá por mim…
Ano passado li uma novela muito boa, inspirada na construção desta igreja: Catedral del Mar, de Idelfonso Falcones. Se estiver traduzida para o Português, leiam. Além da trama excelente passada na época medieval, muito se fica conhecendo sobre fatos históricos reais da Cataluña.

Um programa imperdível de Barcelona é o Museu Picasso , que ocupa cinco palácios dos séculos XIII e XIV.
Conta com desenhos e pinturas de seus primeiros anos, além de cerâmicas e esculturas. Assim podemos entender melhor porque ele experimentou tantas mudanças na longa vida de artista.
Imagino que, pintando como pintava aos 14 anos, era impossível fazer o mesmo durante os 78 que lhe restavam de vida… tinha que inovar ou morrer de tédio!

Na porta do museu, um sujeito posava com os turistas fantasiado do quadro, O Arlequim Cubista, cuja orelha era um nariz. Perfeito!

Infelizmente não tenho a foto!
As Ramblas “do Planeta”, como diria Caetano é um lugar incrível. Ali acontece tudo. Na primeira vez que estive ali fiz questão de provar a orchata de chufas, que detestei. Pedi só por causa da música. Nunca mais!

As Ramblas são palco de todos os mímicos de Barcelona. Bailarinas, palhaços, princesas, Colombos, índios de arco e flecha, todos imóveis até que se jogue um moeda. Então eles se movem e agradecem. Um alegria para as crianças e os japoneses…

Eu gosto mais dos músicos. Sempre há músicos fantásticos nas ruas de Barcelona. Mas o melhor das Ramblas desta vez foi entrar no Mercado La Boqueria. Montanhas de frutas e especiarias. Verdadeiros quadros – ao vivo – de cor e alegria. Não resisti às amoras

Encontramos um pequeno bar de tapas e cerveja dentro do mercado. Comemos choquitos ( um molusco) e aspargos verdes a la plancha e dois litros de cerveja… que delícia! Ai!
Vou aproveitar para explicar o que é uma tapa.

Nada de violência, meus queridos, é só um petisco qualquer. Pode ser uma fatia de pão com tomate e presunto crú ou um pratinho de azeitonas, ou de mariscos, ou batatas bravas, salada russa…ou… ou….
A variedade é infinita e deliciosa, e o tamanho também. Tem bares que servem tapas que são verdadeiras porções, generosas no tamanho e no preço! A maioria das vezes nem se cobram as tapas… são presentes do bar. Cada bebida que se pede, eles servem uma tapa.
O nome tem a seguinte história: há muitos anos, uma lei obrigava os donos de bares que serviam bebidas alcólicas a dar um pequeno petisco para que os clientes não ficassem muito bêbados.
Já que na maioria dos bares, os espanhóis bebem em pé, junto ao balcão, o bocadito era servido em um prato pequeno que cobria o copo, como uma tampa.
(tapa em Espanhol)
O costume permanece até hoje.
Os espanhóis nunca saem para beber num único lugar. Eles tomam uma cervejinha aqui, pagam e saem… vão para outro bar, e outro … e outro… e assim saem de bar em bar. Só pagam a bebida e comem de graça. Ho, ho, ho…
Mas é preciso tomar cuidado, pois nem todos os bares servem tapas e nem todos são gratuitos. Por isso é bom saber antes!
Bueno, aprendi rapidinho o costume. E me encanta. Aproveitei todas cervejas e tapas de Barcelona. O pretinho básico que fosse ao inferno, ou ao fundo da mala já que no inferno estava eu!
Elegi uma saia e uma camiseta de algodão para a festa de aniversário de minha prima Paula, que trouxe os amigos de Londres para a “festa” e lá fomos nós para o Club Havana, na Barceloneta, comer, beber e dançar. Mesa reservada com antecedência.
Surpresa!! O ar condicionado era ótimo! No salão principal…
Nos reservaram uma mesa no salão lateral, sem ar… nem condicionado, nem natural. Uma estufa!
Reagimos revoltados ao “dar de ombros” do garçom e na cara de pau sentamos em outra mesa, que também estava reservada…
Mas quem disse que eles podiam ter ar e nós não?
Ao final, descemos para dançar. Escolhemos outra mesa, pois aí já não havia reservas, era de quem chegasse primeiro. Pedimos as bebidas, dispostos a curtir o melhor do Havana Club, a dança cubana!
De repente, percebi que a cada componente da nossa mesa que se levantava para dançar, sentavam desconhecidos com seus copos, como se fosse a coisa mais comum do mundo tomarem nossos lugares. Assim, quando as pessoas de nosso grupo voltavam do salão, já não tinham suas cadeiras. Como assim?
Assim. E pronto.
Ficamos entulhados num canto mínimo, com duas cadeiras para 11 pessoas, incomodando os novos donos da NOSSA mesa. Uma multidão chegando… e o ar condicionado acabando.
Tá bom. Tá bom…
“Modelos mentais, paradigmas…” pensei… “Que bobagem! Divirta-se…”
Tentei… Juro! E estava quase conseguindo, ajudada pela bebida fresca e a dança divertida comandada pelo cubano… mas quando saímos de lá e tivemos que passar mais de 1 hora para conseguir um taxi, a mais de 30 graus, às 3 da madrugada, andando de um lado para outro e tendo que quase lutar com os espertos que se atiravam pela porta do carro que nós tentávamos parar, o mal humor voltou com vontade de ficar.
Então… comecei a odiar Barcelona!


Às 4 da manhã, em casa, pensei que estaria finalmente livre da estufa.
Tomei uma longa ducha e deitei de frente para um ventilador lindo, fininho e vertical.
Isso, ele era apenas isso. Decorativo.
Tinha umas luzinhas de azul neón como olhos de extra terrestres no meio do escuro e soprava com uma elegância…
Pfussss…pfussss…
Ventilar que é bom, nipes nada!
Cadê meu leque???!!!
Não deu para dormir… e o dia seguinte já estava ali.
Nem imaginem minha cara de bom humor durante o café da manhã.
Mas como desistir de tudo ?!
Havia Paula e queríamos mostrar a ela o melhor da cidade.
Fomos ver o Palácio da Música. Bárbaro! Umas cores, uns desenhos!
Mas não pudemos entrar. Estava fechado, para reformas. Valeu ver pelo menos a fachada e comprar os postais.
Acho que o calor trouxe à Barcelona um forum de bruxas!
Ou foi o contrário?!
Então…
Para escapar do forno que estava mergulhada a cidade, um templo ou um museu são as pedidas mais refrescantes. E decidimos pegar a estrada e ir ao Museu – Teatro Gala-Dalí, em Figueres. Fora de Barcelona.
Parece que todo mundo teve a mesma idéia. Depois de uma hora e meia na fila, ao sol, e muito sorvete de limão, finalmente entramos para ver a genialidade do artista.

É impressionante! Desenhos, esculturas, pinturas, frescos nos tetos, composições artísticas muito loucas… valem o sacrifício da fila, embora para o meu gosto, o museu guarde muitas extravagâncias do artista e não os seus melhores trabalhos. Um dos que mais chamam a atenção é um enorme quadro onde se vê o ex-presidente americano Lincoln. Olhando por um “catalejo”, se pode ver os detalhes do quadro e o corpo desnudo de Gala, sua mulher, debruçada sobre uma janela. Também impressiona o fresco do teto de uma das salas do museu, em que Dalí e Gala sobem para o céu.Ou o trabalho que representa a famosa Mae West, com um sofá em forma de boca e uma lareira em forma de nariz.Subindo umas pequenas escadas, o expectador pode ver, em composição com as cortinas, o rosto da atriz.Duvidoso gosto artístico, mas sem dúvida, criativo.

O museu não é só composto de obras provocativas. Dalí era um gênio da pintura e do desenho. Era um show de técnica. Mas ele adorava provocar e viveu o bastante para expressar todos os fantasmas de seu inconsciente, além das mirabolantes expressões de um ego fenomenal.
No dia seguinte desisti das cidades e pedi, pelo amor de deus, um parque. Vento, sombras… AR!
Então fomos ao Parque Güell, idealizado por Gaudí. É lindo… e fresco. Fiquei um tempo escutando um artista que tocava a guitarra espanhola, sob uma sombra deliciosa, cercada de colunas lindas… e senti-me mais feliz. Muito mais feliz…
Vi um dragão colorido sobre uma fonte de água fresca, e me apaixonei por ele. Trouxe uma réplica pequenita para meu invernadeiro. Adoro olhar para ela, pequena e encantadoramente colorida. O dragão é um dos símbolos da cidade de Barcelona. Por todas as lojas de suvenirs ele está, em todos os tamanhos e materiais.

Os bancos do parque, anatômicamente desenhados para aproximar as pessoas e facilitar a comunicação são decorados com pedacinhos de cerâmica de todas as cores e proporcionam ao visitante uma vista maravilhosa da cidade.
Não levem em conta meu humor, expressado tão enfaticamente aqui. Barcelona não teve culpa. A cidade é fantástica, mas estava sob o efeito de uma das maiores ondas de calor que assolou a Europa. Só sugiro aos viajantes que não escolham o mês de Agosto para estarem ali, se puderem.
A umidade do ar, a quantidade de gente nas filas, o sol de derreter os neurônios… é desesperador, pelo menos para mim.
Na volta do parque, um passeio pelo Porto Olímpico, a vista dos barcos à vela e navios de cruzeiro, branquíssimos e enormes, as pessoas de todo o mundo passeando pelas lojas, bares e restaurantes , a praia repleta de banhistas, os topless de todas as idades e tamanhos, e muitas paradas para uma cerveja ou um sorvete ou uma água pelo amor de Deus!
Isso tem que ser muito mais gostoso no Outono ou na Primavera, disso não tenho dúvidas!
No verão os sol só desaparece às 10:00 horas da noite. É um dia largo demais!
Eu já estava querendo a noite, a brisa… os terraços frescos.

Mas desta vez, nem de noite havia brisa. Era o inferno, de verdade!

Então… caminhando e caminhando, dei de cara com a Séphora, uma famosa loja de perfumes. Quase um supermercado de vidrinhos maravilhosamente cheirosos! É de enlouquecer entrar nessa loja.
Agora, meu presente de Barcelona foi a Happy Books. Uma livraria especial, com preços super especiais. Fiquei louca, babando como um cãozinho sedento com tantas ofertas!
Comprei um exemplar de História da Arte, ricamente ilustrado e encapado em caixa e fita de seda, por míseros €15,00, quando qualquer publicação deste quilate vale de €70 a €90 , por baixo!
Voltei “happy woman” para Santorcaz, com meu dragãozinho e meu livro debaixo do braço.
E voltar lá só em Novembro, com frio, se Deus quiser!
Pois, desta vez, nem pensei em dançar a Sardana diante da Catedral.
Quando estive ali, na Primavera de 94, tive o prazer de dançar o baile mais característico da Cataluña… e que eu morro de vontade de repetir.
Desta vez sequer pude ver o enorme grupo de pessoas rodando com as sapatilhas de lona e os braços erguidos, num grande círculo humano a “ciranda” espanhola.
E também não pude escutar um violinista ensaiando suas partituras no átrio em frente a Torre Antiga, no coração do bairro gótico dessa cidade encantada…
Com aquele calor, só turistas estavam nas ruas.
Mas eu volto lá… ah! se volto!
Belo lugar… belíssimo!

Categorias: Cicatrizes da Mirada, Viagem | Tags: , , , | 12 Comentários

Zaragoza II

Da seguinte vez que estive em Zaragoza já pude dedicar-me ao rio… e por algum tempo fiquei perto dele, escutando sua música e suas histórias.
Gosto de descobrir as lendas que vivem entranhadas nas cidades.
arca de noé
O rio Ebro tem muitas.
Numa delas, estudiosos bíblicos garantem que ele foi a via que seguiu Tubal, neto de Noé, depois do grande dilúvio.
Dizem que, quando se pode pisar terra firme, Tubal foi fundando colônias ao longo do Ebro.
Zaragoza é uma dentre tantas outras.

Além disso, são inúmeras as aparições de imagens católicas flutuando sobre suas águas: Nuestra Señora de la Ola, Santa Madrona, Santa Paulina, Santa Susana ou Santa María de la Muela.

Eu gostei da história do sino. Vou contar…
Uma vez apareceu um sino sobre as águas do rio, navegando contra a corrente. Foi retirado e colocado na igreja de San Nicolás, na capital aragonesa. Dizem que desde então ele tocava sozinho para anunciar grandes tragédias.
Prometi ir vê-lo… e mais uma vez não me deu tempo. Terei que voltar.
Só não quero que ele soe enquanto eu estiver ali. Ho ho ho!
A Ponte Romana também tem suas histórias e conta com a ajuda da crença popular para mantê-las vivas.

Dizem que junto a terceira arcada, perto da margem da Basílica del Pilar, há um temido poço, sem fundo “conhecido”, chamado Pozo de San Lázaro.

Ele traga para sempre os pobres desgraçados que caem aí. É, inclusive, o lugar eleito pelos suicidas para darem fim às suas vidas.

Contam os ventos que um casal de namorados afundou nele, unidos pelos pescoços atados com o mesmo lenço de quadros, o conhecido e tradicional “cachirulo zaragozano” e que seus corpos jamais foram encontrados.


Mas ela também nos conta seus dias de lutas pela liberdade de seu povo. Grandes batalhas foram travadas em Zaragoza.
Mas eu não gosto de falar em guerras. Ponto.
É bela, a ponte. Belíssima!
Também é bela a Catedral de Zaragoza. Consagrada a Cristo, el Salvador, o templo é um caso de amor da cidade. E eu entendo esse amor perfeitamente.

La Seo foi construída sobre o mesmo local onde havia um dos mais importante templos romanos de Hispânia. Com a queda do Império Romano e a chegada dos visigodos, o templo pagão foi transformado em cristão e consagrado a San Vicente.
Mas este período durou pouco e o local foi logo substituído por uma mesquita muçulmana, após a invasão árabe à Península Ibérica.
Acho que já falei isso aqui. A desculpa era que aquele lugar simbolizava uma terra sagrada, mas na minha opinião o verdadeiro motivo era tentar “apagar” a religião e a cultura passada, destruindo os seus lugares de reunião e culto.
Uma pena para a arte.
De vez em quando, durante alguma reforma, ainda se encontram peças de uma dessas antigas construções.
Nesta tivemos sorte, pois muito dos belos traços mudejar, isto é, o estilo utilizado nas mesquitas, permanece nos muros, entradas e tetos… e graças ao bom senso de alguns construtores continuam a enfeitiçar os visitantes da Catedral del Salvador.

La Seo, como é chamada, é um conjunto arquitetônico impressionante!
Esteve fechada ao público por muitos anos, devido a uma dessas reformas onde os achados arqueológicos exigem a presença, não de simples pedreiros e sim de renomados especialistas que custam muito caro e levam uma eternidade soprando pozinhos e passando pincéis por mil anos de pedrinhas.
Um trabalho encantador, diga-se de passagem.
A história da construção deste templo é enorme e se remonta ao ano 1140. Nem pretendo contá-la aqui. Deixo a missão para outros.

Acho interessante saber a história de uma construção, mas geralmente esqueço os nomes e datas, os tipos de arcadas, etc. Esse tipo de relato é mais importante para arquitetos, estudantes de arte e por aí.
Eu sou só amante.
Procuro ler sobre ela “in loco”, durante a visita. Vou lendo e acompanhando com os olhos o que me explicam os textos. É diferente de ler aqui.
Essa história a gente vai “sentindo” e aprendendo a medida que vai visitando, muitas e muitas vezes, suas naves e capelas e, pouco a pouco reconhecendo os estilos ( românico, mudejar, gótico, renascentista e barroco ) que convivem naquele templo.
É incrível ver essas mudanças na construção, de acordo com a moda do século, o dinheiro investido, a intenção de deslumbrar dos arquitetos e dos responsáveis pela obra.
Cimborrio de La Seo ( interior )
La Seo é uma verdadeira aula de arquitetura sacra. Para qualquer lugar que se olhe a gente aprende.
Gostei principalmente das capelas de alabastro, repletas de translúcidas figuras que parecem roubar a alma do artista para dentro dos corpos esculpidos.
Mas deslumbrei também com os tetos, lindos como este.
E então, vale a pena ficar aí dentro por umas duas horas, não é?
Depois disso tudo… o melhor é parar, respirar fundo e sair agradecido por ter podido estar ali.
Ir descansar na praça ou entrar em algum bar de tapas para comer qualquer das muitas delícias de Aragón é uma excelente ideia.
Nada de sair correndo para ver outra igreja ou outro monumento. É preciso parar, deixar que ela se implante em sua memória.
Aproveite o relax para saborear o jamon de-li-ci-o-so, o vinho tinto, os caracoles, as migas, o cabrito…
O bom é que em Zaragoza, como em toda a Espanha “se come de maravilha!”
Quem sabe vale a pena trazer uma receitinha de novo… faz tanto tempo que não publico algo de comer por aqui!
Ah.. mas antes tenho que escrever sobre a Expo2008. Não, não pretendo contar como foi a exposição, depois de tanto tempo. Dela o que mais recordo são as filas intermináveis e que quase morri de calor!
Quero contar sobre um acontecimento especial que tive a oportunidade de presenciar quando estive ali.
Estou escrevendo sobre isso.
No próximo post.

Categorias: Cicatrizes da Mirada | Tags: , , , | 1 Comentário

Mais Uma Mudança…

Eu e minhas muitas mudanças!
Até parece que elas acontecem apenas para dar um toque de balanço nessa vida de jardineira que tenho levado.
A partir de agora vou manter um único blog. Este.
O Cicatrizes da Mirada está perto de ficar sem espaço e em breve vai começar a perder os arquivos.
O Síndico da comunidade Verbeat, o Gejfin, ofereceu-se para trazer os arquivos para o Língua de Mariposa, mas já cansei de republicar posts atrasados nos muitos blogs que já perdi pelos caminhos da blogosfera.
Assim, decidi o seguinte: vou começar a escrever os novos posts sobre a Espanha aqui. Criarei um categoria para eles. E, para não perder tudo o que já publiquei, estou fazendo um back up dos antigos posts num blogspot, já que agora se pode postar fotos com tranqulidade.
Bueno… é isso. Por enquanto.
A maioria dos amigos que frequenta o Cicatrizes da Mirada já leu e releu os posts passados, assim que vou deixar aí ao lado o link do endereço novo, apenas para podermos acessar algum arquivo sobre as muitas cidades espanholas que já visitei.
Espero que a partir de hoje, eu possa atualizar com mais frequência esse blog e dinamizá-lo mais.E vou também ter mais tempo para visitar os maravilhosos blogs da “listinha” ao lado!
Vai ser mais cômodo para mim e acho que também para vocês!

Categorias: Mundo Virtual | Tags: , | 27 Comentários