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Que Paraíso é Esse?


A primeira conversa:
-Oi, sou Eva.
-Hã ???
-Meu nome é E-v-a. Sou tua companheira aqui no édem.
-Hã ???
-Alouuuu!!!! Tem alguém aí ? …Sou Eva, mulher, linda e necessária, estou aquí (com um dedo mostrando a cabeça).
-Hã !!!! onde estou ???
-No édem, meu docinho. O paraíso, nossa casa.
-Como cheguei aqui?
-Foi Deus quem mandou. (Olhando pra cima, com “aquele” olhar)
-Que dia é hoje ?
-Domingo. O último dia da criação. Deus te criou pra me fazer companhia. Ele me disse que havia alguns defeitos, mas acho que ele exagerou. Vem cá, Adam, acho que você está com fominha, come essa maçã aqui, come.
-Agora ??? Acabei de acordar, estou com um jornal na boca e nú. Vou tomar um banho. (Pensando…Meu Deus, o que foi que eu bebi ontem, onde eu estava, o que foi que eu fiz ?????)
Deus sorrindo escondido, com seu sutil senso de humor, criou o almoço de família, futebol, praia, chopinho, bigbrother, fantástico, tudo aos domingos.
* Publicado por Sérgio Borges, no finado blog Pirata da Rua. Saudades dele!

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Faça Fácil…

Por mais confortável que fosse o colo de minha mãe nos anos que se seguiram à minha separação e a ajuda que me deu cuidando da neta nas muitas viagens de trabalho, decidi que queria casa própria. Queria deixar de ser mãe e filha na mesma casa. Queria cuidar de mim mesma e de minha filha. Queria meu próprio espaço, com direito a não ter que ver o Faustão. Isso! Com direito a sequer escutar a sua voz por trás da porta fechada do quarto. Com direito a não ligar a televisão por toda uma semana!!! Por um mês… por um ano, se eu quisesse. Pois… assim. Aluguei um poleirinho no décimo quinto andar de um prédio, em Boa Viagem. Pequenino, bonitinho….e quente. Era poente. O sol vinha de se punha dentro da sala todos os dias. Tudo bem… tudo bem. Era meu canto, isso era o importante. E eu podia pagar. Isso também era importante. Um tapete, uma rede, almofadas.Uma janela para o espaço, por onde entrava a lua tardia e solitária. Uma mesa emprestada. Dois quartos mí­nimos, onde só cabiam mesmo as camas e o computador. Banheiro minúsculo e cozinha ridí­cula! Era um corredor com um balcão de dois palmos e uma pia. Uma cozinha que eu não sabia usar, mas tudo bem… tudo bem… tudo se aprende! O apertamento ( com “e”) era tão pequeno que eu brincava com os amigos contando a piada de que ” aqui não tem lá dentro, é tudo aqui mesmo!” E fiz uma placa perto da porta que dizia: “Cuidado! Janela próxima!” Mas era aconchegante, esbanjava calor humano. Meus quadros, minhas velas, meus livros e discos. A rede e a grande janela. E a televisão SEMPRE desligada. Delí­cia de vida! Comecei meus dias de Tonhão. Eu não sabia fazer nada. Nem montar cortinas (Tudo bem, eu gosto de sol, mas ele queria mudar-se para dentro da minha casa e ficar lá, para sempre), nem montar varais para roupas lavadas, nem estantezinhas de ferro dessas que mentem dizendo “Faça Fácil.” Fácil??? Passava horas enrolada com aquelas grades que não encaixavam de forma alguma nas fendas dos suportes. E quando eu pensava que havia conseguido, ao primeiro peso de livro, desmontava inteira! Miserável! Mas não desisti. Já que tinha casa, de-ve-ria aprender a fazer as coisas sozinha. Não tinha dinheiro para ficar pagando para os mil-pequenos-serviços que um lar necessita. Tudo se aprende. Ou não? Um dia, cheguei em casa cheia de boa vontade, uma sacola de suportes para shampoo e toalhas, prateleiras para o corredor-cozinha e uma furadeira Black & Decker. Emprestada. Lógico. Vesti meu traje Tonhão Gay, ( camiseta e calcinha ) e fui para o banheiro empunhando a furadeira como um Rambo. Medi a parede para furar longe da torneira do registro de água. Dois palmos à direita… e frummmmmm…. frummmmmmmmm….pozinho branco para todo lado. Bucha de plástico. Parafuso… Ótimo. Segundo movimento. Frummmmm…. frumpfhr….e um jorro de água me atingiu direto no olho. Como assim? Tapei o buraco com o dedo. COMO ASSIM?? Estiquei a mão e fechei a torneira do registro. Tirei o dedo. Fruvrrrrrrrrrrrrr… água. Muita água. E com força. Fui fechar outra torneira na área de serviço. Essa deveria ser a geral. Não era. Peguei um balde para aparar a água que já inundava o banheiro e a cozinha. Botei o dedo lá e fiquei tentando telefonar para meu irmão e gritar por socorro. Tun-tun-tun! Ocupado. Ocupado. Ocupado… Quando finalmente consegui que atendesse, eu já estava quase chorando. Em pânico, relatei o sucedido. Ele soltou uma gargalhada enorme e disse: ” Foi mesmo…??? Hahahahah. Chame um encanador”. “Fdp*##, cretino, canalha”. Pensei. Mas não disse. A mãe dele era a minha! Agradeci pela ajuda e conselho… e desliguei, com ódio por essa criatura ser meu parente! Chamei o porteiro e pedi para ele subir. Vesti um short e fiquei lá, com o dedo tapando o furo. Mas não estava dando para segurar o jorro. Quando o sujeito chegou, descobrimos que o cano que eu furei não era o meu, o privado. Eu havia furado o cano DO prédio. Tiveram que fechar o registro geral e cortar a água dos 90 apartamentos, bem na hora em que todos estavam chegando do trabalho. !!!!…Putz! Finalmente um encanador chegou com sua maletinha, tapou o furo com não-sei-o-quê e cimento. E cobrou: “100 real, dona”. Quanto??? Cem reais. Isso mesmo. E sem pendurar o suporte para shampoo. Eram mais de dez da noite quando finalmente pude secar a casa, tirar a roupa ensopada e tomar um banho. Foi meu último ato como “Tonhão”  Decidi que na próxima, iria vestir uma roupinha bem feminina e chamar um amigo Rambo para tomar um vinhozinho… quem sabe ele pendurava aquelas “benditas” prateleiras.

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Neuras de Mulheres…


Visita de rotina aos médicos. Todo ano a mesma peregrinação. Mastologista, ginecologista, oftalmologista, dentista…
Mas um dia, resolvi incluir um “ista” novo na minha odisseia: um dermatologista. Já era hora de procurar uns creminhos mágicos para tentar retardar ao máximo as marcas da inevitável entrada nos enta.
Para ser sincera e nem um pouco modesta, entrei gloriosa nesta seita, com direito a uma festa memorável que durou até às 10 horas da manhã do dia seguinte. Festa com música ao vivo ao som de “Los Años Dorados”, na melhor boate da cidade com todos os amigos. Tenho fotografias para provar. Estava tudo maravilhoso! Na verdade, me sentia espetacular. Tudo certo.
Ninguém podia cantar para mim a frase da Calcanhoto “nada ficou no lugar…”

Mas não sei o que deu no espelho lá de casa que resolveu, do dia para noite, tomar ares de conto de fadas. Aliás, conto de bruxas! E mostrar coisinhas que nunca haviam aparecido. Ou eu não havia notado? Pontinhos azuis nos tornozelos, pintinhas negras no colo, nos braços, bolinhas vermelhas na bunda, olheiras mais profundas…
Como assim???
Assim…sem avisar nem nada. De repente o idiota resolveu mostrar e pronto.
Ah, não. Isso não vai ficar assim. Ista novo na lista do convênio. O melhor. Queria o melhor especialista de todos os ISTAS !
Achei. Marquei. E fui tão nervosa quanto para um encontro ” bem intencionado” daqueles que a gente escolhe a roupa í­ntima com cuidado, que é para não fazer feio nem parecer que foi uma escolha proposital…
Sabe como é, né?
Pois sim. O sujeito era um dermatologista famoso. Via e futucava a pele de toda a nata feminina e masculina da cidade. Assim, me armei de humildade, disposta a mostrar cada defeitinho novo que estava observando através do maquiavélico e ex-amigo espelho de meu quarto.
Depois de fazer uma ficha com meus dados, o “doutor” me olhou, finalmente nos olhos, e perguntou: “O que lhe trouxe aqui?” Fiquei vermelha como um tomate. E muda.
Ele sorriu e esperou. Quase de olhos fechados desfiei minhas queixas.
Hum…ele observou ” in loco” cada uma delas, com uma luz de 200wtz e uma lupa… e começou o seu diagnóstico:
“As pintinhas são sinais de sol, por todo o sol que já tomou na vida. Com a idade ( tóin! ) elas vão aparecendo, cada vez mais numerosas. Você vai precisar de um protetor solar para sair de casa pela manhã, mesmo sem ir à praia. Para dirigir mesmo. Usar nos braços e pernas e rosto e pescoço.”
E praia? Perguntei.
“Evite. Só de 6 às 10 da manhã, sob proteção máxima, guarda sol, óculos e chapéu. Bronzear-se, nunca mais.”
Ahmmm… (a turma só chega às 11:00 !?)
“Os pontinhos azuis são pequenos vasos que não suportam a pressão do corpo sobre os saltos altos. Evite-os. Use sapatos com saltos anabela ou baixos, de preferência. Compre uma meia elástica, Kendall, para quando tiver que usar os saltos altos.”
Ahmmmaaaan??? (Kendall?? E as minhas preciosas sandalinhas??)
“As bolinhas na bunda são normais, por causa do calor. Para evitá-las use mais saias que calças compridas. Evite o jeans e as calcinhas de lycra. As de algodão puro são as melhores…e folgadas.”
Ahmnunght???? (e pude ” ver” as de minha mãe, enormes, na cintura, de florzinhas cor de rosa…..vou chorar!)
“As olheiras são de famí­lia. Não há muito o que fazer. Use esse creminho à noite, antes de dormir e procure não dormir tarde. Alimentação leve, com muita fruta e verdura, pouca carne e muito peixe. Nada de tabaco, nem álcool… nem café…”
E a histérica aqui­ começou a rir…
Agradeci, peguei suas receitinhas e saí­ rindo, rindo… me dobrando de tanto rir!
No carro comecei a falar sozinha e dizer tudo o que deveria ter dito e não disse:
” Trabalho muito, doutor! … muitas noites vou dormir às 2 horas da manhã, escrevendo e lendo. Bebo e fumo. Tomo café. Saio pelas noites de boemia com os amigos e os violões para as serenatas de lua cheia….e que noites!!!!
Adoro os saltos, principalmente nas sandálias fininhas. Impossí­vel a meia elástica (argh!!) Calcinhas de algodão? E folgadas??? Adoro as justinhas e rendadas… E não abandono meu jeans nem sob ameça de morte!!! É meu melhor amigo!
Dormir lambuzada? Neste calor? E minhas duchas frias com sabonete Johnson para ficar fresquinha como um bebê, cada noite?
E nada de praia? O senhor está louco é??? Endoideceu foi??? Moro em Recife, com esse mar e tudo… e tenho só 40 anos… meia vida inteira pela frente!
Doutor Fulustreco, na minha idade não vou viver como se tivesse feito trinta anos em um!! Até um dia desses tinha 39… e agora em vez de 40 estou fazendo 70? …
Inclua aí­ na sua lista de remédios para as mulheres de 40 a 60, MEIA LUZ…
Acho que é só isso que eu preciso! Um bom abajur com uma luz de 15wts…
E um namorado que use óculos…
É isso… só isso! Entendeu????”
Parei o carro no sinal, olhei de lado… e um garoto de uns 25 anos piscou o olho para mim. Rá!… e ele nem usava óculos!
Nunca fiz o que me recomendou o fulustreco ista.
Minhas olheiras são parte de meu charme. E valem o que faço pelas noites adentro… Ah! se valem!
As bolinhas da bunda desapareceram com uma solução caseira de vitamina A, que quase todas as mulheres usavam e eu não sabia, até que contei minha historinha do “bruxo mal”.
Os sinaizinhos estão aqui, sem grandes alardes… e até que já acho bonitinho.
O espelho é muito menor…o outro eu dei a minha filha. Rá!
E meu namorado diz que estou cada dia mais linda! Principalmente quando estou de saltos e rendas, disposta a encarar uma noite de vinhos e música. Hum!
É claro que ele usa óculos.
Mas quando quero ficar fatal mesmo… tiro os seus óculos…e acendo o abajur.

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