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Para mim mesma…

Eu guardei este texto para voltar a ele muitas vezes. Também para poder compartilhar com minhas velhas e novas amigas… Acho que ele é perfeito, embora  eu esteja, finalmente, tirando essa palavra do meu dicionário…

VOCABULÁRIO  FEMININO.

por Leila Ferreira

Se eu tivesse que escolher uma palavra- apenas uma -para ser item obrigatório no vocabulário da mulher de hoje, essa palavra seria um verbo de quatro sílabas: descomplicar. Depois de infinitas (e imensas) conquistas, acho que está passando da hora de aprendermos a viver com mais leveza: exigir menos dos outros e de nós próprias, cobrar menos, reclamar menos, carregar menos culpa, olhar menos para o espelho.

Descomplicar talvez seja o atalho mais seguro para chegarmos à tão falada qualidade de vida que queremos – e merecemos – ter. Mas há outras palavras que não podem faltar no kit existencial da mulher moderna. Amizade, por exemplo. Acostumadas a concentrar nossos sentimentos (e nossa energia…) nas relações amorosas, acabamos deixando as amigas em segundo plano.  E nada, mas nada mesmo, faz tão bem para uma mulher quanto a convivência com as amigas. Ir ao cinema com elas (que gostam dos mesmos filmes que a gente), sair sem ter hora para voltar, compartilhar uma caipivodka de morango e repetir as histórias que já nos contamos mil vezes- isso, sim, faz bem para a pele.

Para a alma, então, nem se fala.

Ao menos uma vez por mês, deixe o marido ou o namorado em casa, prometa-se que não vai ligar para ele nem uma vez (desligue o celular, se for preciso) e desfrute os prazeres que só um aboa amizade consegue proporcionar. E, já que falamos em desligar o celular, incorpore ao seu vocabulárioduas palavras que têm estado ausentes do cotidiano feminino: pausa e silêncio.

Aprenda a parar, nem que seja por cinco minutos, três vezes por semana, duas vezes por mês, ou uma vez por dia- não importa -e a ficar em silêncio.  Essas pausas silenciosas nos permitem refletir ,contar até 100 antes de uma decisão importante, entender melhor os próprios sentimentos, reencontrar a serenidade e o equilíbrio quando é preciso.

Também abra espaço, no vocabulário e no cotidiano, para o verbo rir.

a-madura-con-arrugasNão há creme anti-idade nem botox que salve a expressão de uma mulher mal-humorada. Azedume e amargura são palavras que devem ser banidas do nosso dia a dia. Se for preciso, pegue uma comédia na locadora, preste atenção na conversa de duas crianças, marque um encontro com aquela amiga engraçada – faça qualquer coisa, mas ria. O riso nos salva de nós mesmas, cura nossas angústias e nos reconcilia com a vida.

Quanto à palavra dieta,cuidado: mulheres que falam em regime o tempo todo costumam ser péssimas companhias.  Deixe para discutir carboidratos  e afins no banheiro feminino ou no consultório do endocrinologista… Nas mesas de restaurantes, nem pensar.  Se for para ficar contando calorias, descrevendo a própria culpa e olhando para a sobremesa do companheiro de mesa com reprovação e inveja, melhor ficar em casa e desfrutar sua salada de alface  e seu chá verde sozinha.

Uma sugestão?

Tente trocar a obsessão pela dieta por outra palavra que, essa sim, deveria guiar nossos atos 24 horas por dia: gentileza. Ter classe não é usar roupas de grife: é ser delicada. Saber se comportar é infinitamente mais importante do que saber se vestir.  Resgate aquele velho exercício que anda esquecido: aprenda a se colocar no lugar do outro, e trate-o como você gostaria de ser tratada, seja no trânsito, na fila do banco, na empresa onde trabalha, em casa, no supermercado, na academia.

E, para encerrar, não deixe de conjugar dois verbos que deveriam ser indissociáveis da vida :sonhar e recomeçar.  Sonhe com aquela viagem ao exterior, aquele fim de semana na praia , o curso que você ainda vai fazer, a promoção que vai conquistar um dia, aquele homem que um dia (quem sabe?) ainda vai ser seu, sonhe que está beijando o Brad Pitt …  sonhar é quase fazer acontecer.

Sonhe até que aconteça..

E recomece, sempre que for preciso: seja na carreira, na vida amorosa, nos relacionamentos familiares. A vida nos dá um espaço de manobra:  use-o para reinventar a si mesma.

E, por último (agora, sim, encerrando), risque do seu Aurélio a palavra perfeição. O dicionário das mulheres interessantes inclui fragilidades,  inseguranças, limites. Pare de brigar com você mesma para ser a mãe perfeita, a dona de casa impecável, a profissional que sabe tudo, a esposa nota mil.  Acima de tudo, elimine de sua vida o desgaste que é tentar ter coxas sem celulite, rosto sem rugas, cabelos que não arrepiam, bumbum que encara qualquer biquíni.

Mulheres reais são mulheres imperfeitas.

E mulheres que se aceitam como imperfeitas são mulheres livres.

Viver não é (e nunca foi) fácil, mas, quando se elimina o excesso de peso da bagagem (e a busca da perfeição pesa toneladas), a tão sonhada felicidade fica muito mais possível.

Leila Ferreira, está fazendo tratamento de um câncer de mama.

 

 

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Dia Internacional da Mulher…


( Essa foto é de um site sueco.)
Mulheres de todas as raças e idades…
Recordem que uma ação vale mais do que mil palavras…
Não acreditem em amores cruéis. Não há amor na crueldade!
Não negociem sua dignidade. Nunca!
Não apiadem-se de seus carrascos. Eles não precisam de sua piedade, mas se aproveitam dela. Eles se alimentam de seu medo!
Por favor! Cuidem-se.
Amem-se.
Procurem ajuda.
DENUNCIEM A VIOLÊNCIA DOMÉSTICA
Postagem coletiva pelo Dia 08 de Março.
Sugestão de Denise Arcoverde, do Síndrome de Estocolmo.

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Idades Para Viver…

Quando cumpri os 50 anos pensei em escrever sobre o que está significando para mim ter esta idade, seu efeito no meu mundo, tanto interno quanto externo. Mas não estava tão simples e fácil…

Há dias que me sinto jovem e cheia de vida, sexy até. Tenho vontade de sair e comprar uma saia nova, botas de cano alto, brilho para os lábios…
Sorrio para o espelho do quarto e agradeço a grande oportunidade que a vida está me dando de viver um amor maduro e gostoso, um casamento para breve, uma paz interior, uma alegria ao despertar de cada dia. A saúde vai bem, o que é essencial. O amor também, o que é fundamental. Nada para queixar-me.
Em outros parece que o espelho resolve brincar de bruxo mal e me mostra horrível, envelhecida, sem graça, sem brilho. É difícil até escolher uma roupa para vestir. Nenhuma cor combina com este estado de espírito. E menos ainda com este sobrepeso. Mulher extra-large não cabe em qualquer trapo!

Já sei! Já sei!

Meu olhar escapa dos olhos, desce pelas rugas que não estavam aí até ontem ( ou sim? ou não?) e passeia pelo resto de um corpo que não é mais o que eu me lembrava que tinha até o ano passado.
A menopausa avisa que está chegando com frios e calores, mudanças bruscas de humor, ansias desconhecidas. Medos novos. Ganas de chorar por nada e por tudo… que tudo?
Quem quiser que diga que não, mas cumprir 50 anos é uma passagem. Como se a gente cruzasse o umbral de uma porta sem saber para onde está indo, nem no que vai se transformar. Cada mulher entra e sai desta experiência de um jeito. Apesar das semelhanças em geral, as particularidades contam.
– Como será que vou ficar depois desta passagem?
– E os hormônios? Vou virar EX também neste sentido? Arrisco ou não a reposição hormonal tão polêmica nos meios médicos ?
Pois sim… escrever sobre o desconhecido momento que estou passando não é fácil.
Mas, um dia destes, deparei-me com um pequeno artigo na seção “Manual de Curiosos” do Magazine, suplemento semanal do El Mundo, que ajudou-me a refletir sobre minhas muitas idades. E isso me fez um bem danado. Vou dividir e explicar aqui. O assunto dá muito pano pra manga. Querem ver ?
Para começar ele diz: “Não temos uma idade, temos sete.”

A ilustração é um belo quadro de Grien, um pintor alemão do século XVI e está entre suas melhores obras, atualmente exposta em um museu de Leipzig.
O quadro foi batizado assim: “As Sete Idades da Mulher”, mas apesar da alegoria estar representada por figuras do sexo feminino, creio que podemos generalizar para toda a espécie humana, sem distinção de gênero.
Pois sim…
O que vale aqui é que sua obra serviu de ilustração para relacionar as sete idades que uma pessoa tem ao mesmo tempo.
A idade cronológica é apenas uma delas. Talvez a mais importante na hora de pedir um empréstimo ou preencher formulários médicos, diz a autora do artigo, Cristina Frutos. Mas certamente não é a mais importante para quem está vivendo. Mede apenas os anos vividos desde o dia do nascimento.
Pessoas com mais idade cronológica podem sentir-se, e realmente serem, muitíssimo mais jovens que outras com menos tempo de vida que elas. (Ou o contrário!)
A gente precisa rever os conceitos de juventude e velhice. E é isso que tenho feito ultimamente. Estou revendo meus antigos conceitos! O artigo da revista é pequenino e superficial, mas vale pelo que incita a buscar. Então eu fui dar uma lida por aí e encontrei coisas muito interessantes.
Vejam só…
Idade Aparente é aquela que nos atribuem os outros, baseados em nosso aspecto físico. Nessa eu saio perdendo, pois nem botox, nem silicone, nem cirurgias plásticas, nem nada… como diz a Ro, uma amiga de Recife, sou original de fábrica e os 50 anos vividos estão TODOS aqui. Ho ho ho!
Mas olho! Esta idade tem muito a ver com o estado geral das outras idades. É preciso cuidar DELAS TODAS!
Idade Psicológica é a idade auto percebida. É aquela em que uma pessoa se sente localizada. Está relacionada com as próprias atitudes. Corresponde à capacidade de adaptação, às reações e à auto imagem das pessoas. Reflete e experiência subjetiva que cada um tem em relação à sua idade cronológica e estágio de vida.
Uma pessoa pode sentir-se muito mais jovem do que marca realmente sua carteira de identidade. Seu comportamento, forma de vestir e falar, atitude em relação à vida, etc, serão influenciadas por esta idade “sentida”.
Neste caso, eu acho que, sem olhar muito detidamente no espelho, aliás, de olhos fechados eu tenho uns 38 ou 40 anos, por aí. Normal. A maioria das pessoas sente-se mais ou menos 10 anos mais jovem, sem riscos de parecerem idiotas. Muito pelo contrário, sentir-se mais jovem impulsiona as pessoas a viverem mais ativamente. Pena que não me sinta assim todo dia!
Idade Emocional é a que demonstramos pela qualidade das relações que temos com o próximo, pelo grau de amor ou dor que predominam em cada um a partir das experiências de vida. Isso é o que defende o filósofo Guido Mizrahi.
Entendi que esta idade se mede pela qualidade do afeto da pessoa consigo mesma e com o mundo que a cerca.

Ele exemplifica assim: ” Te conto que os bonsai são aqueles sêres que tem toda a aparência de serem grandes, mas permaneceram pequenos porque os jardineiros japoneses descobriram que, se cortavam as raízes das árvores, as árvores não cresciam nem em altura nem em tamanho, permaneciam pequenas. Nos seres humanos as raízes não são nem mais nem menos que os afetos, o que nos agarra à terra, o mais concreto que temos.” 
Essa vou deixar para comentar em outro post. Tenho uns cortes que vêm desde a época do Lorde que só pude cicatrizar depois de experimentar o amor de mãe, alguns anos de terapia, uma puta depressão e… melhor escrever sobre isso outro dia.)
A idade biológica é aquela que se corresponde com nosso estado físico e de saúde. É a idade que o organismo demonstra com base na condição biológica dos seus tecidos comparados com padrões; depende dos processos de maturação biológica e de fatores exógenos.

A idade biológica é o termômetro que mede como está o funcionamento fisiológico de nosso corpo e mente e é a mais importante a ser considerada no processo de envelhecimento.
Pode ser medida utilizando-se os conhecidos marcadores biológicos: composição corporal (relação entre o percentual de gordura do indivíduo e a quantidade de massa magra), pressão arterial, audição, visão, níveis hormonais, densidade óssea, níveis de açúcar e colesterol no sangue, qualidade da pele, imunidade e metabolismo.
Essa também pode estar bastante abaixo da idade cronológica, principalmente no mundo mais desenvolvido. Hoje em dia algumas pessoas com mais de 80 anos são capazes de correr até maratonas. Em compensação, em alguns países da África, uma mulher de 30 anos pode já ser uma anciã.
Agradeço todos os dias pela saúde que desfruto, mas sinto a minha idade no sobrepeso da menopausa e também quando o corpo não responde com a mesma flexibilidade e rapidez de antes.
Estou já matriculada na Yoga, claro! A gente não tem que se entregar, não é misifios!
Bueno… agora só faltam mais duas para completar as sete.
A idade social, que é aquela que se mede pela capacidade de contribuir ao trabalho e ao grupo, mantendo-nos inseridos e valorizados pela sociedade. Esta varia demais, como variam as sociedades pelo mundo a fora.
Em muitos países os idosos são considerados “estorvos”, desprezados e abandonados à solidão. Mas existem sociedades em que as pessoas mais velhas são consideradas mais experientes e sábias e são muito valorizadas.
Ainda estamos longe do valor que tem os anciãos no japão, mas acho que, no ocidente, as pessoas maiores de idade já estão lutando contra esta discriminação e conseguindo algumas vitórias, mantendo-se ativos e participantes na vida da família e do grupo social até o final de suas vidas.
E, para finalizar, a mais oculta e secreta, segundo o filósofo Mizrahi é a idade espiritual.
E ele diz, sabiamente, aos 38 anos cronológicos de vida: “A idade espiritual é uma gradual tomada de consciência a cerca do carater divino que há dentro de cada pessoa. É um despertar. É sair do tempo para conectar com o divino aqui e agora.
É uma idade que se mede pelo grau de consciência de que uma pessoa, como ser humano, está conectado com as fontes espirituais que regem o universo. É tomar consciência de que se é amado e protegido por elas, que é finalmente um servidor dessas fontes espirituais.”

E diz ainda: “Para alcançar este despertar é importantíssimo haver conseguido uma total aceitação das experiências no tempo, quer dizer, não estar em discórdia com o que lhe há sucedido no decorrer da vida – pais, trabalhos, enfermidades, acidentes – e, também, uma sensação de gozo emocional pelo tipo de relações que tenha tido.
A pessoa vai crescendo espiritualmente com as ações concretas que vai desenvolvendo em relação aos outros. Isto quer dizer que a idade espiritual se mede pelo grau de serviço que alguém presta aos demais seres humanos. Os sêres com idade espiritual avançada se ocupam em servir aos demais.
A espiritualidade tem a ver com o amor, com a entrega. Não é nem mais nem menos que o verdadeiro conhecimento de si mesmo e o estar a serviço dos outros.”

Pois sim…tive a sorte de conhecer e relacionar-me com algumas pessoas que têm uma idade avançada nesse sentido, apesar de serem, algumas, mais jovens do que eu. Uma delas foi um dos meus anjos durante a cura de minha depressão. Ela ensinou-me muito e abriu-me um novo horizonte nesta dimensão do meu crescimento pessoal.
Acho que depois disso eu envelheci algumas décadas e foi o melhor que poderia acontecer-me antes de cumprir os 50 anos. Assim, creio que ainda tenho muito tempo para crescer e ajudar outros a crescerem, amar e ser amada, servir, ser útil, ser feliz, fazer feliz aos que me cercam… e gozar cada segundo da vida que me reste.
Muita vida, espero!
Perguntaram a Buda
O que mais o surpreende na Humanidade?
Compenetrado, o sábio respondeu:
Os homens perdem a saúde para juntar dinheiro e depois perdem o dinheiro para recuperarem a saúde. Por pensarem ansiosamente no futuro, esquecem o presente de tal forma que acabam por nem viver no presente nem no futuro. Vivem como se nunca fossem morrer e morrem como se nunca tivessem vivido.

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Eu Sou Out…

Não sou muito chegada a revistas de moda. Acho que nunca comprei uma!
Claro que já tive oportunidade de folhear muitas nas salas de espera de dentistas, médicos, nas impossíveis esperas dos cabeleireiros ou em casas de amigas.
Já faz muito tempo que me decidi pela moda confortável e simples. E nunca fui muito adepta à maquilagem. Um batom claro nos lábios e um lápis preto nos olhos. Já está!
Desde muito jovem, as roupas de jeans e os tecidos leves foram sempre meus preferidos. Muito algodão nas saias amplas, camisetas e vestidos indianos.
Até meu vestido de noiva foi de linho crú ! Um conforto para o clima quente e úmido de Recife. E para o bolso também!
Mas eu sou out.
As revistas me dizem isso uma e outra vez. A quantidade de dicas para – maquilar-se, pentear-se, cuidar da pele, tornozelos, cotovelos, para vestir-se como manda o figurino e as cores do momento – são imensas! Cada beldade, cada famoso(a) nos diz o que comprar, como estar in e como não estar out.
Os produtos são de marcas importantes e conhecidas, apresentados com seus preços , na maioria das vezes exorbitantes para o bolso de uma criatura de classe média.
As revistas parecem estar programadas para as mulheres com gordas contas bancárias. As outras, isto é, a maioria das outras, sofram o Complexo de Cinderela ou contraiam dívidas incalculáveis no cartão de crédito.Se tiver um.
E quase todas têm pelo menos UM.
As lojas de preços módicos existem, claro. Mas só para as delgadas e jovens.
As outras, mulheres de magras carteiras e tamanho extra, que morram no limbo da globalização da imagem-sílfide da moda atual.
Por sinal que penteado sexy, não? E, pelo amor de Deus, quanto pesa essa criatura???
Mas nem vou deter-me nesse ponto, pois já escrevi dois posts protestando pelo limbo em que estão as mulheres extra-large do século XXI.Aqui e aqui.
Agora, realmente não resisti ao chamado da página dessa revista, suplemento do jornal El Mundo Yo, Dona. E que chega em minha casa a cada santo sábado.
Vou reproduzir aqui alguns dos precinhos das peças apresentadas para um verão europeu IN.

Uma saia estampada com frutas, simplezinha até, que custa a bagatela de 10.905,00 euros! Uma pechincha, não é mesmo?
Isso em reais deve ficar por volta dos R$ 38.167,50. Que tal?
A blusa é uma camiseta de lycra, sem mangas, pois os 42 graus impedem qualquer prenda com mais tecido. E por apenas 526,00 euros. Traduzindo em números brasileiros: R$ 1.841,00.
E para acompanhar a beleza de conjunto de verão fashion, uma bolsinha fofa de 5.265,00 euros. Tão lindinha, dá para guardar um batom e as chaves! Em reais, por baixo, a mulher da moda só vai ter que desembolsar uns míseros R$ 18.427,50 por esta minúscula bolsa assinada por um tal de Roberto Cavalli. Por sinal ele assina também a saia.
Bueno, bueno… Agora só faltam as sandálias, os braceletes e os óculos. Mais uma besteira de 501,00 euros ou simplesmente R$ 1.753,50.
Total: uma indumentária graciosa para sair de copas e tapas pelas Ramblas do planeta por reles 17.201,00 euros.
Heim!?
Querem que eu converta isso em números brasileiros?
Pois sim… toda essa beleza e charme custaria-nos apenas uns R$60.203,50.
Ho ho ho…
Mas não se impressionem. A revista oferece uma opção ao lado com preços deveras mais baratos. Tudo por apenas 313,00 euros. Ou seja, R$ 1.095,00.
Sinceramente, eu não vejo a enorme diferença de “glamour” entre as duas ofertas!
Talvez por não entender muito de moda. Talvez por não ter a carteira recheada de algumas… ou quem sabe seja apenas porque não me importa em absoluto o nome da criatura que desenhou cada prenda e que só por causa disso o preço dispara feito uma bala.
Esses(as) sujeitinhos (as) que ditam o que a gente deve comprar para ser IN nunca vão conseguir pegar-me nesse conto do vigário. Mesmo que eu pudesse e o meu dinheiro desse.
É imoral.
Meu dinheiro é muitíssimo mais valorizado que seus nomes bordados nas etiquetas minúsculas de suas “algemas sociais”.
Eu faço questão de ser OUT.

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Evas…

Domingo molhado, úmido, cinza. Ficar em casa até que é bom num dia assim, mas almoçar no Chez Georges com as amigas é melhor ainda.
As quatro amigas entram no restaurante bem decorado e fino da cidade, dispostas a comer bem, beber mais e melhor e falar de qualquer coisa, menos de si mesmas.
Rita tem 35 anos, dois filhos e está separada há 3 anos. Quando estava grávida do segundo filho – seu marido havia insistido para que engravidasse pois queria uma famí­lia grande – Rita descobriu que ele tinha uma namorada.
Sim, ele queria uma famí­lia muito grande. A namorada também estava grávida. Iriam dar à luz no mesmo mês e no mesmo hospital.
Rita recusou-se a ficar para ver. Pediu o divórcio com a barriga no pescoço, o coração despedaçado e a auto estima mortinha da silva.
Faz poucos meses que está se recuperando da decepção, às custas de muití­ssimo trabalho numa rotina mais dura que a de uma “mula de roçado”. Acorda às cinco da madrugada e só vai para a cama depois da meia noite. Sua folga quinzenal (quando os filhos ficam com os ex-sogros) é comemorada com um vinhozinho e um bom filme na TV, dormir até as doze e se puder, um almoço com as amigas.
Amor não tem, nem quer. Por enquanto quer distância dos homens. Bastam-lhe os filhos e o trabalho. Stress mais que suficiente.
Júlia tem 34 anos. Casou aos 19, grávida do primeiro namorado. Separou-se aos 27, duas filhas e duas tentativas de suicí­dio.
O ex-marido está noivo de uma dondoca da cidade e vive nas colunas sociais, mas ainda se encontra com ela às escondidas da noiva e das filhas, para um sexo saudoso e cheio de acusações mútuas.
Depois de se agarrarem e transarem desesperadamente, começam as intermináveis brigas. Ele a culpa por ela ser uma mulher exageradamente ciumenta e possessiva. Ela o culpa por ser um degenerado que não pode ver um par de pernas na praia sem ter que segui-las num afã de conquistador barato, um “rato de areia” dos mais nojentos. Ele sai batendo a porta. Ela promete a si mesma que foi a ultima vez. E até a próxima… ninguém sabe até quando seguirão assim. A última foi antes de ontem.
Foi ela quem marcou o almoço. Está precisando desabafar, gritar, beber, comer, contar. Nunca mais vai pensar em morrer por causa daquele desgraçado. Precisa de ajuda, urgente! Amigas, pelo amor de Deus!
Não, melhor nem falar do assunto. Aproveitar para espairecer a cuca, falar dos outros, do livro muito louco que está lendo, do último filme que viu na TV a cabo, antes que aquele pedaço de carne sem sentimentos (e que pedaço!) viesse com aquela conversa de saudades e tesão…
Não! Falar dos outros é melhor. Pronto. Falar qualquer coisa menos da idiota que ela é!
Silvia é solteira. Não pensa em casar-se. Sua independência financeira veio com 22 anos, num emprego público que conquistou num concurso dificí­limo. Poucas horas de trabalho, bom ambiente, bom salário. Tem casa, carro, amigos, viagens, liberdade. Não gosta de sofrer e aos 31, depois de algumas (poucas) tentativas de relacionamento afetivo, desistiu por pura preguiça. Não sente muito a falta de sexo. Às vezes nem se lembra deste detalhe…
E quando lembra, telefona para seu “fornecedor de hormônios”, marca um encontro, resolve a parada e pronto. É bom. Sem promessa e sem cobrança. Está sempre tão entretida com seus planos para as próximas férias…
Ontem mesmo foi na agência e está quase decidida por Nepal.
E depois, amar dá muito trabalho, ela diz com um meio sorriso na cara bonita.
Nenhuma das outras três pode contestar que não.
Que o diga Clarice, 38 anos. Depois de nove anos e meio de um noivado em que os dias foram gastando o amor, se é que amor existia, de forma que não havia qualquer motivo para um matrimônio, exceto o desejo das suas famí­lias, que ao final eram mais noivas que eles dois, o casamento foi o único caminho possí­vel para a separação.
Oito meses depois da festa, que suas famí­lias se esmeraram em fazer es-pe-ta-cu-lar, a farsa finalmente acabou. Ficaram as fotos e um ví­deo, mostrado mil vezes pelas mães-sogras às suas amigas.
Clarice deixou os álbuns com elas. Não queria recordar aquele dia, nem os meses depois dele. Oito intermináveis meses em que tinha que controlar-se para não pular pela janela.
Finalmente, um dia de verão azul, saiu do trabalho, tomou seu carro e dirigiu-se ao aeroporto. Comprou uma passagem para São Paulo, telefonou para o marido e pediu o divórcio. Ele sequer questionou sua decisão.
Clarice esperou um mês que as famí­lias se recuperassem do choque. Nunca a perdoaram. Ele sim. Se não fosse ela quem tivesse tomado a decisão, seria ele…
Claro, iria demorar ainda um pouco. Não tinha coragem de dizer a ela que estava apaixonado por uma colega de trabalho há mais de dois anos e arrependido de não ter evitado o casamento com medo da reação de sua mãe e do pai da noiva.
Queria casar-se com a moça o mais breve possí­vel, assim que sua mãe se acostumasse com a idéia. Já fazem 6 anos que esperam.
Clarice saiu pela vida em busca de amor. Encontrou algo parecido. Inúmeras vezes se apaixonou, nenhuma das vezes a relação deu flores e frutos. Todas acabam depois de dois ou três meses de saí­das. A cada final, um desgaste de energia para criar o clima apaixonado em que desejaria viver.
Depois de uns anos, conformou-se em ter sexo de vez em quando, que de ferro ela não é. Os homens de sua geração preferem as amizades coloridas ao amor propriamente dito.
É que amar dá muito trabalho, dizem.
Clarice vive sozinha, em um belo apartamento, há mais de dez anos. Seu pai nunca mais falou com ela.
Ela já não acredita que vale a pena ir atás do amor. Dá muito trabalho. E por favor, não a chamem de Clarice que esse é nome de mulher doce e sincera. Agora só atende por Clara.
No domingo chuvoso de Abril as quatro mulheres se encontram para o almoço.
Bebem, comem, riem, falam de amenidades, dos livros que lêem, dos filmes que assistem, da vida dos outros, dos que morreram, dos que nasceram, dos que casaram, dos que separaram, dos que se escondem por trás das máscaras, dos que só querem aparecer…
Na mesa lá do outro lado, outras quatro mulheres comem, bebem e riem…
Conversam em tom mais baixo… as paredes tem ouvidos!
Comentam umas com as outras as histórias de Rita, Júlia, Silvia e Clarice, quer dizer,Clara…
Que?
Falar das vidas delas, nem pensar!
Pelo menos não antes do café e do licor…

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