Cartas aos Curumins. Uma Conversa com o Futuro.(1)

Agosto de 2016. Cartagena /Espanha. (1)

Queridos…
Nem sei quantos vocês são, se são meninos ou meninas, se sabem ler em Português, como se chamam, qual a cor de seus olhos e de seus cabelos. Mas sei de antemão que são pessoinhas inteligentes e curiosas, como a sua mãe. Na verdade, não me importa muito saber isso agora, porque tenho certeza que sejam como forem vou amá-los muito. “Mais do que todos os universos!” Frase da sua mãe. Acreditem!
Meu desejo é deixar minhas lembranças registradas nas cartas que pretendo, de vez em quando, escrever. Seria mesmo muito lindo que eu pudesse enviá-las pelo correio, de tecartas2.jpgmpos em tempos, só para imaginar ver vocês correndo até a caixa do correio e voltando para casa com as carinhas de alegria e fascinação que todos as crianças têm diante de uma nova estória.
E mais… sabendo que são as minhas e que contam um pouquinho das nossas vidas!
Não serão
Não posso viajar ao futuro para vê-los agora mesmo, como nos filmes. Mas posso viajar ao passado através da minha memória e contar pequenos trechos de nossas vidas, de nossos lugares, de nossas pessoas.
Bem…isto não quer dizer que, de vez em quando, não possa aparecer um pedacinho de mata atlântica – uma autêntica floresta!- bruxas boas que sabem rezar simpatias, princesas e lordes, sapos e grilos, velhas histórias tão estranhas que vocês podem até pensar que eu inventei para divertir-los. Nada disso. Eu quero mesmo é que vocês saibam um pouco sobre mim, sobre a nossa família, nossos amigos, nossas festas, nossos doces, nossa música. Algo sobre o Brasil através dos meus olhos.
Imaginei uma noite dessas em que a insônia nos faz pensar no desconhecido futuro ( sua mãe diria em Espanhol ” o futuro lejano”) que é muito provável que nasçam num outro país, falem um outro idioma, comam outros alimentos, cantem outras músicas infantis, conheçam outra história, outra cultura.
Fiquei com muita pena de, quem sabe, não poder contar as historias de família que os avós contam aos seus netos. Fiquei com pena que não pudessem saber sobre as suas origens sul americanas e brasileiras. Que nunca ficassem sabendo quem foram seus bisavós e tataravós, como viviam e o que pensavam.
Desde que vim morar fora do meu país, e isso aconteceu justamente quando eu já não tinha a quem perguntar, senti falta deste saber. Nas vezes em que voltei ao Brasil procurei as tias, irmãs do meu pai e fiz muitas perguntas, mas elas sabiam pouco. Da família de minha mãe eu já não sabia onde estava ninguém e nem eles sabem de mim.
De qualquer forma, vou tentar desenhar um pequeno esboço, quase sutil, de quem eles foram. Talvez até possa colar uma ou outra foto e assim dar a vocês esse presente.
Sim, meus amores… considero essas cartas um presente. Daqueles maravilhosos presentes que não se pode comprar.
Não sei se um dia me conhecerão ou se eu estarei com a memoria suficientemente fresca para recordar as tantas estórias que me foram contadas pela minha mãe, sua bisavó, e minhas tias, primos e primas. Gente que vocês nunca verão.
Talvez… e eu espero sinceramente que isso não aconteça, também eu já esteja escondida em algum lugar que ninguém alcança.
Mas não vamos pensar no meu futuro. Vamos pensar no meu presente. Esse é meu lema desde que cumpri os 45 anos de idade.
Me aguardem, meus amores… Vai ser bárbaro contar a vocês tudo o que me passar pela cabeça.
Já pensaram que delícia conversar comigo através do tempo!?
Eu vou adorar!
Até breve.

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Categorias: Cartas aos Curumins | 2 Comentários

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2 opiniões sobre “Cartas aos Curumins. Uma Conversa com o Futuro.(1)

  1. Me emocionou muito, mamae, eu quero saber todas as estórias e historias!

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